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Diferenças entre homens e mulheres no trabalho: por que elas ainda existem?

by Karen Carneti Published on 13 de julho de 2016
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Entre 142 países no ranking de igualdade de salários por gênero, o Brasil ocupa a posição 124

A desigualdade entre homens e mulheres no trabalho é um problema global, e, apesar de sua diminuição ter de fato ocorrido na última década, a progressão é lenta e irregular. Um estudo feito pelo Fórum Econômico Mundial mostrou que essa questão provavelmente só será resolvida no ano de 2095.

Entre 142 países no ranking de igualdade de salários por gênero, o Brasil ocupa a posição 124. Já entre os 22 países das Américas, nosso país aparece em 21º lugar, à frente apenas do Chile, e atrás de países como Bolívia, Honduras e Panamá.

A jornalista Mariana* foi contratada juntamente a outros colegas, todos homens, para exercer a mesma função que os demais – no mesmo departamento e com o mesmo cargo. Ainda assim, seu salário é inferior. “No papel, eu tenho outra função e recebo bem menos do que os outros colegas, homens, que estão no cargo correto e têm um salário maior”, diz.

Além disso, é constantemente cobrada sobre sua aparência. “Os superiores já reclamaram do meu cabelo, da minha maquiagem, das minhas roupas. Sugeriram até que eu usasse lentes de contato no lugar dos óculos. Nunca vi homens recebendo o mesmo tipo de cobrança”, conta ela.

Como o ranking do Fórum Econômico Mundial mostrou, situações como a de Mariana* são comuns nas empresas do mundo todo. A questão é...

Por que os homens ainda recebem mais do que as mulheres, mesmo quando exercem os mesmos cargos?

Para Allan Lopes, responsável pela área de Recursos Humanos da Soar Desenvolvimento Humano, isso ainda ocorre por conta de três possíveis cenários. O primeiro é o de que a empresa não possui um processo de cargos e salários definido, ou tem uma gestão imatura. Desta forma, o salário de cada colaborador é decidido no momento da contratação, e não há regra coerente que garanta a equiparação dos salários de profissionais que exerçam o mesmo cargo.

A segunda hipótese é devida ao contexto histórico de o homem possuir o papel de provedor. Apesar de nossa sociedade ter evoluído sobre o conceito de que o homem saía de casa para buscar o sustento para sua família enquanto a mulher cuidava da moradia e dos filhos, é comum pessoas e empresas ficarem presas a antigos conceitos.

Por fim, quando as mulheres se tornam mães, é comum que, além da licença maternidade, muitas optem por se dedicar ao filhos por um tempo. E, ao avaliar um currículo, o recrutador às vezes não entende que esse afastamento aconteceu por conta da maternidade. Os avaliadores tendem a pensar que, se um candidato ficou fora do mercado de trabalho por um longo período, isso significa que se desatualizou, e, portanto, seu salário pode ser menor.

Já Eline Kullock, especialista em Recursos Humanos e sócia da Stanton Chase International, empresa especializada em executive search, afirma que o motivo é pura e simplesmente o machismo enraizado na sociedade. “Não há outro motivo. Já houve muitas mudanças, mas elas ocorrem aos poucos. Não se muda uma cultura arraigada em um estalar de dedos. É necessário fazer este movimento (de igualdade dentro das empresas) sempre, para que a cultura de que os gêneros devem ser considerados da mesma forma se torne vigente e normal”, afirma.

Cargos de liderança

Apesar de os cargos de liderança ocupados por mulheres terem aumentado neste ano, uma média geral aponta que apenas 19% são preenchidos por elas. A questão cultural ainda prevalece, principalmente quando falamos de empresas imaturas, que possuem gestão fraca e cultura de diversidade inexistente.

Muitas empresas ainda precisam entender corretamente o conceito de liderança e perceber que apenas as competências definem o potencial de um profissional para os cargos estratégicos, independente de gêneros. Segundo Allan, as mulheres que buscam cargos de liderança também devem se preparar para essas posições, obtendo uma formação acadêmica interdisciplinar e alcançando altos níveis de excelência nas funções que executam – o que, aparentemente, já acontece. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de mulheres que ingressam no ensino superior é maior do que o de homens. Em 2013, aproximadamente 6 milhões de matrículas foram feitas. Destas, 3,4 milhões foram de mulheres, contra 2,7 milhões de homens. Na hora de concluir os estudos, 491 mil alunas formaram-se, frente aos 338 mil homens que terminaram seus cursos.

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Como as empresas estão agindo

Atualmente, há empresas com metas de número de mulheres em cargo de chefia ou no comitê de diretores, o que se denominou “diversidade”, e abrange também os gays. Grandes organizações já perceberam o poder de adotar programas de diversidade para minimizar os impactos culturais e favorecer um ambiente onde todos possam desenvolver seu trabalho da mesma forma.

A empresa multinacional de tecnologia Oracle, por exemplo, possui um programa de desenvolvimento chamado Oracle Women's Leadership (Liderança de Mulheres da Oracle, em tradução livre), que suporta e incentiva o crescimento das lideranças femininas dentro da empresa. A Accenture, empresa global de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing, lançou neste ano uma iniciativa chamada AWAKE, que visa promover oportunidades iguais e debater opções para uma sociedade mais justa, principalmente destacando o protagonismo da mulher.

“Podemos perceber que muitas empresas já estão no caminho certo para essa mudança positiva. Porém, acredito que as empresas pequenas precisam migrar suas culturas rapidamente para conseguirem sobreviver”, diz Allan. Segundo ele, desenvolver um ambiente e que a diversidade é respeitada é o primeiro passo para um crescimento sustentável. E algumas soluções mais simples para estas empresas podem estar em palestras de conscientização, treinamentos sobre o tema e adequação em sua estrutura e gestão para igualar as relações de trabalho com urgência.

Homens x Mulheres: as diferenças realmente existem?

Desde crianças, ouvimos que homens e mulheres são diferentes. Hoje, boa parte do mito já se desfez, mas não completamente. Eline, por exemplo, afirma que, pelas próprias características masculinas e femininas há, sim, diferenças na forma de agir. Segundo ela, a mulher foi mais acostumada, nas épocas passadas, a permanecer na tribo e interagir – enquanto o homem saía para caçar.

​Nosso cérebro é mais preparado para conversar com outras pessoas, perceber emoções, lidar com o grupo, ter a atenção distribuída, enquanto o homem foi treinado por séculos para ter uma visão espacial aprimorada (precisava se mexer na selva, jogar sua arma enquanto a presa se movia), a ter sua atenção focada, a decidir. “Logo, suas habilidades serão diferentes na hora do trabalho. Claro que nem todos são assim, mas há uma tendência a que sejam mais dessa forma”, diz.

Já Allan não acredita nessa teoria. Para ele, cada pessoa cria afinidades com determinadas habilidades ou competências ao longo da vida, porém, nada impede que novas aptidões sejam desenvolvidas no curso de sua jornada profissional. Ele conta que já atendeu e viu inúmeros casos de pessoas que, em busca de um objetivo, aprenderam novas formas de trabalhar, se capacitaram e hoje executam suas novas funções com maestria.

Por isso, é importante que as empresas tenham uma cultura de diversidade que ofereça condições iguais a todos. Desta forma, garantem que terão sempre os melhores talentos se desenvolvendo, no melhor ambiente possível.

*O nome foi trocado para preservar a privacidade da jornalista

Este texto foi escrito por @karencarneti e editado por @gabrielamori.

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