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Alimentos para se evitar até um ano de idade do bebê

por Redação taofeminino Publicado em 4 de julho de 2017
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Sal e açúcar, chocolate, sucos, mel, frituras: a maioria das recomendações sobre alimentação infantil são as mesmas para toda a família. Por Juliana Couto

Até o sexto mês de vida, um bebê não precisa de nenhum outro alimento se não o leite materno. Ao contrário do que ainda se fala, a introdução alimentar deve ser iniciada somente aos seis meses de vida do bebê (e não aos quatro meses). Até lá, o bebê não precisa nem de água, chazinho ou papinha. Se o bebê não puder ser amamentado por sua mãe e precisar tomar fórmula infantil, a recomendação é a mesma: leite até o sexto mês de vida. A partir do sexto mês de vida, se inicia a introdução alimentar e, por isso, é importante que os pais mantenham baixas expectativas, porque o que se inicia é a longa formação do paladar: texturas, consistências, sabores, cores e cheiros.

Dentro do universo das novas experiências de paladar (é importante ressaltar que bebês amamentados com o leite materno já conhece alguns sabores, que passam pelo leite, diferentemente daqueles que foram alimentados apenas com leite artificial), alguns alimentos merecem atenção especial, seja pela possibilidade de serem alergênicos, seja pela metabolização em glicose. O curioso: as recomendações sobre alimentação infantil são as mesmas que para toda a população (alimentação balanceada, composta por verduras, leguminosas, frutos, entre outros), de modo que mudar os hábitos alimentares contribui para que a alimentação dos pequenos seja melhor. “A alimentação da família precisa ser saudável para termos um bebê com maiores chances de desenvolver hábitos saudáveis. Para isso, preferir alimentos in natura e pouco processados, buscar alimentos variados, optar por temperos naturais, procurar fazerem refeições juntos, à mesa, sem distrações, terem um ambiente das refeições gostoso e tranquilo.

Sal e açúcar: são os vilões?

Primeira justificativa: sal em excesso sobrecarrega os rins; açúcar em excesso, além de propiciar o surgimento de cáries, contribui para a predisposição à obesidade. O sal e o açúcar servem para realçar o sabor dos alimentos e, sim, tendem a agradar o paladar. Os alimentos por si só já são salgados ou doces, então não é preciso ensinar o bebê a gostar de (mais) salgado ou (mais) doce. É o que explica Viviane Laudelino Vieira (SP), 37, nutricionista materno-infantil, doutora em saúde pública pela FSP/USP: “não precisamos ensinar alguém a gostar de algo salgado ou doce. Além disso, quando nos acostumamos a esses sabores, tendemos a não querer tanto os sabores mais neutros ou os azedos e amargos. Isso é muito importante de ser considerado para os bebês, que estão começando a ter contato com os diferentes sabores. Além disso, o sódio em excesso pode trazer uma sobrecarga para os rins do bebê”.

Sucos: consumo limitado

O consumo de sucos naturais não é recomendado até o um ano de idade. E depois desse período, consumido com limites. Essa é a mais recente recomendação da Americana de Pediatria: a ingestão deve ser limitada a no máximo 120 ml diários para crianças de um a três anos de idade, a 175 ml para crianças de quatro a seis anos de idade e a 250 ml dos sete aos 18 anos, dentro da ingestão diária recomendada de 2 a 2 ½ porções de frutas por dia. Até o um ano de idade, o bebê tem diversas experiências com os alimentos sólidos e semissólidos, o que contribui para a percepção e construção do paladar. A recomendação sobre frutos é que os mesmos sejam oferecidos in natura – até porque um bebê consegue tomar um suco com duas ou três laranjas, mas certamente não conseguiria comer duas ou três laranjas. Depois de um ano, não há necessidade de serem oferecidos, mas podem vir em pequenas quantidades após as refeições ou compondo lanches.

Além disso, Viviane explica que no suco, o fruto já perdeu uma boa parte das fibras e de outros nutrientes”. Isso é importante de ser considerado para um bebê que está iniciando sua alimentação. Ele ingerirá muita frutose (um açúcar) e poucos nutrientes adicionais. Algo que não é recomendado é deixar o bebê, com mais de um ano, com garrafinha de suco para tomar ao longo do tempo. Os sucos industrializados são ainda pior porque possuem conservantes, açúcar de adição (em quantidade equivalente a um copo de refrigerante) e muito menos frutas”, explica.

Mel: pode transmitir bactérias ao bebê

A recomendação é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): não oferecer mel a crianças menores de um ano de idade. A orientação é baseada em estudos que mostram a presença de bactérias causadoras do botulismo intestinal. O botulismo é uma intoxicação alimentar que atinge o sistema nervoso e pode causar tremores, dificuldade de deglutição, moleza no corpo e falta de apetite, além de risco de insuficiência respiratória e de complicações neurológicas para casos mais graves. De acordo com Viviane, é um produto que não passa pelo processo de pasteurização, aumentando a possibilidade de contaminação.

Chocolate: mais gordura do que cacau

Mais do evitado até um ano de idade, a recomendação é que seja oferecido após os três anos. É importante ter em mente que o cacau propriamente dito representa muito pouco na composição do chocolate - e é bem amargo. O chocolate se torna doce porque os fabricantes adicionam gordura e açúcar. Ele agrada o paladar dos pequenos, mas além do excesso de açúcar, crianças pequenas não têm discernimento sobre o que comer e quando comer. Por isso, o consumo deve ser restrito.

Chás: atenção para as substâncias

Já sabe: nada de chazinho antes do sexto mês de vida? E depois dele, atenção na moderação. Isso porque, como Viviane também explica, muitos chás são fitoterápicos - e muitas vezes são a alternativa para curar resfriados isolados. É importante estar atento ao tipo de substância que se faz o chá e a quantidade oferecida.

Frituras e defumados: é fácil se habituar

A gordura da fritura e de defumados agrada ao paladar. O que não significa deixar que seu bebê experimente desde o início da alimentação sólida. Justamente por agradar o paladar (assim como o chocolate), em um curto período de tempo, a criança vai se acostumar com o sabor e vai optar por esses alimentos. O problema: em excesso, eles predispõem à obesidade. “É bom evitar alimentos gordurosos nessa fase. Os defumados e embutidos, além disso, são ricos em sal e em conservantes e corantes, que também são contraindicados aos pequenos”, explica Viviane.

Perigo, os alergênicos

De primeira, Viviane recomenda que o leite de vaca deve ser evitado devido ao risco da criança se tornar APLV (alergia à proteína do leite de vaca) - e isso pode incluir reconsiderar o consumo da mãe, caso ela amamente. Para os frutos morango e kiwi, a principal orientação é que após um ano eles sejam dados, mas somente os orgânicos, devido a alta concentração de agrotóxicos que os demais possuem. Ovos de galinha não são contraindicados e podem estar inclusos na dieta da IA, mas é importante que eles sejam orgânicos – além de possuírem menos hormônios, são mais respeitosos desde sua origem.

Dicas rápidas para a IA e para o estabelecimento da alimentação

- O seu bebê não vai começar a se alimentar regularmente de sólidos com seis meses e um dia de vida completos;
- Não há uma regra definida sobre quando e com qual alimento começar a introdução alimentar, porque cada bebê amadurece em um momento;
- É normal as crianças terem muito apetite ou não terem nenhum. As crianças comem mais quando estão em pico de crescimento e comem menos quando estão fora do pico;
- Preferências e rejeições são normais e precisam ser respeitadas, mas é muito sutil perceber o que é uma real aversão de uma neofobia (medo do novo) ou de uma imitação (quando a criança rejeita porque vê outros rejeitarem);
- Se a família tem o alimento em casa, todos comem e a criança não quer comer (e já foram tentadas diversas formas de se oferecer), dê um tempo à criança;
- O paladar muda e ela pode querer ingerir depois de algum tempo;
- Cuidado quando as restrições envolvem muitos alimentos. Nesse caso, é necessária orientação nutricional.

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