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Descubra se seu médico é um cesarista

by Redação taofeminino ,
Descubra se seu médico é um cesarista© pixabay.com

Cirurgia de médio porte, a cesárea segue como via de nascimento campeã no Brasil apesar de não ser recomendada sob falsos pretextos. Informe-se sobre o parto normal e desconstrua a ideia da dor: parir não é sofrer. Por Juliana Couto

Não se deixe enganar pelas pequenas esculturas de mulheres grávidas ou de mães com bebês no colo ou ainda esculturas tribais que remetem a uma maternidade primitiva e que carregam, portanto, uma ideia de maternidade intuitiva. Cuidado: além de poder se envolver no mito de que a maternidade é inerente à mulher, você pode se consultar com um ginecologista obstetra que é um cesarista, o que não vai trazer benefícios nem para a sua saúde nem para a do seu filho. Atenção para frases como “vamos ver se você vai dilatar”, “vamos ver se você tem passagem”, “você é muito pequena para parir”, “você não é índia para parir”, “quem faz o parto sou eu”, “seu bebê está com duas circulares de cordão e pode morrer”. São falácias para conduzir você para uma cesárea eletiva (ou desnecesárea).

A cesárea salva vidas. É uma via de nascimento, cirurgia de médio porte que preserva a saúde da mulher e do bebê para os casos em que ambos ou algum deles sofre risco de vida. Há seis indicações reais para a indicação de uma cirurgia cesárea e ainda situações intermediárias, normalmente intraparto, que podem levar ao procedimento. Há, no entanto e infelizmente, mais de 150 outras indicações que são fictícias e levam mulheres a optarem por passar por uma cirurgia do que experenciar o parto vaginal. A obstetra Melânia Amorim, em seu blog Estuda Melânia, Estuda, respalda cientificamente as indicações reais e possíveis e lista as falácias que muitas mulheres já ouviram.

Por que mulheres optam pela cesárea em vez do parto normal? No Brasil, a cesárea faz parte de uma cultura enraizada (e colonialista) que envolve estrutura médica, estrutura dos sistemas assistenciais de saúde, estrutura do ensino acadêmico, medo de sofrer a dor do parto e, por fim, medo de ser violentada. De um lado, a estrutura assistencial médica no Brasil espreme médicos. É importante suspender a visão coronelista de médicos como doutores e detentores de todo o conhecimento e compreender que eles são profissionais regulamentados. Que lidam com humanos e, no caso de um obstetra, com o binômio morte e vida. Com a transferência do conhecimento sobre parto e do parto em si para o hospital, os salários baixos e o sistema de saúde privado que remunera que trabalha mais, assim como em todo o sistema capitalista, os médicos passaram a encaixar mais e mais cesáreas em agendas apertadas e lotadas de gestantes. Pudera: um nascimento via cesárea dura em média uma hora, independentemente se a mulher é ou não primigesta; um parto vaginal natural para uma primigesta dura em média de 12 a 14 horas. Quanto eles iriam receber? Além disso, a estrutura do sistema acadêmico médico brasileiro é atrasada, principalmente ainda por formar médicos que se especializam em obstetrícia e defendem (e praticam) metodologias ultrapassadas e adotam procedimentos já refutados pela Medicina Baseada em Evidências, como é o caso da episiotomia.

Nem a estrutura do sistema médico nem a má formação de médicos justifica, porém, não priorizar a vida da gestante e do bebê. É uma premissa lógica quando se pensa sobre a qualificação profissional técnica de alguém que irá salvar vidas no caso da cesárea, tendo em vista que médicos obstetras não fazem partos normais. Quem faz é a mulher. É inclusive o que demonstra um vídeo que viralizou nas redes sociais, cujo parto de uma adolescente de 16 anos é filmado pela equipe médica com uma série de intervenções e atitudes que podem ser qualificadas como violentas e agressivas*. A função médica obstétrica durante um parto é, portanto, prestar assistência, de acordo ainda com a escolha do local do parto pela mulher, parto esse que pode ser domiciliar, em casa de parto ou em ambiente hospitalar, respeitando a fisiologia da mulher e do bebê. O vídeo representa o extremo oposto. Além da má formação de médicos, ainda falta no Brasil a popularização da presença de obstetrizes e enfermeiras obstetras como principais assistentes ao parto, metodologia comum na Europa.

Cultura do medo da dor e violência obstétrica

Mas o que aflige de fato as mulheres? De um lado, o medo de sofrer a dor do parto. Parturientes dirão: parir dói. Outras dirão: dor não é sofrimento. Estamos enraizados em uma cultura que não qualifica a dor como parte da experiência, pela dor estar sempre associada à acidentes, violência, morte e despedida e ainda regidos pela lógica de um tempo capitalista e tecnológico desenfreado que não mede minutos, horas ou dias, por estarmos sempre conectados e reconectados, distantes fisicamente e presentes virtualmente. Preparar-se para um parto, além do preparo para as fases do parto, inclui rever, portanto a lógica da dor e do tempo. Parir dói. E leva-se, talvez, um bom tempo.

Do outro lado, a violência obstétrica. Como se configura a violência obstétrica? Segundo a Defensoria Pública do Estado de São Paulo “caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais de saúde, através do tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres" (conceito baseado nas leis venezuelanas e argentinas nas quais a violência obstétrica é tipificada). Ou seja, todo e qualquer procedimento ou atitude ao qual a mulher for submetida sem seu consentimento ou com ironia, agressividade, descaso e autoritarismo é qualificado como violência obstétrica. E o parto normal vigente no Brasil é um verdadeiro concerto de VO (violência obstétrica). A parturiente é submetida sem consentimento ao sorinho (que contém ocitocina sintética) para acelerar o processo de parto, tanto dilatação quanto contração, recebe analgesia para lidar com a dor que a ocitocina sintética causou (ela acelera o parto e, assim, a dor dele; se antes essa dor seria gradual e natural, se tornou forçada); normalmente, não pode estar acompanhada de seu companheiro na sala de pré-parto (os homens são excluídos do nascimento de seus filhos, para conferir mais privacidade às várias mulheres que dividem a sala); recebem ordens como “não gritar”, “falar mais baixo para não incomodar”, recebem o exame de toque de vários profissionais, método desnecessário, já que o exame de toque não precisa ser feito a cada hora, menos ainda por vários profissionais, o que só aumenta a chance de infecção. A parturiente é induzida e conduzida para parir em litotomia (deitada) o que dificulta o nascimento, mas facilita a assistência médica. É induzida a concordar com a manobra de Valsava e manobra de Kristeller, amplamente difundidas e que não trazem benefícios para a mulher e para o bebê. Se você soubesse que ao engravidar passaria por tudo isso, escolheria uma cesárea ou um parto normal instrumental?

Uma cesárea. É o que refletem, diante de todo o contexto da estrutura médica hospitalar e da cultura do medo da dor, as estatísticas: o Brasil segue como campeão de cesáreas no mundo, com taxas abusivas que chegam a 53,7% (84,6% na rede privada, segundo a Agência Nacional de Saúde - ANS), enquanto a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza 15% - países como Chipre registram 50%, França, 21% e Finlândia e Holanda, 17%. Se a cesárea é uma cirurgia que deve ser recomendada sob risco de vida e o parto normal é desumanizado, qual o caminho que a parturiente pode seguir? Buscar um parto humanizado e informar-se sobre equipes médicas, locais de parto, gestações de baixo e alto risco, posições para parir, desenvolvimento da gestação, pré-natal qualificado com acompanhamento laboratorial e em consultório com um obstetra humanizado que acolha e dialogue sobre o desenvolvimento da gestação. Primeiro passo: saiba quais são as recomendações da OMS para o Atendimento ao Parto Normal. Em seguida, informe-se sobre as taxas de cesárea dos médicos do seu convênio ou do posto de saúde no qual você realiza seu acompanhamento de pré-natal. Procure também saber sobre o plano de parto e a importância de fazê-lo junto à equipe médica, sobre os procedimentos necessários e de rotina que são realizados pelo neonatologista assim que o bebê nasce.

Mesmo munida de informações sobre a cirurgia cesárea e o parto normal e situações intraparto que envolvem ambas vias de nascimento, cabe à mulher escolher o que é melhor para ela. Assim como não é o médico que faz o parto, é a mulher, cabe a ela decidir como quer parir. No Brasil, uma mulher pode escolher a cesárea como via de nascimento, desde que siga a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que determinou em 2016 que as gestantes têm direito de optar pela cirurgia somente após 39 semanas de gestação completas, quando o bebê é considerado totalmente maduro. De acordo com o órgão, o amadurecimento fetal é mais intenso nas últimas semanas da gestação, envolvendo desenvolvimento delicados de órgãos como fígado, pulmão e cérebro.

Relatos de quem passou po­­­­r cesaristas

“Primeira gestação: bolsa rota às 36 semanas, tive consulta com o GO que disse ser apenas uma fissura mas tinha que internar. Como eu não tinha informação, internei. Estava com 2 cm de dilatação e me colocaram na ocitocina. Após 3 horas a dilatação havia progredido "apenas" mais 2 cm com ajuda da médica (manualmente). Aparentemente, fugi muuuito da regra da curva de partograma (ironia). Bom, depois de 24 h de bolsa rota me levaram para a cesárea à contragosto. Segunda gestação: saiu o tampão e bolsa rompeu aos 5 cm de dilatação enquanto eu esperava no hospital para fazer o cardiotoco. O médico alegou sofrimento fetal. Até hoje duvido, mas perdi o papel que sai do aparelho e fui para a cesárea que eles disseram ser de emergência. Terceira gestação: A médica disse que eu não poderia ter normal pois meu útero ia romper e meu bebê e eu morreríamos. Dessa vez eu venci, me informei muito, fiz pré-natal com essa médica do convênio e fui parir no SUS.”
Juliana Victoria (RS), 27, mãe de Pedro, sete, Francisco, cinco, e Lourenço, três meses

“Das falsas recomendações que recebi de obstetras que consultei até achar o meu GO humanizado:
-
Você tem quadro de enxaqueca, e suas enxaquecas só vão piorar durante o decorrer da gestação então não conseguirá parir (e as enxaquecas só melhoraram com a gravidez).
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Não tem como eu te prometer um parto normal agora por que lá no final da gestação a gente faz um exame para ver se você tem uma bacteriazinha na vagina, e se tiver não podemos fazer parto normal não.
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É impossível te prometer um parto normal, ainda mais no primeiro filho e você sendo tão nova.
Na maternidade, antes do GO chegar e após exame de toque desnecessário:
-
Olha você já está com a bolsa rompida mas com 3 cm de dilatação ainda, melhor já internar e vamos te dar um remédio para ir mais rápido, se não vai sofrer muito.
Bati o pé, voltei para casa, descansei só voltei lá quatro horas depois, com meu GO junto e em 40 minutos a Alice nasceu sem nenhuma intervenção (3 circulares de cordão para quem diz que isso também é indicação de cesárea). Informação é tudo!”

Bárbara Gobetti Santos (PR), 24, mãe da Alice, de um ano e dois meses

“Estou prestes a entrar na 36ª semana. Fazendo pré-natal com uma equipe do Hospital Albert Einstein em São Paulo. Quando comecei o pré-natal, avisei da minha vontade de ter parto normal e o mais respeitado possível. No começo eram flores, a médica apoiava. Quando passei da 20ª semana, começou a tempestade de desculpas. Primeiro, eu tinha um excesso de líquido amniótico, a médica me alertou dos riscos de deixar a gestação fluir naturalmente tendo o liquido aumentado e parto prematuro, e não poderíamos correr o risco, então era melhor fazer cirurgia. Tenho muita secreção vaginal, descartamos infecções, ela falou que pode ser indícios de bolsa rota e isso também é prejudicial no parto, nova indicação de cesárea. Depois, falou sobre meu inchaço que já apresentavam edemas e a pressão arterial que vinha apresentando aumento gradual. Nessa consulta a pressão estava 11/7. Falou do perigo da pré-eclâmpsia e que eu não poderia entrar em trabalho de parto. Sempre fui muito consciente dos riscos da pré-eclâmpsia e fiquei assustada, achando que tinha perdido meu parto para o meu próprio corpo. Pesquisei e vi que minha pressão estava ótima e não tinha risco algum. Novamente o excesso de liquido acumulado com o percentil 80 da minha neném viraram riscos pro parto normal. Outra consulta e a bebê com medidas para duas semanas além do que deveria estar. Aí começou que ela é um bebê gigante (peso da última USG era de 2,7kg) e eu sou pequena demais, não tenho estrutura para parir uma criança que vai chegar tranquilamente a 3,5 kg. Que o risco de laceração da vagina ao ânus é grande e que ela não assumiria pelo meu desejo de ter parto normal. Estou em vias de parir e as desculpas não param”.
Pamela Mendes (SP), 20, grávida de 36 semanas da Lua Maria

Como descobrir se seu médico é um cesarista

Desenvolvido pelo grupo Gravidez, Parto e Maternidade do extinto Orkut e atualmente no Facebook, o questionário abaixo contribui para a que a gestante conheça melhor a postura do obstetra e saiba como prosseguir de acordo com as respostas. Sim, você corre o risco de sentar numa cadeira para levantar minutos depois e corre o risco de passar por vários obstetras até encontrar aquele que respeite a sua decisão de como parir.

​1) Até quantas semanas você espera o meu parto?
resposta certa: até 42 semanas (ou 41 semanas mais alguns dias)
resposta perigosa: até no máximo 41 semanas
resposta cesárea garantida: até 40 semanas

2) Se eu chegar nessa data limite, com o colo do útero fechado e grosso, o que acontece?
resposta certa: podemos induzir no hospital
resposta perigosa: a gente "tenta" induzir no hospital.
resposta cesárea garantida: a gente faz a cesárea

3) Quanto tempo você espera até a indução pegar e eu conseguir um parto normal?
resposta certa: pode levar até 48 horas, se o colo estiver fechado
resposta perigosa: de 10 a 24 horas
resposta cesárea garantida: menos que 10 horas

4) Se a bolsa romper sem trabalho de parto, qual é a sua conduta?
resposta certa: espera em casa até entrar em trabalho de parto, até umas 48 horas depois da bolsa romper, vamos monitorando o bem estar seu e do bebê
resposta perigosa: espera em casa até entrar em trabalho de parto, até umas 12 horas depois da bolsa romper, depois vai pro hospital induzir
resposta cesárea garantida: vai direto para o hospital, que a gente vai ter que induzir (ou fazer uma cesárea)

5) Até quantas horas pode durar o meu parto depois dos 4 ou 5 cm de dilatação?
resposta certa: só Deus sabe! de 2 horas até 2 dias
resposta perigosa: 7-12 horas
resposta cesárea garantida: qualquer número menor que 7 horas

6) Até quantas horas pode demorar para o bebê nascer depois que eu chegar nos 10 cm de dilatação?
resposta certa: só Deus sabe! de 2 a 6 horas, mas já tive casos de 10 horas...
resposta perigosa: de1 a 2 horas
resposta cesárea garantida: qualquer número menor que 1 hora

7) Diante de quais situações você indica cesárea? (qualquer uma dessas assinaladas está errada)
( ) se tiver mecônio no líquido amniótico
( ) se o bebê for maior que 4 kg
( ) se o bebê for maior que 3,5 kg
( ) se tiver circular de cordão no pescoço do bebê
( ) se minha pressão subir
( ) se eu não tiver dilatação com 40 semanas e o bebê estiver alto
( ) se meu trabalho de parto estiver muito demorado, mas o bebê estiver bem
( ) se o bebê tiver desacelerações do coração durante as contrações (mas não tiver nos intervalos das contrações)

Há ainda um teste bem-humorado, desenvolvido pela obstetriz Ana Cristina Duarte, referência na humanização do parto e publicado no site Amigas do Parto, que ajuda a refletir sobre a postura do obstetra:

1) Qual a sua postura em relação à "cesárea x parto normal"?
a) O parto normal é o melhor, mas só dá para saber na hora.
b) Hoje em dia não faz sentido ter bebê por parto normal, com as técnicas de cirurgia tão avançadas e seguras. A recuperação é rápida e graças aos novos antibióticos, anti-inflamatórios, antitérmicos e analgésicos, você pode ter uma vida quase normal em menos de 2 meses.
c) O parto normal é melhor, mas na sua idade (ou com o seu peso, ou nessa época do ano, ou para uma pessoa sensível como você) a cesárea é mais garantida.
d) O parto normal é melhor e pelo menos 90% das mulheres podem dar à luz naturalmente. Você também tem tudo para ter um parto normal e nós vamos nos preparar para isso!

2) Quais intervenções no parto você considera essenciais?
a) O que eu uso nos partos é o soro com ocitocina (hormônio) para acelerar as contrações, episiotomia (corte no períneo) e rompimento da bolsa aos 5 cm de dilatação. Mas às vezes tenho outras ideias durante o parto. Depende do dia e dos meus compromissos.
b) Eu uso as intervenções apenas em raros casos, até porque a maioria delas podem ter efeitos colaterais indesejáveis. A natureza pensou em tudo, para a grande maioria das mulheres.
c) Só a anestesia, porque acho que a mulher não deve sentir dor. O resto varia de mulher para mulher.
d) Só a episiotomia, porque o parto pode destruir a vagina da mulher e provocar incontinência urinária.

3) Em que posição posso dar à luz? Posso ter um parto de cócoras?
a) Ra ra ra ra.... Parto de cócoras? Você não é índia, é? A mulher de hoje não tem musculatura para ficar de cócoras. Você quer ser partida ao meio, minha filha?
b) Semireclinada, pois no centro obstétrico da maternidade onde atendo, tem uma mesa de parto que permite que a paciente eleve um pouco as costas.
c) Da forma que você se sentir mais confortável, podendo ser de cócoras, de quatro, de lado ou de outro jeito que você inventar. A única posição que eu procuro não incentivar é deitada, porque o bebê pode ter o suprimento de oxigênio comprometido.
d) Como assim? Existe outra posição para dar à luz que não seja deitada?

4) Qual será sua postura caso eu recuse alguns procedimentos que você esteja recomendando?
a) O parto é seu. Você decide o que é melhor. Se eu indicar um procedimento, vou te explicar porque, vantagens e desvantagens, mas quem tem que resolver é você.
b) Eu não recomendo procedimentos. Eu faço. Na hora do parto você não tem condições de discutir o que é bom para você. Aliás, desde o início da gravidez a mulher tem o comportamento alterado, bem como a capacidade de discernimento.
c) Eu terei que abandonar o atendimento e chamar um plantonista, pois não quero me responsabilizar pelas desgraças que podem acontecer ao seu bebê.
d) Você não tem o direito de recusar um procedimento que está sendo prescrito para o bem do seu bebê.

5) Até quanto tempo você espera na gestação, antes de indicar procedimentos por "passar da data"?
a) Eu espero até 40 semanas. Depois disso faço a cesárea. Nem tento a indução, porque é tempo perdido. Ou você prefere arriscar a vida do seu filho e viver com esse peso pro resto dos seus dias?
b) A gestação normal vai de 38 a 42 semanas. O que eu proponho é um cuidado mais intenso depois que passa de 41 semanas. Mas a princípio, enquanto o bebê e a placenta estiverem bem, eu não faço nada. Passadas 42 semanas, podemos começar a pensar em indução do parto.
c) Eu espero até 40 semanas. Depois disso interno para induzir com soro.
d) Eu espero até 41 semanas e depois interno para induzir com citotec.

6) Você tem o hábito de pedir permissão e informar tudo o que você acha necessário fazer durante a gestação e o parto?
a) Como assim, pedir permissão? Eu estudei 10 anos, trabalho há 15 anos com partos e sei o que estou fazendo. Se for pedir permissão para fazer tudo, vou passar o dia nessa lenga-lenga com minhas pacientes.
b) Só peço permissão quando acho que o procedimento vai doer.
c) Não faço nem um exame vaginal sem pedir permissão, pois o corpo é seu, o parto é seu. Meu dever é fazer o melhor, desde que você me permita e entenda o que está acontecendo.
d) Depende do dia, pois às vezes depois de 2 plantões seguidos, eu fico meio impaciente.

7) Qual é a sua taxa de cesáreas?
a) Não sei, não tenho contado ultimamente... Se é alto? Não considero alto, porque hoje em dia as mulheres só querem cesárea. A culpa não é minha. Elas já chegam com uma ideia pré-concebida.
b) Minha taxa de cesárea é baixa, cerca de 40-45%...
c) A taxa é de 20%.. De partos normais..
d) Minha taxa de cesárea está perto de 25%, o que ainda considero alta, mas estou tomando algumas providências para tentar baixar para os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde

8) Posso levar meu marido e uma acompanhante (doula) para o meu parto?
a) Por mim você pode levar qualquer pessoa que faça você se sentir segura e tranquila.
b) Porque? Você vai dar uma festinha no centro obstétrico? Quer ver seu marido desmaiando? Eu acho que um acompanhante já é muito.
c) Pode levar só o marido, mas só depois que ele fizer a preparação comigo, porque eu quero um aliado, não um inimigo me vigiando.
d) Não, eu acho que acompanhantes atrapalham, perturbam o ambiente, fazem muita pergunta, deixam a mulher insegura, ficam questionando o médico. Eu não atendo a família, eu atendo a gestante!

9) Você acha possível um parto normal depois de uma cesárea?
a) Você está louca? Quem andou falando uma bobagem dessas para você? Deixa disso, minha filha, isso é coisa de natureba inconsequente.
b) É possível, mas tem que usar fórceps para não ter um período expulsivo prolongado.
c) É possível se o trabalho de parto não passar de 4 horas.
d) É possível e é uma ótima opção, com grandes chances de dar certo.

10) Você acha que tendo uma gestação de baixo risco posso ter meu bebê em casa?
a) Sim, o local do parto deve ser escolhido por você e seu marido. Se essa for sua opção, devemos tomar algumas precauções, como ter um hospital relativamente perto para o caso de precisarmos de remoção. Mas geralmente não há necessidade.
b) Sim, mas eu não atendo partos domiciliares. Posso tentar te indicar um médico que faça.
c) Você enlouqueceu? Quer matar seu bebê? Quer se matar? Já pensou como é agradável sangrar até a morte com sua família te olhando sem ter o que fazer?
d) Sim, mas é muito arriscado. Muito mesmo. Você está com ideias muito românticas sobre o parto. Deveria fincar os pés no chão.

11) Devo fazer um curso de preparação para o parto?
a) É bom, não porque você não sabe o que é certo, mas o curso vai te dar dicas preciosas, vai te dar boas sugestões para um parto agradável, vai te dar dicas de amamentação. No mais, você vai entrar em contato com outras gestantes, o que pode ser uma experiência bastante enriquecedora.
b) Bobagem. Na hora eu te digo o que é certo ou errado. Eu estudei 10 anos, pratiquei mais 15 e te garanto que sei fazer um parto. É só você ficar deitada quietinha que tudo vai dar certo.
c) Faça apenas o curso do hospital, para saber onde é a entrada, como são as rotinas do hospital, como se comportar e o que esperar.
d) Tanto faz. Você também pode ler essas revistas para mãezinhas que tem todas as dicas que você precisa de enxoval, decoração, exames médicos e tal.

12) Quantos exames de ultrassom eu devo fazer ao longo da gestação?
a) O ideal é fazer em todas as consultas e por isso eu já tenho um aparelho aqui no consultório. A gente já vai vendo a carinha do bebê, como ele se mexe, todas as partes do corpo e tudo o mais.
b) Você deve fazer pelo menos 4 para ver se o crescimento do bebê está bom.
c) Eu recomendo fazer o menor número possível de exames, pois ainda não foi totalmente provado que o ultrassom é inócuo. Algumas pesquisas apontam para uma possível alteração no cérebro em bebês que passam por muitos exames na gestação. Só vou pedir esses exames se tivermos que confirmar algum diagnóstico.
d) O máximo que o seu plano de saúde permitir antes de vir aqui me atazanar a paciência.

Resultados - some os pontos:
1- a(2) / b(1) / c(2) / d(3)
2- a(1) / b(3) / c(2) / d(2)
3- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
4- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
5- a(1) / b(4) / c(2) / d(3)
6- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
7- a(1) / b(2) / c(1) / d(3)
8- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
9- a(1) / b(2) / c(2) / d(3)
10- a(3) / b(2) / c(1) / d(2)
11- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
12- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)

Se seu médico fez entre 12 e 20 pontos: Fuja, saia correndo, ligue dizendo que você não está grávida, era um engano, foi apenas má digestão. Você tem certeza que ele tem um diploma válido em território nacional? Ter um parto com esse médico e sair ilesa é tão garantido quanto acertar na Megasena sem ter comprado um bilhete.

Se seu médico fez entre 21 e 30 pontos: É melhor você trocar de médico e procurar alguém mais antenado com as novas tendências em atendimento obstétrico. Seu médico pode até ser bem-intencionado, mas definitivamente é mal informado. Pode ser que dê um bom ginecologista, mas como parteiro deixa muito a desejar!

Se seu médico fez entre 31 e 37 pontos: O cara é fera, conhece e aplica as recomendações da Organização da Saúde e as evidências científicas. Aparentemente evita procedimentos médicos que podem atrapalhar o trabalho de parto. É respeitoso e honesto. Parece um cara do bem, um bom partido. Me arruma o telefone dele?

*O vídeo viralizado com o parto da adolescente de 16 anos não será linkado pelo taofe para para preservar a imagem da adolescente, menor de idade, e de seu filho, recém-nascido.

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Redação taofeminino
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