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Maternidade

Infertilidade secundária: você está passando por isso?

por Luciana Console Publicado em 5 de julho de 2016

Mulheres que desejam ter mais um filho podem se deparar com a infertilidade na segunda gestação. Saiba mais sobre o assunto

Todo mundo tem um ideal de família perfeita e esse modelo varia bastante (ainda bem, viva a diversidade!). Alguns deles incluem uma família grande com vários filhos. A construção desse desejo pode até começar bem, com uma primeira gestação sem problemas. No entanto, muitas vezes, a continuação não é como o esperado. A dificuldade de conceber o segundo filho pode ser inesperadamente difícil, mesmo que na gravidez anterior tudo tenha ocorrido bem.

O que é infertilidade secundária?

De acordo com Selmo Geber, médico especialista em fertilização in vitro, “Define-se infertilidade a ausência de gestação após um ano de relações sexuais, sem uso de métodos contraceptivos. Se não houve gravidez anterior, é chamada de primária; quando já ocorreu, é chamada de secundária“. Apesar de não haver uma estimativa oficial, os profissionais especialistas em reprodução humana concordam que cerca de 15% dos casos de infertilidade no Brasil são classificados como infertilidade secundária.

Quais são as causas da infertilidade secundária?

Para os casais que já tiveram dificuldade na concepção do primeiro filho, tentar um segundo bebê traz outras expectativas e esses casais provavelmente sabem que não será fácil. Mas se correu tudo bem na primeira gravidez, pode ser um choque quando os meses passam e a confirmação não chega. A infertilidade secundária não tem uma razão especifica, porém há algumas causas potenciais, segundo Geber.

- Obstrução tubária: é quando há obstrução nas trompas de falópio (local em que ocorre o encontro do óvulo com o espermatozoide), pode ser ocasionada por alguma infecção ou cirurgia;

- Fator uterino: miomas que ocasionalmente aparecem depois da primeira gravidez; endometriose;

- Alteração hormonal: hipotireoidismo, por exemplo;

- Fator masculino: baixa produção, ausência ou pequena mobilidade dos espermatozoides e formato inadequado do gameta – que inviabiliza a perfuração da camada externa do óvulo;

- Anovulação crônica – a Síndrome dos Ovários Policísticos: trata-se de uma das principais causas da infertilidade feminina e é identificada em aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva. A ovulação não ocorre na maioria dos meses e os ciclos menstruais são totalmente irregulares, podendo variar de 15 até 120 dias de intervalo – não impede que a mulher engravide, mas é responsável pela redução das chances.​

Como proceder?

Esperar muitos meses para engravidar enquanto você está desesperada para ter mais um filho é difícil, mas seu médico não tomará medidas mais complexas precocemente. É normal demorar para acontecer nas primeiras tentativas. “O ideal é procurar investigar com profundidade depois de um ano tentando sem sucesso. Porém, se a mulher tem 35 anos ou mais, a espera é de seis meses, pois acima dessa idade a curva de fertilidade começa a cair e piora a partir dos 40”, explica Agnaldo Viana, ginecologista obstetra.

Os tratamentos

É preciso fazer o diagnóstico do casal para definir o tipo de tratamento. “O processo é igual ao da infertilidade primária: se investiga esperma, útero, trompas, hormônios e se há endometriose na mulher ”, segundo Agnaldo. Os tratamentos são divididos primeiramente em dois tipos: o de baixa e o de alta complexidade. Nos do primeiro tipo, as indicações são coito programado, isto é, controla-se a relação sexual – os ovários são estimulados com medicação durante cerca de 10 dias para que o casal mantenha relação sexual no período identificado como o mais fértil. Outro tratamento dessa etapa é a inseminação artificial, na qual o esperma é colocado dentro do útero. Em ambas as situações, as injeções dos medicamentos são diárias ou a cada dois dias. O tratamento de alta complexidade é a fertilização in vitro, em que a fecundação é feita em laboratório por profissionais da área. Após o procedimento, o zigoto (óvulo já unido com espermatozoide) é colocado dentro do útero.

Custo de tratamento de reprodução humana

Segundo Alessandra Kostolias, médica especialista em reprodução humana, alguns centros universitários no Brasil oferecem gratuitamente os tratamentos de baixa complexidade. Já a fertilização in vitro gratuita é encontrada majoritariamente em São Paulo - e tem vagas extremamente limitadas. Por conta do difícil acesso ao tratamento público e suas restrições, muitos casais procuram clínicas privadas.

As técnicas de reprodução humana dependem de alta tecnologia, material humano especializado e medicamentos específicos, o que encarece o tratamento. “Os valores são aproximados, já que existem variáveis que são individualizadas, como doses de remédio e outras técnicas que necessitem ser utilizadas ”, explica Alessandra. “Os de baixa complexidade variam de R$ 1.400,00 a R$ R$ 4.000,00 e o de alta complexidade gira em torno de R$ 20.000,00”.

A questão emocional

Thayse de Cassia Xavier da Silva (RS), 30, relata sua tristeza em não ter conseguido a segunda gestação de primeira: “Engravidei do meu primeiro filho há oito anos, no primeiro casamento. E já estava com quase três meses quando descobri. Foi uma surpresa, pois tomava pílula, só que fazia tratamento com antibióticos na época e não sabia que cortavam o efeito do anticoncepcional. Quando o meu filho fez dois anos e meio, eu me separei do meu marido. Casei de novo e depois de quatro meses de tentativa, consegui engravidar, mas perdi com dois meses. Foi como se tivessem tirado um pedaço de mim. Sofri muito e acho que isso acabou interferindo no meu relacionamento, pois nos separamos depois. Estou no meu terceiro casamento, tentamos um bebê desde agosto de 2015, quando parei de tomar o anticoncepcional. Fiquei obcecada pela ideia de ser mãe de novo e fazia testes de gravidez quase toda semana até finalmente dar positivo, em março. Porém, com seis semanas, tive outro aborto espontâneo. Sofri novamente, mas me contive. Meu médico disse que era normal e que se em um ano eu não conseguir engravidar novamente nós vamos partir para uma investigação aprofundada. Agora eu estou mais tranquila, continuo não tomando pílula e na tentativa do meu segundo filho”.

De acordo com Alessandra, lidar com a infertilidade secundária pode ser tão difícil quanto com a primária. Muitos casais chegam fragilizados após tentarem engravidar há muito tempo sem sucesso. “É uma questão que pode afetar o relacionamento. Existem muitas dúvidas e medos em relação ao processo e uma angústia pelo fato de não podermos dar uma garantia de que o procedimento vá dar certo. Há também o sentimento de culpa dos cônjuges, quando se consegue determinar que a causa da infertilidade é de um dos dois”, explica.

Não desista, em primeiro lugar. Não conseguir gerar um segundo bebê com seu companheiro (a) não precisa ser uma experiência marcada por culpa. Geralmente os serviços de auxílio em reprodução humana oferecem apoio psicológico e é imprescindível que o profissional tenha sensibilidade para orientar o casal. Após anos tentando engravidar, o insucesso e os abortos espontâneos podem gerar frustação - e as cobranças começam a ganhar mais espaço. Por isso dê espaço para a compreensão, para a paciência e para a união. É preciso aprender a não se culpar, pois cada caso é um caso e com as tecnologias em reprodução humana atual há mais possibilidades e chances de se conseguir aumentar a família – quem sabe para dois, três, quatro filhos.

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por Luciana Console

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