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"Meu corpo rejeitou dois rins transplantados, mas venci a doença de ​Berger"

por Karen Carneti Publicado em 10 de março de 2016
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Mesmo correndo risco de vida, Claudia não desistiu e enfrentou sua doença de cabeça erguida

“Aos 14 anos, em 1990, eu descobri que tinha uma doença autoimune dos rins chamada Berger, que faz com que eles parem de funcionar. Tive que fazer uma hemodiálise de urgência, já que minha creatinina – impureza nos rins – estava no nível 17, enquanto o normal é de 0 a 1. Depois de um ano fazendo esse tratamento, meu pai foi meu doador. Fiz o transplante de rim e fiquei 10 anos com ele, viajando o mundo inteiro. Até trabalhei no exterior, e, voltando ao Brasil, acabei tendo uma rejeição ao rim transplantado. Fiquei chocada e pensei 'Não, isso não está acontecendo'.

Voltei, então, para a hemodiálise. Nessa época, minha tia Rosa, irmã do meu pai, ficou muito interessada e tocada pela minha história de vida. Todos sabem o quanto eu amo a vida, o quanto eu sou positiva, então as pessoas se sensibilizam com isso porque querem doar vida para quem aprecia tanto viver. Assim sendo, minha tia falou: 'Claudinha, eu estou vendo sua história de superação, a sua história de luta, e quero doar meu rim para você'. E acabou sendo ela a segunda doadora. Eu fiz o transplante com ela e o rim dela me deu grandes realizações, sendo uma delas meu filho.

Apesar de muitos médicos falarem que seria muito difícil eu engravidar, quase impossível. Tive um aborto espontâneo aos cinco meses de gravidez, com sangramento intenso. Acordei na madrugada, fui ao banheiro e estava sangrando muito. Chegando ao hospital, as pessoas ficaram assustadas vendo tanto sangue. Quando os médicos me examinaram, perceberam que eu já havia perdido o bebê, e tive que passar por todo o processo da curetagem. À época, meu médico falou: 'Calma Claudia, não fica assim, tenta de novo'. E, depois de quatro meses de tentativa, veio o Diego, meu filho que tem hoje oito anos e é meu milagre. A minha gravidez tinha risco tanto para o bebê, de nascer prematuro, quanto para mim, de complicar a função renal. Tive que fazer repouso total na gravidez, desde o começo. No terceiro mês, quase quarto, comecei a sangrar de novo. Pensei que teria outro aborto, mas os médicos estavam empenhados em conseguir 'segurar o bebê'. Eles me internaram e fiquei um mês no soro, tentando fazer com que meu filho sobrevivesse. Ele nasceu prematuro, de sete meses, mas, graças a Deus, está aí muito bem de saúde, firme e forte.

Quando o Diego tinha de quatro para cinco anos e eu estava com 37, comecei a sentir os sintomas da doença novamente – como enjoos, fraqueza e indisposição. Fiz os exames e novamente meu corpo estava rejeitando o rim transplantado, depois de 12 anos. Comecei a fazer hemodiálise de novo, mas, desta vez, nenhum familiar meu era compatível para poder realizar o transplante. Fui, então, pesquisar sobre a fila de doação. Quando estava quase entrando na fila, uma amiga, Hethel, topou fazer os exames para ver se era compatível – e de fato ela era, mesmo não sendo da minha família. Hoje, carrego meus dois rins – que estão atrofiados – e os órgãos transplantados da minha tia e da minha amiga. Os médicos removeram apenas o rim doado pelo meu pai.

Eu sou muito abençoada, porque, se eu estou viva hoje, não é só graças à minha força interna, mas principalmente à minha família – que sempre esteve ao meu lado – e aos doadores. É muito importante, e algo sobre o qual eu falo bastante, que a doação de órgãos aconteça em vida também. Se não fossem meus três doadores, eu já não estaria mais aqui. E eles são extremamente saudáveis atualmente, então a gente tem que desmistificar essa crença de que doar órgão é só para depois da morte. Você pode doar em vida também.

Meu recado para as pessoas que passam pelo mesmo problema – ou por qualquer problema de saúde – é: tudo acontece de dentro para fora. Em primeiro lugar, precisamos olhar para nós mesmos e nos autoconhecer. O que a gente realmente quer nessa vida? E aí, quando você se conhece, descobre sua força interna, que eu chamo de 'pílulas de positividade'. E o que são essas pílulas? São a pílula do amor, a da gratidão, a da resiliência, a da coragem. Coisas que precisamos praticar todos os dias.

​Não adianta você chegar a uma adversidade, uma dificuldade, e ir para o altar rezar. Você tem que praticar todos os dias a gratidão, a fé, a paciência, a coragem...é um exercício, entende? Não adianta fazer as coisas só na hora do aperto, tem que ser um exercício diário. Quando a gente se exercita diariamente, fica preparada para tudo o que essa escola que é a vida traz para a gente.”

Claudia80x80 Claudia Eberle tem 40 anos e é publicitária especializada em marketing. Mãe do Diego, de 8 anos, é também autora do livro "Três Vidas: uma história de superação e pílulas de positividade" e acredita que sua missão de vida é inspirar as pessoas. Largou a carreira por conta disso e atualmente dá palestras motivacionais pelo mundo.

Este texto foi escrito por @karencarneti e editado por @cicaarra

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