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Jovens empreendedoras: CEO's antes dos 30

Fernanda Guimarães
por Fernanda Guimarães Publicado em 20 de fevereiro de 2014
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Em dez anos o número de mulheres empreendedoras no Brasil cresceu 80%. Desse número, quase metade são jovens entre 18 e 39 anos. Conversamos com algumas delas que decidiram abrir o próprio negócio no início da carreira.

Raíssa de Mello tinha tudo para uma brilhante carreira como advogada. Seguindo os passos dos pais, Raíssa cursou Direito na PUC-SP, trabalhou em um dos melhores escritórios de advocacia do Brasil e concluiu pós-graduação em finanças pela FIA. O rumo profissional de Raíssa mudou quando ela decidiu por uma mochila nas costas e rodar o mundo, aos 25 anos. Um ano depois, ela voltou ao Brasil e largou definitivamente a carreira no Direito com um objetivo: abrir o próprio negócio.

Hoje com 28 anos, Raíssa toca o Cheers Nail Club, espaço dedicado especialmente ao tratamento de unhas e mãos. Com mais de 600 esmaltes disponíveis entre marcas nacionais e internacionais, a ideia do Cheers é fazer da manicure semanal um happy hour feminino: girl tallk, esmaltes, drinks e comidinhas, serviços ainda pouco explorados no ramo.

Raíssa faz parte da grande parcela de novas empreendedoras que abrem o próprio negócio antes dos 30 anos. Empreender no início da carreira e com pouca experiência no mercado já não é mais motivo para timidez. O sucesso de muitos negócios fundados por jovens (ou quase adolescentes) é a prova de que dar um F5 no mercado sem os vícios e cartilha encaixotante de cada métier pode dar muito certo -- e um retorno muito mais gratificante que o financeiro.

Renata Mesquita, Marina Thomasi e Vanessa Braga, que na época ainda eram estudantes universitárias, levaram a ideia de uma fast-fashion que produzisse peças de qualidade com preço bacana como uma brincadeira. "Eu mesma nunca sonhei em ter um negócio próprio, me imaginava trabalhando em alguma grande empresa! Mas [a ideia] deu tão certo no começo que o que era uma diversão acabou virando o nosso trabalho. Por isso mesmo, não fizemos um projeto de negócios antes de lançar.", revela Renata. Hoje, cada uma das sócias se ocupa de uma área de um e-commerce de moda.

"A en.Haut foi se criando a medida que o tempo foi passando e nós nos dedicando mais a marca. Não foi nenhum pouco planejada no início (..) Não tínhamos dinheiro para montar uma loja física. Mas aos poucos essa ideia foi evoluindo para um e-commerce, que é o que temos hoje! Não começamos com o blog, mas sim com um site bem simples que eu mesma montei e que funcionava como um catálogo. Recebíamos os pedidos por email e o pagamento era feito por transferência/ depósito. Ficamos assim por alguns meses e conquistamos uma pequena clientela de amigos, amigos de amigos e conhecidos. Deu super certo!", conta Renata.

Sem colo

A coragem do empreendedorismo jovem vem muito de um conforto quanto ao tempo e justamente, dos poucos anos de carreira. Largar uma trajetória profissional consolidada para inaugurar um voô solo com o próprio negócio pode ser mais arriscado. Mas isso não significa que quem empreende ainda jovem não sente um frio na barriga: "Nós todas tivemos que largar os estágios. Essa foi a primeira vez que tive algum medo. Medo de largar um lugar onde eu já tinha garantia que ia ser efetivada e ter um emprego estável para me aventurar em abrir uma empresa do zero tendo pouco conhecimento de mercado.", contou Renata sobre dar o salto para deixar a carreira em publicidade para trás.

Para Raíssa o processo também não foi simples: "Sempre é difícil largar algo que você pensava que faria para sempre. Acho que a maior dificuldade é admitir para si mesma, apesar das expectativas externas, que outra coisa pode te fazer mais feliz.", ensina.

A preocupação sobre a quase inexistente experiência no mercado passa pela cabeça de qualquer um que decide empreender num negócio distante da área. "As vezes sinto falta de um "colo" de um chefe para me ensinar as coisas", conta a sócia do en.Haut. Mas o que não falta é energia e vontade de aprender. Observar o mercado e pedir auxílio a quem sabe mais sobre o assunto pode ser uma maneira de contornar a pouca vivência. "Aqui aprendemos fazendo. Na raça. Já erramos e vamos aprendendo com cada erro. Estamos sempre conversando com várias pessoas da área e colocando em prática para ver no que que dá."

Para Raíssa, a maior dificuldade fica em ser a cabeça da empresa e dividir o tempo entre dezenas de preocupações. "Quando o negócio é seu você cuida de tudo, fica de olhos abertos desde a limpeza até a parte financeira, passando pela prestação do serviço, compras, novas ideias, administração do dia-a-dia".

Aula de empreendedorismo

Apesar de jovens, as duas dão uma aula em empreendedorismo e maturidade na hora de investir e lançar uma nova ideia no mercado. A dica principal é unânime: ame e acredite no que quer fazer, mas sempre com cautela e encarando tudo de forma realista. "Não acredito nessa coisa de 'minha primeira start up'. Para mim você precisa querer de verdade para que a coisa dê certo.", afirma Renata.

Não a toa que as mulheres são quem mais se joga no mercado hoje, tocando as próprias empresas. A flexibilidade de tempo para se dividir entre trabalho, casa e filhos é maior e as chances de chegar ao escritório sorrindo são bem reais. "Assim uma mulher pode cuidar da casa e dos filhos e ter um pequeno negócio. Diferentemente, daquelas executivas extremamente ocupadas que só conseguem ter tempo na vida para isso.", revela Renata Mesquita. Além disso, ser a cabeça de um negócio é também uma forma de as mulheres mostrarem seu potencial e estabelecerem melhor a credibilidade feminina no mercado, que infelizmente ainda engatinha.

E parece que o empreendedorismo entre as mulheres tem tudo para virar moda e inspirar outras histórias de sucesso. A prova está na casa de Renata, que contou que a mãe também gostou da ideia de tocar algo próprio: "Minha mãe mesmo está abrindo uma empresa de doces, chama La Mousserie. Ela nunca trabalhou na vida, era dona de casa e gostava de cozinhar. Agora ela está encontrando o seu espaço no mundo e eu fico feliz por ela!"

Bolso cheio?

Dinheiro é bom e todo mundo gosta. Tanto que a pergunta número um que se responde num plano de negócios é a relação entre o investimento inicial e o tempo para que a empresa gere bons rendimentos para os donos.Mas parece que enquanto a preocupação com o caixa é maior entre os homens, as mulheres pensam em seus negócios de forma mais maternal, e a satisfação pessoal pesa tanto quanto os sifrões.
"Para mim a maior vantagem de se ter um negócio próprio, pode parecer clichê, mas é trabalhar com aquilo que te faz feliz. É uma felicidade diferente, sabe? É uma realização pessoal muito grande. Você trabalha com mais vontade e sorri ou chora junto com o andamento da empresa.", confessa Renata. E parece que a coisa também vicia, e muito: "Hoje o que mais impacta minha vida pessoal é o fato de eu ficar 24 horas por dia ligada. Meu namorado e minha mãe vivem brigando comigo porque eu estou no celular o tempo todo. E grande parte das vezes eu não estou nem aí que eu tenho que trabalhar. Faço porque gosto e porque me preocupo. Enfim, faz parte e nem sempre os outros vão entender!"

E aí, se inspirou? Você é dona do próprio negócio ou tem muita vontade de começar um? Conte sua experiência para nós nos comentários e lá no Twitter!

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