Fraude de consultores da Natura em Minas: você pagou menos por cosméticos 60% abaixo do preço?

Fraude de consultores da Natura em Minas: você pagou menos por cosméticos 60% abaixo do preço?

Uma investigação sacode o mercado de beleza e expõe brechas digitais que podem afetar compradores e consultores em todo o estado.

A Polícia Civil de Minas Gerais fez buscas em três cidades e recolheu um grande volume de cosméticos. O caso envolve consultores ligados à Natura e aponta o uso de falhas de sistema para gerar descontos artificiais e revender produtos com grande margem. A fabricante afirma colaborar com as autoridades.

O que aconteceu

Agentes da Polícia Civil de Minas Gerais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Contagem e Betim, na Operação Espelho de Vênus. Os investigadores recolheram milhares de itens e estimam o valor das apreensões em cerca de R$ 6 milhões. A ação mobilizou 25 policiais e contou com apoio do sistema antifraudes da empresa de cosméticos.

O alvo é um grupo de consultores suspeito de manipular o sistema de benefícios da marca. As diligências seguem sob a Divisão Especializada na Investigação de Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor, que tenta mapear toda a cadeia de revenda e o prejuízo total.

Nove mandados em três cidades e R$ 6 milhões em produtos retidos colocam pressão sobre o comércio paralelo.

Como o golpe tirava vantagem

As apurações indicam que os suspeitos descobriram uma brecha na lógica de brindes e créditos do site. O mecanismo foi explorado repetidamente para acumular vantagens financeiras que não estavam previstas nas regras do programa.

Passo a passo usado pelos investigados

  • Simulações de compra esvaziavam o estoque de um brinde específico.
  • Com o brinde indisponível, o sistema liberava crédito em dinheiro como compensação.
  • Compras combinadas ajudavam a zerar brindes e a multiplicar créditos em sequência.
  • Os consultores usavam o crédito para abater o preço final e ampliar a margem.
  • Os produtos seguiam para revenda em marketplaces e lojas físicas com preços agressivos.

Itens apareceram com valores entre 50% e 60% abaixo do praticado por consultoras regulares, distorcendo a competição.

Investigadores apontam que parte do grupo atua há mais de duas décadas no mercado e passou a recrutar familiares e conhecidos, ampliando a rede de compras e de revenda. A polícia também apura se funcionários da companhia participaram do esquema, facilitando acessos ou sinalizações internas.

Quem está na mira e quais crimes são analisados

Ao menos 12 pessoas respondem a investigação por fraude eletrônica, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. A unidade especializada avalia mensagens, notas de compra, registros de plataforma e movimentações bancárias. O objetivo é rastrear fluxos financeiros, quantificar o dano e definir a responsabilidade de cada participante.

Fato Número ou detalhe
Mandados cumpridos 9
Cidades Belo Horizonte, Contagem e Betim
Investigados 12 pessoas
Produtos apreendidos Estimados em R$ 6 milhões
Efetivo 25 policiais
Crimes em análise Fraude eletrônica, associação criminosa, lavagem e crimes contra a economia popular

O que diz a Natura

A empresa afirma que coopera com as autoridades e reforça compromisso com ética, respeito e integridade nas relações comerciais. A operação utilizou informações do sistema antifraudes da fabricante para subsidiar as buscas. A marca não detalhou mudanças imediatas nas regras do programa de brindes e créditos, mas monitora compras e padrões de revenda para bloquear novas irregularidades.

Impacto para consumidores e consultoras

Preços muito abaixo do mercado atraem, mas podem esconder problemas. Produtos obtidos por meio de fraude podem circular sem nota fiscal idônea, dificultando trocas, garantia e assistência. A queda artificial de preços força consultoras regulares a reduzir margens, gerando desequilíbrio na rede e perda de renda para quem segue as regras.

Para o consumidor, o risco vai além do bolso. A origem do item pode ficar opaca, e a assistência técnica pode ser negada se não houver comprovação de procedência. Na outra ponta, consultoras honestas relatam queda de competitividade quando tentam seguir tabelas e políticas comerciais autorizadas.

Preço baixo demais é sinal de alerta: economia hoje pode virar dor de cabeça com troca, garantia e procedência amanhã.

Como reconhecer ofertas suspeitas

  • Divergência grande de preço: corte de 50% a 60% em itens recém-lançados indica risco.
  • Ausência de nota fiscal: exija o documento para garantir direitos previstos no CDC.
  • Origem do vendedor: prefira canais oficiais ou consultoras credenciadas com identificação clara.
  • Histórico de avaliações: verifique comentários, datas e consistência das vendas.
  • Condições de entrega e devolução: políticas vagas ou complexas costumam esconder problemas.

Como marcas e plataformas podem fechar brechas

Programas de brinde e cashback exigem travas que impeçam combinações oportunistas. Medidas de mitigação reduzem a exploração de falhas e aumentam a rastreabilidade de compras suspeitas.

  • Controle de estoque de brindes com fila por usuário e cotas por CPF e IP.
  • Conversão limitada de brindes em crédito, com teto diário e semanal.
  • Detecção de anomalias: alertas para picos de uso de créditos e compras coordenadas.
  • Verificação reforçada de identidade e auditoria periódica em clusters de consultores.
  • Logs imutáveis de concessão de benefícios e trilhas de decisão auditáveis.
  • Testes de estresse em promoções para identificar loops de compensação não previstos.

Próximos passos da investigação

A Polícia Civil analisa documentos apreendidos e transações para delimitar o círculo de beneficiados. Peritos avaliam sistemas, regras de brinde e registros de crédito para apontar a origem da brecha e como ela se manteve ativa. Caso surjam indícios de participação interna, novas diligências podem atingir colaboradores e terceiros com acesso privilegiado.

Os investigadores devem solicitar quebras de sigilo financeiro e fiscal, além de cruzar dados de marketplaces para identificar lojas que absorveram a mercadoria com desconto indevido. O cálculo do prejuízo considera não apenas o valor apreendido, mas também a perda de competitividade e a erosão de preço no canal oficial.

Informações úteis para quem compra e vende

Quem compra por canais alternativos deve guardar nota fiscal, conversas e comprovantes de pagamento. Esses registros ajudam a validar a origem e servem como prova caso haja problema. Já consultoras regulares podem registrar concorrência predatória com capturas de tela, data, hora e link do anúncio para reportar ao suporte da marca e às autoridades.

Programas de fidelidade operam com regras específicas. Simulações e cancelamentos em massa podem acionar filtros e gerar bloqueios de conta. Em operações legítimas, o benefício deve seguir limites definidos e não pode nascer de uma compensação recorrente provocada de propósito. A diferença entre estratégia de compra e fraude costuma aparecer na intenção, na repetição coordenada e no ganho desproporcional frente às regras.

2 thoughts on “Fraude de consultores da Natura em Minas: você pagou menos por cosméticos 60% abaixo do preço?”

  1. Isabelleprincesse7

    Alguém aqui comprou Natura 60% mais barato e teve negada a garantia? Quero saber se isso realmente acontece.

  2. eliseéternel

    Como a Natura deixou essa brecha no programa de brindes por tanto tempo? Ha falha de controle interno, auditoria cadê?

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