Movimentações suspeitas, contratos com organizações sociais e nomes conhecidos do poder local colocam a população em alerta.
A Polícia Federal deflagrou nova etapa de apurações em Sorocaba (SP) sobre contratos da saúde. O prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) saiu do cargo por decisão judicial por 180 dias. Agentes prenderam o empresário Marco Silva Mott e o pastor Josivaldo Batista de Souza, enquanto buscam vínculos de recursos com empresas e uma igreja ligada a familiares da primeira-dama.
O que está em jogo
Os investigadores rastreiam um possível esquema de desvio de verbas públicas em contratos firmados por organização social que administra serviços de saúde. O foco recai sobre pagamentos cruzados, uso de boletos para dificultar a trilha do dinheiro e patrimônio incompatível com rendimentos formais.
Decisão judicial determinou o afastamento do prefeito por 180 dias e bloqueou cerca de R$ 6,5 milhões em bens de investigados.
Esta fase aproveita provas da operação Copia e Cola, deflagrada em abril. Com novos dados bancários e fiscais, a PF sustenta que ampliou o rol de pessoas físicas e jurídicas sob suspeita. A quebra de sigilo de uma empresa ligada à primeira-dama, Sirlange Frate Maganhato, revelou transferências que chamaram a atenção dos analistas.
Prisão de aliados e caminho do dinheiro
Os policiais prenderam o empresário Marco Silva Mott, apontado como articulador de contratos e de lavagem de valores por meio de negócios com a prefeitura. O pastor Josivaldo Batista de Souza também foi detido. Ele é casado com a irmã da primeira-dama e divide com a esposa a gestão da igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, com duas unidades na capital paulista.
Relatórios internos indicam que a empresa da primeira-dama recebeu R$ 750 mil da igreja em dois anos. O padrão da movimentação inclui pagamentos por boletos, o que reduz a transparência imediata de origem e destino. A PF diz buscar a finalidade efetiva desses repasses e a compatibilidade com serviços prestados.
Os investigadores descrevem um padrão de pagamentos por boletos que pode mascarar a origem dos recursos e dificultar a fiscalização.
Mandados, apreensões e cidades alvo
Agentes cumpriram sete mandados de busca e dois de prisão preventiva em Sorocaba, Araçoiaba da Serra, Piedade, Itu e São Paulo. Os alvos incluem endereços residenciais e comerciais, com apreensão de dinheiro vivo, anotações, relógios, armas e veículos de alto valor.
Desde o início da ofensiva, a PF recolheu R$ 1.760.157 em diferentes endereços. Segundo a corporação, a meta é mapear rotas de lavagem, identificar intermediários e travar o escoamento de possíveis valores desviados.
| Dado | Número |
|---|---|
| Mandados de busca | 7 |
| Mandados de prisão | 2 preventivas |
| Sequestro de bens | R$ 6,5 milhões |
| Dinheiro apreendido desde abril | R$ 1.760.157 |
| Transferências citadas pela PF | R$ 750 mil (igreja → empresa) |
| Cidades com ações | Sorocaba, Araçoiaba da Serra, Piedade, Itu e São Paulo |
Afastamento do prefeito e efeito político
Com o afastamento de Rodrigo Manga, a administração municipal passa por reacomodação. Na Câmara, vereadores de oposição avaliam abrir uma CPI. A leitura de parte do Legislativo é que a saída temporária do prefeito reduz o impacto de pressões e facilita o acesso a documentos de contratos e aditivos na saúde.
O presidente da Casa, Luís Santos (Republicanos), reconhece o contexto de crise e afirma que decisões sobre CPI seguem na esfera jurídica e na articulação de votos. A base governista ainda tenta medir o desgaste público diante das prisões e das medidas patrimoniais impostas pela Justiça.
Quem mais está na mira
Além do ex-secretário de Saúde Vinicius Rodrigues, as diligências alcançam o ex-secretário de Governo e Administração Fausto Bossolo, que deixou o cargo em 2022. A PF busca entender como decisões administrativas favoreceram contratações específicas, a execução de metas e o fluxo de pagamentos.
O que dizem as defesas
A defesa de Marco Silva Mott afirma que a prisão se baseia em suposições e promete esclarecer equívocos no tribunal, ressaltando que o empresário já prestou informações às autoridades. Os advogados de Josivaldo Batista de Souza argumentam que os fatos citados remontam a mais de dois anos e não justificam a prisão, esperando revertê-la.
Advogados de Rodrigo Manga, do escritório Bialski Advogados Associados, sustentam que a investigação começou de forma irregular, em delegacia sem competência, e atribuem o caso a perseguição política. A equipe diz ver “ilações” e questiona a contemporaneidade dos fatos, enquanto afirma que tomará medidas para derrubar o afastamento.
Crimes sob apuração
Se confirmadas as suspeitas, os envolvidos podem responder por delitos associados à administração pública e ao sistema financeiro. Veja os principais:
- Corrupção ativa e passiva
- Peculato
- Fraude em licitação
- Lavagem de dinheiro
- Contratação direta ilegal
- Organização criminosa
Como funcionam contratos de saúde com OS
Prefeituras contratam organizações sociais para gerir unidades, comprar insumos e contratar pessoal. O modelo promete agilidade. O risco aparece quando o contrato vira “guarda-chuva” para aditivos sem competição, metas pouco mensuráveis e prestação de contas genérica. Sem auditoria independente e fiscalização em tempo real, brechas surgem em compras, serviços terceirizados e folha paralela.
Sinais de alerta para o cidadão
- Aditivos frequentes sem justificativa técnica clara.
- Pagamentos concentrados em poucas empresas.
- Serviços terceirizados com objetos vagos (“consultoria”, “apoio administrativo”).
- Uso reiterado de boletos e saques em espécie.
- Metas de desempenho que não batem com filas e indicadores locais.
O que acontece daqui para frente
A PF deve cruzar dados bancários, fiscais e contábeis com notas fiscais, empenhos e relatórios de execução. O Ministério Público e a Justiça podem ampliar bloqueios, autorizar novas quebras de sigilo e convocar servidores e gestores para depoimentos. A defesa dos investigados pode pedir revogação de prisões e do afastamento, anexando documentos e laudos de auditoria.
Se a Câmara instalar CPI, vereadores podem solicitar cópias integrais dos contratos, planilhas de metas e relatórios de auditoria das OS. A comissão pode propor convocações, pedidos de informações a órgãos de controle e encaminhar um relatório final com indiciamentos ao MP e ao Tribunal de Contas.
Exemplo prático de rastreio de lavagem
Os investigadores usam uma sequência típica: identificam repasse público a uma OS, verificam subcontratos e prestadores, isolam pagamentos que saem de uma empresa e chegam a entidades ou pessoas ligadas a agentes políticos, conferem lastro de serviços e a forma de pagamento. A presença de boletos, transferências fracionadas e saques sugere tentativa de ofuscar a autoria dos valores.
Para quem usa o SUS em Sorocaba, o caso não é abstrato. Quando verba desvia, faltam insumos, atrasam exames e o plantão fica frágil. Acompanhar audiências públicas, cobrar metas objetivas e exigir relatórios detalhados de execução ajuda a pressionar por transparência enquanto a investigação segue na Justiça.



Si la PF bloque R$ 6,5 mi et écarte le maire 180 jours, c’est qu’il y a de la braise sous la cendre. Qui audite ces OS et ces fameux “boletos” opaques ?