Você se lembra de Juliana, 18, que sumiu em Luziânia? 10 anos depois, a família suplica: onde está?

Você se lembra de Juliana, 18, que sumiu em Luziânia? 10 anos depois, a família suplica: onde está?

Um telefonema que cai na caixa postal, uma chave deixada às pressas e um carrinho vazio. A vizinhança ainda comenta baixinho.

Dez anos após o desaparecimento de Juliana Medeiros, então com 18 anos, a família mantém a busca viva e pede novas pistas. O caso começou em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, e atravessou aniversários, mudanças de telefone e suspeitas que nunca se confirmaram.

A última tarde antes do sumiço

Naquele dia de 2013, Juliana saiu de casa dizendo que iria a um curso. Antes de sair, combinou com a irmã, Karolayne, que deixaria o filho, um bebê de 1 ano e seis meses, sob os cuidados dela. Era uma rotina simples. E parecia segura.

Pouco depois, a irmã telefonou para tirar uma dúvida sobre a mamadeira. O celular não atendeu. Ela tentou de novo. Continuou mudo. O relógio avançou e a porta ficou aberta por mais tempo que o normal. O bebê chorou. A vizinhança percebeu a movimentação.

Ela saiu para um curso, deixou o filho com a irmã e não voltou. As primeiras horas viraram a noite.

O companheiro de Juliana estava no trabalho quando tudo aconteceu. Amigos começaram a enviar mensagens. Alguns percorreram ruas próximas. Nada apareceu. Ninguém a viu no trajeto de ida, nem no de volta.

Uma mensagem que levantou novas dúvidas

Algum tempo depois do sumiço, a família recebeu um SMS. O texto dizia que Juliana estava indo embora. Dizia também que queria retornar, mas não podia. Pedia, por fim, que cuidassem do filho. Informava onde havia deixado a chave da casa.

A mensagem trouxe um endereço para a chave e a súplica para que cuidassem do menino. E trouxe ainda mais perguntas.

A família insistiu em ligar para o número do SMS. O telefone não atendeu. Passaram-se semanas. Quando tentavam novamente, o chip já parecia ter outro dono. As ligações não avançavam. A memória guardou cada tentativa e o registro do que não foi dito.

O que se sabe e o que falta

  • Último contato direto: saída para um curso, em Luziânia.
  • Primeiras buscas: ligações, vizinhança, retorno ao percurso provável.
  • Comunicação posterior: SMS atribuído à própria Juliana.
  • Número do SMS: sem retorno nas tentativas seguintes.
  • Condição do filho: cuidado pela família desde então.

Linha do tempo do caso

Data Fato
2013 Juliana, 18 anos, sai de casa em Luziânia para um curso e desaparece.
Meses seguintes Família recebe SMS dizendo que ela iria embora e indicando a chave da casa.
2014–2024 Várias tentativas de contato com o número. Ligações sem resposta e aparente reutilização da linha.
2025 Família segue em busca de pistas e aguarda avanços formais na investigação.

O filho que cresceu esperando

A criança que ficou nos braços da tia cresceu cercada de cuidado. Perguntas apareceram junto com a escola e com as datas marcadas no calendário. A família escolheu contar a história sem rodeios. O menino sabe que a mãe saiu para estudar e não voltou. Ele convive com a esperança e com a rotina que a casa construiu para protegê-lo.

O núcleo familiar ajustou horários, trabalho e deslocamentos. A cada nova informação, reorganizou tudo de novo. A espera exige tempo, dinheiro e diálogo. A rede de amigos ajudou com caronas, com acolhimento e com divulgação de fotos em grupos de bairro.

O que as autoridades costumam fazer

Casos de desaparecimento seguem protocolos específicos. Delegacias acionam unidades especializadas e verificam registros de saúde, câmeras de segurança e eventuais movimentações bancárias. Em ocorrências com indício de violência, equipes ampliam buscas de campo e cruzam dados com bancos biométricos e de perfis genéticos.

Quando surgem mensagens atribuídas à pessoa desaparecida, peritos avaliam metadados, compatibilidade de escrita e geolocalização possível do aparelho. Operadoras podem fornecer informações mediante requisição policial. Cada novo elemento precisa entrar no inquérito, com cadeia de custódia preservada.

Como agir nas primeiras 48 horas

  • Registre o boletim de ocorrência imediatamente. Não há necessidade de esperar 24 horas.
  • Separe fotos recentes em boa qualidade e descreva sinais particulares, tatuagens e roupas usadas no dia.
  • Liste números de telefone, perfis de redes sociais e e-mails utilizados.
  • Avise amigos, vizinhos e colegas do trajeto provável. Verifique câmeras de comércios e residências.
  • Guarde celulares, computadores e anotações sem apagar nada. Entregue à polícia quando solicitado.
  • Mantenha um diário das tentativas de contato e dos relatos recebidos, com datas e horários.

Mensagem suspeita: como lidar

Nem toda mensagem que chega traz a verdade. Algumas confundem e atrasam as buscas. Quando receber SMS, e-mail ou texto em app com suposta autoria da pessoa desaparecida, fotografe a tela, anote o número e o horário, e registre no boletim. Evite confrontar o remetente. Acione a polícia, que pode requisitar dados técnicos e preservar as provas digitais.

Fraudes costumam pressionar pela urgência e pedir dinheiro. Desconfie de pedidos para depositar valores ou comprar créditos. Informe qualquer tentativa de extorsão e não compartilhe dados pessoais com desconhecidos.

O papel da comunidade

Vizinhos e comerciantes fazem diferença quando guardam imagens por mais tempo e se dispõem a entregá-las às autoridades. Grupos de bairro podem organizar mutirões responsáveis, que priorizam rotas seguras, horários de maior movimento e comunicação direta com a família. Escolas, postos de saúde e igrejas ajudam na atualização de cartazes e no acolhimento de crianças afetadas.

Perguntas que ainda precisam de resposta

Quem enviou o SMS que citava a chave? Que câmeras funcionavam no trajeto do curso naquela tarde? Houve registro de transporte por aplicativo, ônibus ou carona nas imediações? Esses pontos ajudam a refazer percursos, estimar janelas de tempo e testar hipóteses. A família segue aberta a receber relatos, inclusive anônimos, que indiquem locais, pessoas e eventos de 2013 que possam ter passado despercebidos.

Como ampliar as buscas hoje

  • Revisitar endereços e rotas com mapas atualizados e imagens de rua.
  • Solicitar, por via oficial, checagem de bases de saúde e assistência social em estados vizinhos.
  • Atualizar retratos com técnicas de progressão de idade, quando disponíveis.
  • Cruzar relatos antigos com mudanças de numeração de linhas telefônicas.

Uma década passou. A pergunta continua a mesma, cada vez mais coletiva: onde está Juliana?

Informações complementares úteis

Famílias que procuram alguém há muitos anos podem, com orientação policial, cadastrar material genético de parentes de primeiro grau em bancos oficiais. Esse cruzamento auxilia a identificação em situações de longa data. Guardar documentos, fotos e contatos de pessoas que conviveram com a desaparecida no período anterior ao sumiço facilita novas checagens.

Atualizar periodicamente as informações públicas evita boatos e preserva a imagem da pessoa desaparecida. Dê preferência a detalhes verificáveis: data, local, roupas, objetos levados, necessidades de saúde. Se receber um possível avistamento, anote o local exato, o horário e sinais corporais que sustentem o reconhecimento. Pequenas pistas podem destravar um caminho parado há anos.

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