Transporte escolar em risco: cinco ex-prefeitos são multados pelo TCE-PE; seu filho está seguro?

Transporte escolar em risco: cinco ex-prefeitos são multados pelo TCE-PE; seu filho está seguro?

Famílias dependem do ônibus escolar para garantir presença e aprendizado. A mesma rota que leva sonhos também revela falhas antigas.

Os serviços de transporte escolar voltaram ao centro do debate em Pernambuco, com cobranças mais rígidas por segurança e transparência. A decisão do TCE-PE impulsiona mudanças que atingem diretamente a rotina de alunos, motoristas e gestores municipais.

O que motivou as multas

O Tribunal de Contas de Pernambuco concluiu que cinco Termos de Ajuste de Gestão assinados em 2023 foram cumpridos de forma parcial por ex-prefeitos. Esses acordos fixavam obrigações para melhorar o transporte escolar, com foco em planejamento, controle e comunicação à sociedade. O descumprimento gerou multas individuais e novas exigências aos gestores atuais.

O TCE-PE apontou execução incompleta dos compromissos firmados em 2023 e determinou correções em até 90 dias.

Os processos tramitaram na Segunda Câmara do TCE-PE, com decisões aprovadas por maioria. O órgão informou que os ex-gestores podem recorrer e que as próximas auditorias vão verificar se as prefeituras regularizaram pontos técnicos e administrativos.

Quem são os ex-gestores punidos

As multas recaem sobre ex-prefeitos de cinco municípios que haviam assumido metas de qualificação do transporte escolar.

Município Ex-prefeito(a) Multa aplicada
Carpina Manoel Severino da Silva R$ 10.359
Parnamirim Ferdinando Lima de Carvalho R$ 8.127
Verdejante Haroldo da Silva Tavares R$ 10.186
Lagoa Grande Vilmar Cappellaro R$ 10.592
Frei Miguelinho Adriana Alves Barbosa R$ 10.283

Os ex-prefeitos foram multados por descumprimento parcial dos TAGs. As penalidades variam de R$ 8.127 a R$ 10.592.

Medidas obrigatórias para os atuais prefeitos

A Segunda Câmara determinou que as prefeituras executem ações previstas na Resolução TC nº 156/2021. As medidas atacam fragilidades comuns em rotas, frotas e contratos.

  • Regulamentar o serviço de transporte escolar junto ao Detran-PE e formalizar responsabilidades.
  • Implantar rastreamento veicular em toda a frota, própria ou terceirizada.
  • Adotar sistema eletrônico de gestão para rotas, horas rodadas, frequência de alunos e custos.
  • Publicar informações em seção específica no portal da transparência com dados atualizados.
  • Realizar vistorias semestrais de veículos e comprovar habilitação adequada dos condutores.

O prazo é de 90 dias para cumprir as exigências. O TCE-PE vai monitorar nas próximas auditorias.

Por que o transporte escolar exige controle rígido

O transporte escolar conecta a escola a áreas rurais e periferias, onde não há alternativas seguras. Falhas nessa rede ampliam a evasão, aumentam atrasos e expõem crianças e adolescentes a riscos. Gestões que ignoram manutenção, controle de rota e qualificação de motoristas criam riscos imediatos de acidentes e interrupções.

Riscos recorrentes nas rotas

Risco aparece quando o município usa veículos sem manutenção regular. Risco cresce quando condutores conduzem sem curso específico. Rota mal planejada aumenta tempo de deslocamento e horas ociosas. Contratos sem indicadores elevam custos e reduzem a qualidade do serviço.

O que diz a legislação

A Resolução TC nº 156/2021 detalha parâmetros de contratação e controle. O Código de Trânsito exige autorização específica para transporte escolar. A legislação de transparência obriga divulgação de contratos, rotas e vistorias. A lei de licitações determina critérios de eficiência e segurança em contratos terceirizados.

Impactos imediatos para alunos e famílias

O calendário escolar depende de frota regular e rota previsível. A ausência de inspeção abre brecha para paralisações por falhas mecânicas. Falta de transparência impede que pais identifiquem rota, placa e responsável. Sistemas eletrônicos reduzem faltas por erro de embarque e melhoram a comunicação. Rastreamento inibe desvios de rota e eleva a percepção de segurança.

Como os municípios podem cumprir em 90 dias

Prefeituras podem avançar com medidas de rápida execução. A compra de rastreadores pode ocorrer por ata de registro de preços. Sistemas de gestão podem ser contratados com módulos prontos e integração simples. Vistorias podem ser organizadas em mutirões com checklists padronizados. Regulamentação pode ser feita por decreto com base em normas federais e estaduais.

  • Mapear rotas e pontos de embarque com base na matrícula ativa e na geolocalização das escolas.
  • Publicar, no portal, frota, placas, condutores, laudos de vistoria e calendário de manutenção.
  • Treinar motoristas no curso especializado de transporte escolar e em direção defensiva.
  • Instalar monitoramento em tempo real, com painel de alertas para paradas indevidas e velocidade.
  • Definir indicadores: pontualidade, quilometragem por aluno transportado e custo por rota.

O que os TAGs representam para o cidadão

O Termo de Ajuste de Gestão funciona como um compromisso formal para corrigir falhas. O instrumento cria prazos, metas e pontos de verificação. O descumprimento gera sanções pessoais ao gestor e determina correções à estrutura administrativa. O foco recai em resultados mensuráveis, como frota vistoriada, sistema ativo e dados publicados.

TAG é um acordo com metas e prazos. Quando a gestão não entrega, o TCE-PE multa e exige correções.

Como pais e estudantes podem acompanhar

O controle social reduz falhas e pressiona por melhorias. Pais podem verificar se o veículo exibe autorização para transporte escolar. A comunidade escolar pode cobrar publicação das rotas e dos laudos. A escola pode registrar incidentes e encaminhar à secretaria municipal. Estudantes podem relatar problemas de segurança diretamente à direção.

  • Confirme se o cinto de segurança funciona e se há tacógrafo em operação.
  • Anote placa, horário e nome do condutor para reportar ocorrências.
  • Solicite ao município a lista de veículos habilitados e o calendário de vistorias.
  • Peça que a escola divulgue orientações de embarque e desembarque seguro.

Custos, riscos e caminhos de financiamento

Rastreamento, vistorias e sistemas digitais adicionam custo, mas reduzem desperdícios com rotas ociosas e manutenção emergencial. Municípios podem reorganizar contratos para incluir metas de desempenho. A frota pode ser mista, combinando veículos próprios e terceirizados, com auditorias periódicas. A secretaria de educação pode integrar dados de frequência escolar para ajustar itinerários.

O que muda daqui para frente

Com o prazo de 90 dias, prefeitos terão de mostrar resultados concretos e mensuráveis. O TCE-PE acompanhará a execução nas auditorias, com possibilidade de novas sanções. A população terá base para monitorar a transparência e a qualidade do serviço. Escolas poderão identificar gargalos com dados mais precisos de embarque e rota.

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