Areia limpa, mar monitorado e salva-vidas à vista já mudam qualquer viagem. No Brasil, esse padrão ganha força.
Na temporada 2025/2026, 60 destinos brasileiros, entre 50 praias e 10 marinas, hasteiam a Bandeira Azul. Santa Catarina puxa a lista, e as práticas de gestão costeira adotadas no país entram no radar da COP30, em Belém.
O que é a Bandeira Azul
A Bandeira Azul é uma certificação internacional de sustentabilidade e qualidade para praias, marinas e embarcações. O programa nasceu na França, nos anos 1980, e hoje reúne 51 países. No Brasil, a primeira certificação saiu em 2009, em Santa Catarina. De lá para cá, o mapa de destinos reconhecidos cresceu de forma consistente.
38 critérios precisam ficar em dia a cada temporada: água limpa e monitorada, gestão de resíduos, segurança e educação ambiental.
Como funciona a certificação
O selo não é vitalício. Gestores e comunidade local mantêm ações contínuas e documentadas. Auditorias verificam dados, infraestrutura e práticas. Um deslize recorrente pode derrubar a bandeira.
- Qualidade da água com monitoramento regular e divulgação pública;
- Segurança com guarda-vidas, sinalização e equipamentos de primeiros socorros;
- Acessibilidade e banheiros em condições de uso;
- Gestão de resíduos sem lixo na areia e pontos de coleta visíveis;
- Proteção de áreas naturais e fauna marinha;
- Atividades permanentes de educação ambiental para moradores e visitantes.
Onde estão os 60 destinos
Para 2025/2026, cinco estados concentram as certificações. Santa Catarina lidera, com 31 destinos, somando 26 praias e 5 marinas. O Rio de Janeiro aparece em segundo, com 19. Bahia, São Paulo e Alagoas completam o quadro.
| Estado | Total de destinos com Bandeira Azul |
|---|---|
| Alagoas | 1 |
| Bahia | 5 |
| São Paulo | 4 |
| Rio de Janeiro | 19 |
| Santa Catarina | 31 |
| Total | 60 |
Em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, a Praia Grande virou roteiro certo para famílias do Sul que buscam organização, limpeza e mar tranquilo. A escolha por destinos certificados cresce entre viajantes que valorizam segurança e conforto.
Água monitorada, salva-vidas na orla e gestão de resíduos reduzem riscos e elevam a experiência do banhista.
Por que isso afeta diretamente o banhista
Quem chega a uma praia com a Bandeira Azul encontra padrões claros. Não se trata só do cenário. A certificação empurra as prefeituras a manterem a qualidade do serviço, a treinar equipes e a investir em educação ambiental. Isso impacta a sua estadia, do chuveiro que funciona ao acesso inclusivo para pessoas com mobilidade reduzida.
O que você pode esperar na prática
- Postos de guarda-vidas operantes ao longo do dia;
- Informações sobre qualidade da água exibidas em painéis;
- Pontos de coleta seletiva e ausência de resíduos na faixa de areia;
- Regras de proteção à fauna, com sinalização em áreas sensíveis;
- Rampas, passarelas e banheiros acessíveis.
Impacto para cidades e negócios locais
A certificação costuma atrair um visitante que permanece mais tempo e gasta mais em serviços formais. Esse perfil ajuda a estabilizar a economia da costa, reduz sazonalidade extrema e pressiona por regularidade na coleta de lixo, no ordenamento de ambulantes e na fiscalização de embarcações.
Prefeituras que miram o selo criam comitês de gestão de praia, qualificam salva-vidas, passam a monitorar parâmetros de balneabilidade e implantam ações de educação em escolas e associações. Hotéis e quiosques entram na rotina com treinamentos e manejo correto de resíduos. Quando a cidade organiza a orla, o conjunto melhora: menos acidentes, menos desperdício, imagem valorizada.
Se os critérios caem, a bandeira desce. A manutenção pesa mais que a conquista.
COP30: vitrine para o litoral brasileiro
As experiências brasileiras com a certificação vão ganhar palco na COP30, em Belém. A pauta dos oceanos ganha centralidade por um motivo objetivo: mares e ecossistemas costeiros regulam o clima e protegem comunidades inteiras. O país soma mais de 10 mil quilômetros de costa e metade da população vive próxima ao litoral. O selo funciona como indutor de boas práticas, com metas verificáveis e resultados percebidos no dia a dia.
Como aproveitar melhor um destino com Bandeira Azul
Planeje os horários de banho conforme a sinalização de risco, respeite áreas de nado e evite avançar em costões. Use os pontos de coleta e leve sua garrafa reutilizável. Se você praticar mergulho ou stand up, procure operadores cadastrados e pergunte sobre regras locais para fauna marinha. Passeios de barco certificados tendem a adotar rotas e limites que evitam estresse aos animais.
Quem viaja com crianças encontra mais previsibilidade: chuveiros e banheiros em condições de uso, postos de primeiros socorros e rotas acessíveis. Pessoas idosas ou com mobilidade reduzida se beneficiam de passarelas e pisos temporários na areia.
Quer levar o selo para a sua cidade
Comunidades e gestores podem iniciar o processo com um diagnóstico de balneabilidade, um plano de resíduos e um comitê de governança. A seguir, vale priorizar infraestrutura crítica e protocolos de segurança. A temporada seguinte já pode trazer os primeiros resultados, desde que as equipes coletem e publiquem dados de forma transparente.
- Mapeie pontos de descarte irregular e corrija rotas de coleta;
- Capacite guarda-vidas e padronize sinalizações;
- Implemente ações educativas com escolas, surfistas e comerciantes;
- Crie um calendário de monitoramento da água e divulgue os relatórios;
- Formalize um manual de boas práticas para quiosques e operadores náuticos.
Alertas e vantagens para o visitante
A temporada pode alternar dias com bandeira hasteada e dias sem, caso algum critério não se sustente. Consulte a sinalização na chegada e siga as orientações dos guarda-vidas. Em contrapartida, destinos certificados tendem a reduzir imprevistos, oferecem banhos mais seguros e uma orla mais organizada para quem viaja em família.


