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Como promover o desfralde (gentil e consciente) do seu filho

by Redação taofeminino Published on 18 de julho de 2017
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Regra de ouro sobre o desfralde: respeito ao tempo da criança. Abandone as fórmulas mágicas, abrace a causa e abra a percepção, pois o desfralde é um longo processo de independência e reconhecimento do corpo. Por Juliana Couto

O desfralde entra naquela lista dos grandes desenvolvimentos da criança, como andar, falar e escolher os alimentos (saudáveis, por favor) que vai comer em suas refeições. E, assim como em todo processo, depende de fatores emocionais, cognitivos e motores para se concretizar. Por isso, conduzir o desfralde forçando a criança a desfraldar, ou ensiná-la forçadamente por métodos duvidosos, como urinar em si mesma, pode provocar mais trauma do que autonomia. O desfralde só acontece quando a criança está pronta nos três pilares mencionados.

De modo geral, o que se entende superficialmente sobre o desfralde é que a partir dos dois anos as crianças controlam seus esfíncteres. Mas esse controle é relativo, já que ele pode acontecer em épocas distintas para cada criança. A realidade é que os pais precisam estar com a percepção aberta para notar os sinais, com paciência e disposição para entender que como em todo processo de desenvolvimento, há avanços e retrocessos até a criança se desenvolver. Sem pressa significa, sim, gastar em fraldas por mais tempo e também significa abandonar de vez as receitas de desfralde conduzido, que geralmente costumam sugerir desfralde diurno e somente após este estar concretizado, abordam o desfralde noturno.

Para a psicóloga Fernanda Perim (RJ), 29, mãe do Théo, 3, e do Gael, um ano e quatro meses, e à frente do blog PsiMama (responsável pela campanha #desfraldeconsciente nas redes sociais em 2016), “quando você respeita o tempo da criança, permite que tenha a segurança de compreender ela mesma que não tem pressa, e que seu corpo tem seu tempo. Esse tempo é essencial para que a autoconsciência da criança permita ela desenvolver de forma plena todos os níveis necessários ao desfralde sem que haja pendências”.

Para ela, o principal sinal do desfralde estar em processo é a fralda se tornar inútil e obsoleta, pois todos os demais podem ser confusos. Ou seja, o bebê avisar que defecou, pedir para usar o vaso sanitário, pedir para ir ao banheiro junto, se incomodar com a fralda, chorar quando a fralda estiver com fezes, entre outros, são sinais que podem mostrar o processo do desfralde, mas não quanto tempo ele vai durar. Novamente, o mantra da maternidade: paciência. As regras sobre tirar a fralda durante o dia, optar por roupas leves, optar por desfralde no Verão e avisar que quando quiser ir ao banheiro é só avisar são um tanto quanto mecanizadas e não necessariamente respeitam a maturidade e as vontades da criança – ao contrário, se encaixam como uma luva a rotina neurótica dos pais. Novamente, cuidado: o desfralde pode ser um sucesso e você pode iniciar um problema de prisão e ventre.

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O desenvolvimento motor dá as caras no desfralde quando acontece o controle do esfíncter. Quer um sinal de quando ele acontece? Quando a criança passar a pular com os dois pés. Depois disso, é importante pensar ainda que esse controle precisa ser suficiente para a criança sentir vontade de urinar ou defecar e conseguir chegar ao banheiro. Até por isso, é importante lembrar que escapes, tanto de urina quanto de fezes, vão acontecer. E é importante ter em mente que é mais fácil controlar o esfíncter acordado do que dormindo: o desfralde noturno leva mais tempo para se concretizar. Se a criança começou a avisar verbalmente que precisa ir ao banheiro, ela está pronta cognitivamente para desenvolver o processo do desfralde. Nesse sentido, diálogo, acolhimento para iniciar o processo emocional, desenvolver amadurecimento sobre esse novo olhar sobre o corpo infantil – é uma nova etapa, por meio da qual a criança passa a compreender o domínio que tem sobre seu corpo.

Desfraldes forçados geram traumas. Como explica Fernanda, “A criança pode ter várias consequências a partir disso, dependendo de como for lidado. Ela pode ir de traumas emocionais, como o medo de não conseguir segurar ou o medo de não conseguir soltar, bem como traumas fisiológicos como incontinência urinária e diurese noturna. Já vi casos de crianças que passaram a acordar a noite, crianças com seis, sete anos que precisaram de voltar para as fraldas e até casos piores em que a criança ficou com medo de ir ao banheiro, com prisão de ventre etc. O desfralde consciente permite não do que se possa evitar essas coisas, como também promove conexão pais com filhos e da criança com si mesma, a autoconfiança e o autoconhecimento”.

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Dicas para promover o desfralde com consciência e empatia

1. Informação de qualidade. Os pais precisam compreender que a criança precisa estar pronta – e isso acontece quando ela tem apoio, acolhimento, diálogo, empatia e é respeitada. Cada corpo funciona de uma maneira.
2. Pressão da escola para o desfralde? Pais, não cedam! Ganhar estrelas e parabéns pode fazer com a criança se sinta atrasada quando não corresponder às expectativas. E ela precisará ser lembrada que está tudo bem e que quando ela quiser poderá usar ou não fralda.
3. Penico, redutor de assento ou mictório infantil. São opções que viabilizam o desfralde e podem ajudar no processo. Depende de cada arranjo familiar em como lidar com a escolha. Em tempo: meninos não precisam urinar em pé desde a primeira infância.
4. Livrinhos. Contação de histórias no banheiro é receita de sucesso para o desfralde. Pode ser livrinho sobre o tema e podem ser de assuntos variados. O que vale, se dúvida: dispor de tempo para a criança, sentar e ler junto e, com paciência e consciente de que é um longo processo, ajudá-la a compreender que fezes e urina fazem parte da nossa natureza.
5. Perceber os sinais da criança e levá-la ao banheiro: os pais podem contribuir (não forçar) o desfralde ao perceber os sinais de que a criança vai defecar e levá-la ao banheiro se ela concordar. Assim como podem, conhecendo os horários em que a criança urina ao longo do dia, sugerir de urinar no banheiro. Comunicação e respeito às vontades da criança são essenciais.

Na teoria é lindo! E na prática?

“Eu tentei uma vez por sugestão da escola em que minha filha estudava. Não deu certo. Aí decidi que não ia mais tentar até que ela mostrasse que estava pronta. Com mais ou menos dois anos e oito meses, mudei ela de escola e ela era a única que usava fralda. Ao ver os amigos indo no banheiro ela começou a pedir para tirar a fralda. Tiramos e pronto. Ela deve ter deixado escapar algumas vezes, mas foi tudo muito rápido. Esperar o tempo da criança é importante, assim como não desfraldar por pressão externa, ter paciência e nunca brigar se a criança deixar escapar. E uma vez que a criança demonstra que está pronta e pede para tirar a fralda tirar é ter paciência de lembrar a criança de tempos em tempos. Levar ao banheiro também. Sem violência e nem briga, mas com amor e paciência”.
Damiana Angrimani Bonavigo (SP), 34, mãe de Manuela, de dois anos e 11 meses.

“Estou tendo uma experiência única, que é ajudar minha filha a conhecer seu próprio corpo. Tarefa desafiadora, pois é algo que não podemos fazer por eles. Li muito sobre o desfralde e quero que seja o mais natural possível, assim como foi o desmame e para que isso aconteça ela precisa estar preparada e querer também. Comecei a perceber que ela já sentia quando o xixi estava saindo, já pulava com os dois pezinhos fora do chão e começou a perguntar sobre calcinhas e cuecas. Ela já tinha um penico, mas não se sentia atraída em usá-lo, então comprei outro que também se ajusta ao vaso sanitário e tem escadinha para que ela se sinta segura em usar - a princípio prefere o penico mesmo, então montei-o como penico, onde ela se segura também. Fiz uma trilha, onde a cada meta alcançada ela ganha um adesivo. Mas tudo isso foi em vão, ela se nega a usar o penico e não se encantou com os adesivos. Voltei às conversas com ela, me usando como exemplo, comprei um livro sobre o assunto para ler junto com ela para que se sinta atraída em usar o peniquinho. É um processo que depende da minha entrega, atenção e paciência, afinal já teve dias dela ficar um tempão no penico comigo junto contando histórias e conversando e nada, mas quando saiu fez xixi na calça. Muitas vezes no mesmo dia. Atualmente estou dando um tempo para ela, conversando muito e na próxima semana voltaremos ao processo. Algo que percebi, foi que numa das conversas eu comentei que ela deixaria de ser bebê ao usar fraldas e que se tornaria uma mocinha usando calcinhas, então ela disse que não queria pois é um bebê. Fui atrás de informações e li que algumas crianças têm medo de perder o contato físico que tem com os pais na hora da troca das fraldas. Então faço muita massagem nela (que ama desde pequenininha) e digo sempre que estarei junto com ela, e que ela terá contato com a mamãe sempre que quiser: carinho, massagem, colo, beijos e abraços. Vamos ver se funciona”.
Fabiana Madrid (SP), 39, mãe de Luiza, de dois anos e cinco meses.

“Minha experiência com o desfralde foi assim: Matteo usou fraldas de pano, de dia e de noite, e por volta dos dois anos começou a dizer quando fazia xixi. O cocô sempre percebemos, mas não levávamos no penico porque sou a favor de esperar que eles peçam para tirar a fralda para fazer xixi/cocô igual a mamãe e o papai. Quando chegou a Primavera, aos dois anos e meio, perguntei se ele queria tirar a fralda e ele disse que sim. Tirei completamente a do dia, e ele NUNCA fez xixi/cocô fora do seu peniquinho, ou nos banheiros mesmo quando estamos fora de casa. À noite, eu ainda mantenho a fralda, pois ela ainda não amanhece completamente seca, então para mim esse é um sinal de que ele ainda não está pronto. Não acredito que fazer xixi na cama seja educativo, acredito que quando não faz mais xixi de noite, é porque não precisará mais da fralda. Com a Maddalena fazemos comunicação e eliminação, então ele não usa fraldas em casa, e nem para dormir, mas não se trata de um desfralde. Basicamente, comunicação e eliminação é um método de atenção e acolhimento as necessidades básicas do bebê (e fazer xixi e coco é uma delas sem dúvida). Não fiz com Matteo por não conhecer o método. Mas com a Madd realizei dentro de mim que não fazia o menor sentido ensiná-la a fazer xixi e coco em SI MESMA, para depois de cerca dois anos ensinar de novo que xixi e coco se fazem em outro lugar. Para mim, usar fraldas é desconfortável, não me imagino dois anos, dia e noite, com um absorvente molhado. Com isso, pude perceber como ela dorme melhor, como ela nunca teve "cólicas ou gases", pois evacua na posição fisiológica”.
Mariana Monticelli (Lurano, Itália), 29, mãe de Matteo, 3, e Maddalena, nove meses.

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