Megaoperação no Alemão e Penha: 68,85% aprovam, 24,43% rejeitam — e você, em qual lado está?

Megaoperação no Alemão e Penha: 68,85% aprovam, 24,43% rejeitam — e você, em qual lado está?

Em meio a luto, medo e rotina interrompida, a opinião dos fluminenses se divide diante da escalada policial recente.

A reação da sociedade ao avanço das operações no Complexo do Alemão e da Penha ganhou números concretos. Uma pesquisa encomendada pelo Correio da Manhã indica maioria favorável, mas a cidade também registra dor pela morte de agentes e dúvidas sobre o futuro da segurança pública.

Opinião pública e números

De acordo com levantamento da Arrow Pesquisas, 68,85% dos entrevistados aprovam a megaoperação realizada na terça-feira (29/10) nas comunidades do Alemão e da Penha. Já 24,43% rejeitam a ação. O estudo ouviu 2.210 pessoas na capital e no interior do estado.

68,85% aprovam a megaoperação; 24,43% desaprovam; 2.210 pessoas foram ouvidas no Rio e no interior.

Os dados sugerem um apoio consolidado, alimentado pela busca por alívio diante de facções armadas. Ao mesmo tempo, uma parcela expressiva discorda, levantando alertas sobre letalidade, impacto em moradores e resultados sustentáveis.

Termômetro paralelo nos bairros

Em grupos de WhatsApp de moradores, o clima também pende para a aprovação, ainda que sem método científico. Mensurações informais mencionam 985 integrantes na Zona Sul e 1.430 na região do Centro, onde a maioria se manifestou favorável à operação. Esses números indicam engajamento e preocupação cotidianos, não substituem pesquisas estruturadas, mas captam humor do momento.

Indicador Valor
Aprovação da operação 68,85%
Desaprovação da operação 24,43%
Outros/indecisos 6,72%
Amostra total 2.210 entrevistados
Grupos observados (Zona Sul) 985 membros
Grupos observados (Centro) 1.430 membros

Luto e reconhecimento institucional

Dias após a operação, a cidade se despediu de quatro agentes. Na quinta (30/10), um cortejo pela Zona Sul acompanhou os corpos dos sargentos do BOPE Cleiton Serafim Gonçalves, 42, e Heber Carvalho da Fonseca, 39, velados na sede do batalhão em Laranjeiras. Serafim seguiu para Mendes, no interior, e Heber foi enterrado no Cemitério de Sulacap.

Na quarta-feira, foram sepultados os policiais civis Marcus Vinicius Cardoso, 51, chefe de investigações da 53ª DP (Mesquita), e Rodrigo Velloso Cabral, 34, lotado na 39ª DP (Pavuna).

Quatro agentes mortos serão agraciados com a Medalha Tiradentes da Alerj, após proposta já aprovada em plenário.

Uma homenagem está sendo organizada para quarta (05/11), às 17h, em frente ao Palácio Guanabara. A mobilização, puxada por moradores e comunicadores, pretende agradecer às forças de segurança e reforçar pedidos por novas ações contra o crime.

O que explica a aprovação da maioria

Entre os fatores que ajudam a compreender o apoio popular, aparecem a sensação de confinamento imposta por bloqueios de vias, tiroteios frequentes e extorsões de rotina por grupos armados. A operação, para muitos, sinaliza retomada de território e resposta ao poder de fogo do tráfico.

  • Percepção de alívio imediato em áreas sob domínio armado.
  • Expectativa de redução de assaltos e roubos de veículos.
  • Pressão por presença contínua do Estado em comunidades estratégicas.
  • Confiança na ação coordenada entre unidades especializadas.

As razões de quem discorda

O grupo contrário ressalta riscos de violações e impactos colaterais. Aponta fechamento de escolas, interrupção de serviços e medo constante de bala perdida. Defende planejamento com foco em inteligência, prisões qualificadas e rastreamento financeiro de quadrilhas.

  • Alta probabilidade de confrontos com vítimas não envolvidas.
  • Desorganização de rotinas de trabalho e estudo em áreas sensíveis.
  • Baixa percepção de mudanças duradouras sem investigação robusta.
  • Exigência de transparência de metas, custos e resultados.

O que muda no curto prazo

A aprovação elevada tende a sustentar novas operações. Esse cenário pressiona por métricas claras: armas apreendidas, prisões qualificadas, redução de crimes patrimoniais e violentos, proteção a testemunhas, bem como continuidade de serviços públicos em áreas conflagradas.

Comunidades afetadas cobram medidas de proteção a comerciantes e trabalhadores durante ações prolongadas. A comunicação em tempo real, rotas alternativas e protocolos de deslocamento ajudam a reduzir danos e a manter serviços básicos.

Como avaliar resultados de uma megaoperação

Indicadores objetivos

  • Redução de homicídios, roubos e furtos em janelas de 30, 90 e 180 dias.
  • Volume de armas e munições apreendidas, com ênfase em fuzis.
  • Prisões com mandado e desarticulação de lideranças.
  • Localização e bloqueio de ativos financeiros de facções.
  • Retomada de serviços públicos (escolas, saúde, transporte).

Garantias e governança

  • Protocolos de mitigação de risco a moradores e servidores.
  • Auditoria independente sobre planejamento e execução.
  • Canais ágeis para denúncias e para assistência a vítimas.
  • Integração com políticas sociais e urbanísticas nas áreas retomadas.

Vozes da cidade e próximos passos

O cortejo pelos bairros nobres, o luto nas delegacias e a mobilização programada no Palácio Guanabara mostram que a pauta não é restrita a comunidades. Ela alcança quem circula por vias estratégicas, depende de transporte público e teme uma nova escalada de violência.

Empresários e trabalhadores buscam previsibilidade. Para eles, operações eficazes combinam presença policial e inteligência, com manutenção da rotina econômica. A expectativa agora é por continuidade planejada, com metas verificáveis e prestação de contas periódica.

Informações práticas para o leitor

Seis perguntas para você medir a eficácia

  • Os índices criminais do seu bairro caíram após a operação?
  • Escolas e postos de saúde voltaram a operar normalmente?
  • Houve redução de tiroteios na sua rota diária?
  • As prisões anunciadas envolvem lideranças com mandado?
  • Foram apreendidas armas de alto calibre em quantidade relevante?
  • Existem canais acessíveis para registrar denúncias e obter assistência?

Riscos e oportunidades a monitorar

  • Risco: deslocamento de células criminosas para bairros adjacentes.
  • Risco: interrupção prolongada de serviços essenciais em áreas sensíveis.
  • Vantagem: quebra de rotas logísticas do crime e asfixia financeira.
  • Vantagem: retomada de espaços públicos e circulação mais segura.

Se você vive em áreas próximas às operações, organize rotinas com antecedência. Combine rotas alternativas com vizinhos e acompanhe informes oficiais. Registre ocorrências com horário e local exatos. Essa documentação ajuda a cobrar políticas públicas consistentes.

Para quem atua em serviços essenciais, protocolos de deslocamento seguro, identificação visível e rede de apoio entre unidades reduzem tempo de resposta. Tais medidas protegem trabalhadores e evitam que interrupções se prolonguem após o fim das ações.

2 thoughts on “Megaoperação no Alemão e Penha: 68,85% aprovam, 24,43% rejeitam — e você, em qual lado está?”

  1. Avant d’applaudir, j’aimerais voir des indicateurs clairs: baisse des homicides et vols à 30/90/180 jours, mandats exécutés, fuzils saisis, services publics rétablis. Sans reporting indépendant et objectifs de coût/efficacité, l’effet peut n’être que cosmétique. Où sont les tableaux de bord promis?

  2. Soutenir une opération n’absout pas ses dégâts collatéraux. Franchment, fermer écoles, interrompre soins et multiplier le risque de bales perdues ne peut pas devenir la “nouvelle normalité”. On veut bcp plus d’intelligence, suivi financier, arrestations ciblées, et protocles de protection pour les habitants. Sinon, statistique ou pas, ça reste du théâtre.

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