Sirenas quebraram a rotina em Taguatinga e um prédio antigo voltou ao centro das atenções, enquanto pais e motoristas mudavam planos.
Nas primeiras horas desta quinta-feira, uma operação de reintegração de posse mobilizou a PM no antigo Hotel Colorado, no centro de Taguatinga. O edifício estava abandonado havia cinco anos e, desde 7 de setembro, abrigava cerca de 100 pessoas. O bloqueio de vias mudou o fluxo na região e uma escola vizinha suspendeu as aulas.
O que aconteceu ao longo da manhã
Equipes da PM chegaram cedo ao imóvel para cumprir decisão judicial de reintegração. Policiais montaram um perímetro de segurança e restringiram a circulação no quarteirão.
Por volta das 8h, representantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) iniciaram negociações no local. A conversa buscou organizar a saída e reduzir tensões.
Às 11h15, a corporação informou que todos haviam deixado o prédio. Os policiais ajudaram a retirar pertences e colocaram móveis em um caminhão para transporte.
Mais de 80 famílias desocuparam o antigo Hotel Colorado, segundo a PM, sem registros de confronto e com saída organizada.
Impactos imediatos na região
O bloqueio de trânsito provocou retenções nas ruas do entorno e alterou rotas de quem seguia para o trabalho. O Colégio Único, ao lado do imóvel, optou por suspender as aulas para preservar alunos e funcionários.
- Vias internas de acesso ao hotel ficaram interditadas pela manhã;
- Famílias organizaram seus pertences sob acompanhamento de equipes públicas;
- Moradores e comerciantes relataram movimento atípico e barulho de viaturas.
A decisão judicial e o histórico do imóvel
O mandado partiu da Vara do Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF. O documento determinou a desocupação imediata do edifício.
O prédio está desativado há cinco anos e acumula uma dívida superior a R$ 5,6 milhões. O passivo inclui tributos e encargos relacionados ao imóvel.
O hotel, fechado há anos, virou abrigo improvisado e símbolo da disputa entre o direito à moradia e a propriedade privada.
O que disse o movimento de moradia
Integrantes do MLB afirmaram que, durante a ocupação, promoveram a recuperação de áreas internas do prédio. Eles relataram a criação de uma creche comunitária, uma cozinha coletiva e atividades culturais.
O movimento criticou a operação policial em larga escala e defendeu uma saída negociada com oferta de alternativa habitacional. Representantes afirmaram que as famílias mantiveram disposição para o diálogo e pediram que o poder público priorize soluções dignas de moradia.
O que fez o governo local
A Secretaria de Desenvolvimento Social do DF informou que mobilizou a Unidade de Proteção Social 24h para acompanhar a desocupação. Técnicos realizaram um levantamento para avaliar benefícios e serviços disponíveis às famílias.
Segundo a pasta, as equipes seguirão com o atendimento por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) responsáveis por cada território. O objetivo é ofertar acolhimento emergencial e identificar perfis para inclusão em políticas públicas.
| Órgão | Medida adotada |
|---|---|
| PMDF | Cumpriu a reintegração, negociou a saída e organizou a retirada de pertences |
| Vara do Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário | Determinou a desocupação do imóvel |
| Sedes-DF (UPS 24h) | Ofertou acolhimento e avaliou inclusão em benefícios sociais |
| Cras | Fará o acompanhamento das famílias após a retirada |
Linha do tempo da ocupação
- Há 5 anos: o hotel foi fechado e permaneceu sem uso;
- 7 de setembro: cerca de 100 pessoas ocuparam o prédio;
- 30 de outubro, cedo: PM iniciou a operação de reintegração;
- 8h: houve negociação com o MLB na porta do imóvel;
- 11h15: PM informou a desocupação total do edifício;
- Ao longo do dia: caminhões recolheram pertences das famílias.
Direitos, deveres e próximos passos
Reintegrações de posse envolvem decisões judiciais que buscam resguardar a propriedade e a segurança de quem vive no entorno. Ao mesmo tempo, casos com famílias em situação de vulnerabilidade exigem atuação articulada entre Justiça e assistência social.
Quem saiu do imóvel pode acessar serviços de acolhimento temporário, avaliação socioassistencial e inscrição em programas. O Cadastro Habitacional do DF serve como porta de entrada para famílias com renda dentro dos critérios vigentes. O Cras de referência orienta documentos, perfis e prazos.
Riscos de permanecer em prédios abandonados
- Instalações elétricas sem manutenção aumentam a chance de curtos e incêndios;
- Estruturas degradadas podem ceder com o peso e causar acidentes;
- Falta de saídas de emergência dificulta evacuação em caso de sinistro;
- Áreas com infiltração e mofo impactam a saúde de crianças e idosos.
O que pode acontecer com o Hotel Colorado agora
O juiz pode determinar que o proprietário isole acessos e execute medidas para mitigar riscos, sob pena de multa. Dívidas tributárias e judiciais podem levar a leilões, penhoras ou negociações para quitar o passivo. Projetos de requalificação urbana podem surgir se houver interesse público e viabilidade econômica.
Antes de qualquer novo uso, laudos estruturais devem verificar condições de segurança. A prefeitura regional pode exigir cercamento e vigilância para impedir novas ocupações. Medidas de limpeza e combate a vetores também entram no protocolo.
Como as famílias podem buscar apoio
O primeiro caminho passa pelo atendimento no Cras, que avalia vulnerabilidades e indica benefícios como aluguel social, acolhimento e programas de transferência de renda. O atendimento também mapeia acesso a creche, documentação e trabalho. Famílias com crianças, gestantes e idosos costumam ter prioridade em serviços específicos.
Organizações da sociedade civil costumam oferecer doações, cursos rápidos e encaminhamentos profissionais. Agentes públicos orientam como formalizar cadastros, comprovar renda e atualizar endereços. A articulação entre assistência social, Defensoria e Ministério Público costuma acelerar respostas em cenários de remoção.
O que o leitor precisa acompanhar
Autoridades devem informar se haverá acolhimento contínuo e prazos para vagas em programas habitacionais. A população da região quer saber quando o fluxo das ruas normaliza e como ficará a segurança do quarteirão. O desfecho do processo judicial definirá o destino do prédio e o ritmo de qualquer recuperação estrutural.


