Vai encarar um picolé de inhame? no ES, família com 50 sabores conquista mercados e turistas

Vai encarar um picolé de inhame? no ES, família com 50 sabores conquista mercados e turistas

Nas montanhas capixabas, uma família encontrou um jeito inesperado de refrescar o verão e movimentar a economia local.

No distrito de São Bento de Urânia, em Alfredo Chaves, o inhame sai da roça e vai para a forma de picolé. A marca artesanal Frescor das Montanhas, tocada pela família Fardin, elevou o tubérculo símbolo da região a protagonista de um cardápio que já soma mais de 50 sabores.

Do roçado à vitrine: o inhame que vira sorvete

A comunidade de Redentor, cercada por paredões de pedra e clima ameno, virou endereço de uma ideia simples e ousada: usar o inhame como base para picolés e sorvetes. O cultivo nasce na própria propriedade e, quando a colheita aperta, vizinhos entram no circuito como fornecedores, o que fortalece a renda das famílias do entorno.

Em São Bento de Urânia, cerca de 600 famílias cultivam o tubérculo. O município responde por boa parte das 50 toneladas de inhame colhidas por ano, um volume que sustenta feiras, abastece mercados e, agora, dá origem a um produto com apelo turístico.

O picolé de inhame, cremoso e levemente adocicado com passas e ameixa seca, virou cartão de visitas da serra capixaba.

Quando a escola vira laboratório de ideias

A fagulha veio de um trabalho escolar da filha mais nova. A pauta era o inhame, orgulho local. A família testou a receita em casa, combinou o tubérculo cozido com frutas secas e acertou a textura até chegar a um sabor que surpreendeu vizinhos e amigos. As encomendas cresceram e a cozinha ganhou status de fábrica.

Negócio familiar com sabor de montanha

O Frescor das Montanhas opera com três pessoas, do plantio à entrega. A rotina segue o ritmo da serra: produção de domingo a sexta até as 17h, descanso no sábado, e caixas térmicas entrando e saindo rumo a mercados, padarias, bares e restaurantes da região. Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante, Marechal Floriano e Vargem Alta figuram na rota de clientes, junto com Alfredo Chaves.

O nome da marca nasceu do lugar. A altitude garante brisa constante; o cenário, feito de picos e vales, inspira a promessa de frescor no palito. Quem visita encontra freezer cheio e prosa aberta sobre clima, lavoura e receita.

Como o picolé de inhame ganha textura

O inhame entrega amido natural e fibras solúveis que dão corpo à massa. A combinação com passas e ameixa seca reduz a necessidade de açúcar e confere dulçor equilibrado. A base pode ser láctea ou vegetal, o que permite versões para diferentes dietas. Gelado rápido, com cristalização fina, fecha a conta da cremosidade.

  • Seleção e higienização do inhame recém-colhido.
  • Cozimento em ponto firme, sem excesso de água.
  • Bateção com base láctea ou vegetal e frutas secas.
  • Padronização de sólidos e açúcares para evitar cristais grandes.
  • Congelamento rápido e armazenamento a temperaturas constantes.
  • Distribuição refrigerada para manter textura e segurança.

Com 50 sabores no catálogo, a fábrica artesanal usa ingredientes selecionados e trabalha por safra, sem perder o ritmo no inverno.

O sabor que movimenta a cadeia local

O modelo gira dinheiro entre produtores vizinhos, transportadores e varejistas. A família compra insumos na própria região, abre espaço para pequenos agricultores e cria um produto que conversa com a identidade do território, a Região Serrana do Espírito Santo. O picolé de inhame, antes curiosidade, hoje atrai turistas e amplia o tíquete médio de quem visita a serra para comer, caminhar e conhecer lavouras.

Indicador Dado
Sabores oferecidos Mais de 50
Equipe na produção 3 pessoas
Funcionamento Domingo a sexta, até 17h
Matéria-prima Inhame da propriedade e de vizinhos
Famílias produtoras de inhame no distrito Cerca de 600
Produção anual no município 50 toneladas

Saúde, custo e sazonalidade

O inhame entrega fibras, potássio e vitaminas do complexo B. Em receitas de picolé, o amido ajuda a reduzir estabilizantes, o que agrada quem busca rótulos curtos. Para a conta fechar, o segredo mora no food cost: cortar perdas no cozimento, padronizar porções e organizar a produção por lotes evita desperdício e preserva margem.

O verão pressiona a logística. A família intensifica entregas e reposições. No frio, a demanda cai, mas o fluxo não para, e a marca aproveita para testar sabores, treinar processos e negociar insumos da próxima safra com melhor preço.

Dicas para quem quer tirar ideias da roça

Projetos como o da família Fardin mostram caminhos práticos para quem vive da agricultura familiar e pensa em agregar valor. Abaixo, pontos que ajudam a tirar o produto do campo para o freezer sem sustos.

  • Encontre um ingrediente de identidade local e dê a ele formato de desejo.
  • Crie uma assinatura sensorial: combinação de frutas secas, especiarias ou ervas regionais.
  • Padronize receitas e registre pesos por lote para manter sabor e textura.
  • Implemente boas práticas de fabricação e controle rígido de temperatura.
  • Planeje rotas curtas de entrega e pontos de venda que giram produto diariamente.
  • Conte a história no rótulo: origem, família, altitude e sazonalidade atraem o consumidor.

Onde o leitor entra nessa história

Quem viaja pela serra pode incluir a parada no roteiro e experimentar sabores que nascem a poucos quilômetros da plantação. Para quem empreende, o caso indica que dá para começar pequeno, testar no bairro, ajustar a receita e, passo a passo, chegar às prateleiras de cidades vizinhas sem perder o controle da qualidade.

Para ampliar o alcance, vale buscar capacitação técnica, organizar a papelada na vigilância sanitária do município e fortalecer parcerias com mercados e padarias locais. O resultado aparece na forma de renda recorrente, circulação de dinheiro no campo e um produto que leva as montanhas do Espírito Santo até a sua mão, em um palito gelado que conta uma história de origem.

2 thoughts on “Vai encarar um picolé de inhame? no ES, família com 50 sabores conquista mercados e turistas”

  1. Sophieinfinité

    Quelle idée géniale: faire un picolé d’inhame (igname) et en tirer 50 saveurs! Entre Redentor et São Bento de Urânia, on sent le lien au terroir. Le côté crémeux avec raisins secs et pruneaux me fait saliver, surtout s’il y a des versions végétales. Et bravo pour l’impact local, des producteurs aux petits commerces. Simple, audacieux, et tellement capixaba 🙂

  2. Soyons honêtes: ça a quel gout, vraiment? Terreux, ou plutôt neutre comme une base laitière? Je suis curieux mais un peu sceptique… francament, un “picolé d’inhame” ça sonne étrange. Qui a déjà testé ici?

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