Fila menor, pedido no toque e pastel saindo rápido: uma barraca de Mauá virou referência para quem odeia esperar.
Com dois totens de autoatendimento e um cardápio digital, um casal de feirantes decidiu modernizar a rotina na banca de pastel e atrair quem busca agilidade, sem abrir mão do sorriso no balcão. A novidade, vista por muitos nas redes de fast-food, agora apareceu no circuito de feiras da cidade.
Quem são os feirantes e o que mudou
Dorani Maria de Alcântara, 51, e Claudemir Venâncio Moreira, 53, tocam a tradicional banca de pastel Dora & Claudemir, em Mauá. Eles instalaram dois totens de autoatendimento após conhecerem equipamentos voltados a pasteleiros em um evento do setor. O objetivo: organizar filas, agilizar pedidos e reduzir a correria na cozinha.
R$ 12 mil investidos em totens e software; R$ 1.000 por mês de sistema; 90% dos pedidos já entram pelo autoatendimento.
O resultado aparece na operação. Os clientes escolhem opções no menu digital, a equipe recebe os pedidos com mais clareza e o preparo segue uma ordem visível para todos. A barraca mantém dez funcionários e preserva o atendimento humano para dúvidas, pagamento e aquele bate-papo que fideliza a freguesia.
Como a ideia nasceu
O plano ganhou força com a ajuda do filho, Antony de Alcântara, 18. Ele incentivou a adoção do cardápio interativo e hoje circula entre os totens para orientar quem tem dificuldade com tecnologia. A recepção surpreendeu: até frequentadores mais velhos toparam testar, acharam intuitivo e elogiaram a organização do fluxo.
Autoatendimento sem perder a conversa
A dupla reforça que a tecnologia entrou para somar. O caixa continua com gente. As brincadeiras entre fregueses e atendentes seguem firmes. A diferença está no ritmo: menos pressa, mais previsibilidade e erros de pedido mais raros, já que a escolha fica registrada no sistema.
- Para o cliente: espera menor e montagem do pedido no próprio ritmo.
- Para a equipe: fila organizada, prioridades claras e comunicação mais objetiva com a cozinha.
- Para o negócio: possibilidade de medir horários de pico e itens mais vendidos, guiando compras e produção.
Investimento, custos e retorno
O casal desembolsou cerca de R$ 12 mil, somando os dois totens (por volta de R$ 4 mil cada) e o desenvolvimento do software. A manutenção do serviço custa R$ 1.000 por mês. A meta é recuperar o investimento com aumento de volume e melhor experiência para o cliente.
O autoatendimento virou padrão: nove em cada dez pedidos entram pelo totem, liberando o time para produção e entrega.
A seguir, uma simulação ilustrativa de retorno financeiro, considerando apenas o efeito de ganho de produtividade e mais pedidos. Os números servem para dimensionar cenários possíveis, não como promessa de resultado.
| Cenário | Pedidos adicionais/dia | Ticket médio (R$) | Margem (%) | Dias/mês | Resultado adicional/mês (R$) | Prazo de retorno |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 15 | 18 | 30 | 24 | 944 (já desconta R$ 1.000 de sistema) | cerca de 12 a 13 meses |
| Moderado | 30 | 20 | 35 | 24 | 4.040 | cerca de 3 meses |
| Arrojado | 50 | 22 | 35 | 24 | 8.240 | cerca de 1 a 2 meses |
Energia garantida sem depender da rede
Como muitas feiras não oferecem ponto de energia, a banca instalou uma placa de energia solar para sustentar a operação. A solução reduz quedas no ritmo de produção e dá previsibilidade nos dias mais movimentados, quando o consumo cresce e a rede pública falha. O equipamento foi montado com apoio da família e já atende a demanda do dia a dia.
O que muda para quem compra pastel
O primeiro ganho aparece na fila, que anda mais rápido. O segundo está na clareza do pedido. Quem escolhe o sabor pelo totem tende a errar menos, e a cozinha recebe orientações diretas. Para idosos, a presença do filho do casal ao lado dos equipamentos elimina a insegurança no primeiro uso.
Clientes habituais notaram mais agilidade. Moradores de bairros vizinhos relatam que conseguem “apertar botões, esperar a senha e sair com o pastel quentinho”, sem o receio de perder a vez ou de que o pedido saia diferente do combinado.
Feira mais digital: riscos e cuidados
Totens exigem limpeza constante, uma área de espera visível e sinalização simples. O sistema deve funcionar offline quando a internet cai. A manutenção precisa de rotina para evitar travamentos em horários críticos. O negócio não pode depender apenas das telas: atendimento humano segue essencial para pagamentos, dúvidas e pedidos especiais.
Proteção de dados também entra no checklist. Mesmo quando o software não coleta informações pessoais, registros de pedidos e horários revelam padrões de consumo. O responsável deve limitar acessos, atualizar o sistema e guardar os equipamentos com segurança após o expediente.
Como outros feirantes podem adaptar
Quem pensa em dar o mesmo passo pode começar com um único totem, testar cardápios mais enxutos e ampliar de acordo com a demanda. Uma rede móvel dedicada, uma bateria reserva e um plano de contingência com caderneta e comanda impressa evitam paradas em momentos de pico.
- Mapeie os horários de maior movimento antes de comprar o equipamento.
- Padronize rótulos dos sabores para reduzir dúvidas no totem.
- Treine um funcionário para ficar a poucos passos das telas.
- Defina um plano B quando a internet e a energia falharem.
O próximo passo para a feira de bairro
O autoatendimento abre caminho para outras melhorias: fila virtual por QR code, integração com estoque para evitar falta de ingredientes e métricas diárias que orientam compras. A energia solar permite operar com mais autonomia e pode baratear custos no longo prazo.
Para quem vende, a combinação de totem, equipe treinada e energia estável reduz desperdício, corta retrabalho e melhora a experiência. Para quem compra, a sensação é de controle do pedido e menos tempo parado. Na prática, a feira de rua começa a adotar ferramentas de restaurante, sem perder o clima de conversa no balcão.


