Quando uma criança fala de prevenção e cuidado, a conversa muda de tom. Foi o que aconteceu com um garoto goiano.
Nas redes, um vídeo comovente correu o país: um menino de 6 anos levou mensagens sobre saúde a Brasília e atraiu milhões de olhares. A cena reacendeu o debate sobre como a internet pode ensinar, confundir e mobilizar famílias quando o tema é prevenção de doenças.
Fenômeno precoce em Brasília
Davi Milhomem Giordani, 6 anos, conhecido como “minimédico”, ocupou a tribuna do Senado Federal e defendeu a divulgação responsável de informações de saúde nas redes. Ele esteve em Brasília no dia 29, durante reunião da Comissão de Direitos Humanos e de Crianças e Adolescentes, onde conversou com parlamentares e outras crianças.
O garoto mora em Goiânia e sonha em ser cardiologista. Em casa, grava vídeos curtos ao lado da mãe, Érica, com dicas simples sobre prevenção, sintomas e quando procurar atendimento. A rotina, que começou como brincadeira de família, evoluiu para um perfil com milhões de seguidores e uma audiência fiel.
O caso reacende um ponto chave: redes sociais podem acelerar a alfabetização em saúde, desde que o público saiba como validar o que consome.
O que o “minimédico” disse
No discurso, Davi reforçou que conteúdos digitais ajudam as pessoas a reconhecer sinais de alerta, entender consultas e aderir a tratamentos. Ele também ressaltou que vídeos não substituem atendimento presencial, mas funcionam como ponte para a informação correta chegar antes da dor ou da emergência.
Além da fala, o menino trocou ideias com senadores e crianças sobre hábitos saudáveis em casa e na escola, como alimentação equilibrada, vacinação em dia e atividade física regular.
Os números do momento
- Idade: 6 anos
- Cidade de origem: Goiânia (GO)
- Onde falou: tribuna do Senado Federal
- Data do evento: dia 29
- Alcance do vídeo: mais de 6 milhões de visualizações
- Interações: acima de 30 mil comentários
Vídeo passa de 6 milhões de visualizações e transforma uma fala de dois minutos em pauta nacional sobre prevenção.
Reação do público e da família
O vídeo virou tópico nas redes. Entre elogios à desenvoltura do garoto, muitos pais relataram que os filhos começaram a fazer perguntas sobre coração, ossos e vacinas depois de assistirem aos conteúdos. Professores comentaram que usaram trechos em sala para introduzir temas de ciências.
Érica, mãe de Davi, contou que o preparou para a tribuna com conversa, simulações e respiração para controlar a ansiedade. Ela disse que se orgulha do interesse do filho por saúde e que a família mantém regras claras para as redes: horário limitado, supervisão constante e revisão do roteiro antes de publicar.
Como filtrar conteúdos de saúde nas redes
O caso de Davi levanta uma questão prática para qualquer família: como separar informação confiável de conteúdo duvidoso? Três passos simples ajudam nessa triagem inicial.
- Verifique a fonte: perfis de médicos com registro ativo, instituições públicas e sociedades médicas têm maior lastro técnico.
- Desconfie de promessas rápidas: fórmulas “garantidas”, remédios milagrosos e dietas sem riscos costumam não ter base científica.
- Procure convergência: quando diferentes fontes sérias dizem o mesmo, a chance de acerto cresce.
Conteúdo digital de saúde deve servir como atalho para a consulta, não como substituto do diagnóstico clínico.
Alfabetização em saúde desde cedo
Especialistas chamam de alfabetização em saúde a habilidade de compreender informações médicas para tomar decisões melhores. Crianças expostas a explicações claras sobre hábitos saudáveis tendem a adotar rotinas preventivas com mais facilidade, principalmente quando a família participa.
O papel da escola e da família
Escolas que integram temas como vacinação, higiene, primeiros socorros e alimentação equilibrada em projetos interdisciplinares relatam maior adesão dos estudantes a campanhas de prevenção. Em casa, pequenas conversas durante as refeições ajudam a fixar hábitos.
O sonho que guia as câmeras
Davi começou a ler muito cedo e se apaixonou por anatomia ao folhear um livro infantil. Ele repete que quer ser cardiologista e que, por enquanto, gosta de “traduzir” temas difíceis para colegas da sua idade. A mãe grava, edita e acompanha os comentários para blindar o filho de ataques e manter o foco educativo.
O perfil mistura curiosidades sobre o corpo humano, lembretes de vacinação e mensagens sobre quando procurar um posto de saúde. Em várias postagens, a família ressalta que cada caso clínico é único e que o médico responsável deve orientar condutas.
O que pais e responsáveis podem fazer a partir de agora
Se a fala do “minimédico” despertou conversas em casa, vale aproveitar o momento. Uma boa estratégia inclui combinar com a criança um “dia da saúde” ao mês: revisar a carteira de vacinação, checar material escolar de higiene e escolher juntos um tema para pesquisar sob supervisão.
Outra ideia é montar um “kit de informação segura”: lista de perfis de instituições confiáveis, contato da unidade de saúde de referência e um caderno para anotar dúvidas que surgirem durante os vídeos. Na consulta, a família leva as perguntas organizadas e sai com orientações personalizadas.
Riscos e vantagens do conteúdo médico online
- Vantagens: acesso rápido, linguagem simples, estímulo à prevenção e mais preparo para a consulta.
- Riscos: desinformação, automedicação e ansiedade por diagnósticos precipitados.
- Como reduzir riscos: checagem de fontes, supervisão adulta, conversa com profissionais e registro das dúvidas.
Quando a família transforma curiosidade em perguntas claras para o médico, a consulta ganha qualidade e tempo.
Por que tanta gente se viu no vídeo
O Brasil convive com filas, dúvidas e pouco tempo na sala de atendimento. Conteúdos que traduzem termos técnicos em linguagem afetiva criam identificação imediata, principalmente quando vêm de uma criança curiosa e articulada. A audiência de milhões mostra essa demanda por clareza e por caminhos práticos para cuidar da própria saúde.
Para quem acompanha o caso, a tendência é ver mais iniciativas que envolvem crianças e adolescentes em educação para a saúde, sempre com mediação de adultos e com foco em fontes confiáveis. Esse cuidado mantém o encanto do “minimédico” no lugar certo: estimular a prevenção e aproximar famílias do atendimento profissional quando ele faz falta.



Émouvant, mais je reste partagé: bravo à Davi pour rappeler que les vidéos ne remplacent pas une consultation, et pour parler prévention. En même temps, l’exposition d’un enfant aux réseuax me gêne un peu. Qui garantit le cadre éthique et le temps d’enfance?
6 ans au Sénat, vraiment? On manque de spécialistes pour expliquer la prévention, ou bien on préfère le buzz? Je crains l’instrumentalisation.