De estádios a festivais, gerações de fãs viveram noites de chuva, lama, confetes e riffs que moldaram amizades duradouras.
A trajetória da banda australiana no país sempre misturou números gigantes, imprevistos técnicos e momentos de arrepiar. Cada retorno rearranjou memórias e abriu espaço para novos rituais de camiseta preta, coros e guitarras afiadas.
Quatro capítulos que formam uma lenda
O primeiro estouro em 1985
A primeira visita aconteceu no festival que mudou o mapa dos grandes shows no Brasil. Em janeiro de 1985, duas apresentações reuniram multidões na Cidade do Rock. Na quinta noite do evento, cerca de 250 mil pessoas viram o grupo fechar o dia após Barão Vermelho e Scorpions, em um clima tenso por vaias a outras atrações. Quatro dias depois, na chamada noite do metal, mais de 280 mil fãs assistiram ao encerramento depois de Whitesnake e Ozzy Osbourne.
O impacto visual quase repetiu a turnê mundial, mas o sino original de Hells Bells não veio ao palco. A organização precisou substituí-lo por uma réplica de gesso, porque a estrutura não suportava o peso do original. A fase ainda preservava o gigantismo de Back in Black, embora a popularidade tivesse oscilado no início da década.
Em 1985, duas noites icônicas somaram cerca de 530 mil pessoas e consolidaram o país na rota do hard rock.
As escolhas de repertório alternaram clássicos como Back in Black, Highway to Hell e For Those About to Rock (We Salute You), com espaço para faixas de então, em uma sequência pensada para manter a plateia em ebulição do primeiro riff ao último canhão.
A volta de 1996 com demolição cenográfica
Depois de um hiato de mais de dez anos, a banda retornou em 1996, ainda maior, apoiada pelo disco Ballbreaker. A turnê produziu imagens memoráveis graças ao guindaste que içava uma bola de demolição para “derrubar” o cenário de abertura. O produtor Rick Rubin assinou o álbum, e Phil Rudd voltou à bateria — um reencontro que pesou no som.
Curitiba recebeu mais de 30 mil fãs na Pedreira Paulo Leminski. Em São Paulo, o Pacaembu passou de 40 mil pessoas. Um set coeso equilibrou Thunderstruck, You Shook Me All Night Long e clássicos setentistas, mantendo a plateia em constante coro. A produção, dessa vez, espelhou a turnê internacional com fidelidade técnica.
Em 1996, a energia percussiva e a cenografia da “bola de demolição” viraram assunto de bar — e de arquivo de TV.
A noite de 2009 que virou despedida de uma era
O retorno seguinte chegou em 2009, no Morumbi, com cerca de 65 mil pessoas. O álbum Black Ice, lançado com estratégia incomum de venda exclusiva em redes de varejo na América do Norte, turbinou o interesse. O repertório juntou faixas novas e hinos de estádios, com guitarras afiadas e canhões em sincronia.
Aquela turnê acabou marcada por um adeus silencioso: foi a última com Malcolm Young, arquiteto rítmico do grupo. Diagnosticado com problemas de saúde, ele deixou os palcos em 2010. Anos depois, Stevie Young, sobrinho de Malcolm e Angus, assumiu a guitarra base, preservando o pulso de três acordes que empurra a locomotiva desde os anos 1970.
O novo capítulo de 2026 e o que esperar
A banda volta ao mesmo endereço paulistano em 24 de fevereiro de 2026, no estádio MorumBIS, com The Pretty Reckless na abertura. A agenda latino-americana inclui ainda Santiago, Buenos Aires e Cidade do México. A venda de ingressos no Brasil começa em 7 de novembro, às 10h, via plataforma oficial.
Venda de ingressos: 7/11, às 10h. Local: MorumBIS, São Paulo. Abertura: The Pretty Reckless. Datas na região confirmadas.
- 24/02/2026 – São Paulo, Brasil (MorumBIS)
- 11/03/2026 – Santiago, Chile
- 23/03/2026 – Buenos Aires, Argentina
- 07/04/2026 – Cidade do México, México
Linha do tempo dos palcos brasileiros
| Ano | Cidade | Local | Público estimado | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1985 | Rio de Janeiro | Cidade do Rock | ~250 mil (15/1) + ~280 mil (19/1) | Sino de Hells Bells substituído por réplica; duas noites históricas |
| 1996 | Curitiba | Pedreira Paulo Leminski | 30 mil+ | Turnê Ballbreaker; retorno de Phil Rudd |
| 1996 | São Paulo | Estádio do Pacaembu | 40 mil+ | Cenário com “bola de demolição” em guindaste |
| 2009 | São Paulo | Morumbi | ~65 mil | Black Ice Tour; última turnê com Malcolm Young |
| 2026 | São Paulo | MorumBIS | a definir | Turnê de Power Up; abertura de The Pretty Reckless |
Detalhes que moldaram cada era
Em 1985, o país ganhou protagonismo com imagens aéreas e riffs que atravessaram o Atlântico. A questão técnica do sino mostrou os limites da infraestrutura de um festival nascente, mas não reduziu a catarse coletiva. Em 1996, a reunião de Phil Rudd recolocou punch e balanço no repertório, com Rick Rubin aparando arestas no estúdio. Em 2009, a montagem de estádio elevou o padrão de produção, e o show registrou o fim de uma formação.
As músicas que selaram pactos com o público
- Anthem de abertura que muda conforme a turnê, mas mantém velocidade e tensão.
- Sequência central com Back in Black, Thunderstruck e You Shook Me All Night Long para coros massivos.
- Final pirotécnico com T.N.T., Highway to Hell e For Those About to Rock.
Clássicos em sequência funcionam como relógio: aquecem, explodem e encerram no ponto exato para virar memória coletiva.
Como se preparar para 2026
Organize o dia com antecedência. Chegue cedo para filas de revista e acesso digital. Baixe o ingresso oficial no celular e ative o brilho máximo na hora da leitura. Leve documento com foto. Use calçado confortável; o gramado e as arquibancadas exigem atenção a degraus e poças, caso chova.
Proteção auricular reduz fadiga e protege a audição. Hidrate-se e identifique pontos de água e banheiros ao entrar. Combine um ponto de encontro com amigos, já que o celular pode ficar sem sinal. Prefira transporte público ou aplicativos em trechos finais, evitando bolsões de bloqueio viário.
O que pode mudar no set e no palco
O grupo costuma manter uma espinha dorsal de clássicos, com duas ou três trocas ao longo da turnê. A inclusão de faixas de Power Up é provável. A cenografia tende a privilegiar canhões, sinos e telões de alta definição. A dinâmica vocal e o tempo de show ficam na casa de 2 horas, com intervalo mínimo entre blocos.
Riscos e vantagens para quem compra primeiro
Compras na abertura da venda ampliam chances de setores centrais e preços promocionais. O risco recai sobre instabilidade de filas virtuais e erros de digitação. Cadastre dados antes do início, teste cartão e tenha alternativa de pagamento. Desconfie de revendas não autorizadas; fraudes ainda circulam com QR codes clonados.
Para quem pensa em ampliar a experiência, a sequência de datas no Cone Sul permite planejar uma “rota do rock” com voos curtos entre São Paulo, Santiago e Buenos Aires. Pesquise bagagens leves, seguro e horários de metrô nas capitais para evitar atrasos e gastos desnecessários.


