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Empreendedorismo materno: autonomia de tempo para trabalhar e estar perto dos filhos

by Redação taofeminino Published on 2 de setembro de 2016

O caminho para trabalhar de forma independente e estar perto dos filhos pede planejamento, disposição, apoio da família e, claro, uma boa ideia. Por Juliana Couto

Você mal aprendeu a conhecer seu filho e a se reconhecer como mãe e está na hora de voltar da licença-maternidade para o seu emprego. Não se culpe se você quiser continuar sua carreira profissional e menos ainda se quiser conciliar seu emprego com a criação do seu filho. O grande desafio será conseguir conciliar uma rotina de trabalho com horários específicos e presença na vida dele. O que tem se tornado saída para muitas mães (e pais) é o empreendedorismo, com a promessa de ressignificar a carreira (ou mudar completamente de ares), ter uma renda fixa, ainda que a longa prazo, e principalmente ser dona do seu próprio horário estando perto dos filhos. Em dados: projeção do Sebrae-SP registra que, até 2020, os empreendimentos individuais devem chegar a 47% no setor (em 2000, esse levantamento caminhava para 32%). Para completar, ainda de acordo com o Sebrae-SP, em 2014 7,2 milhões de mães empreendiam no Brasil.

Começar um negócio do zero com a promessa de poder criar os filhos sem o engessamento de horário e sem necessariamente ser influenciada pelo deslocamento – o empreendedorismo materno digital é um espaço com muitas possibilidades – não é tarefa simples, mas já existe uma rede de apoio para a mãe que quer mudar, a exemplo dos projetos Maternativa, Empreender Materno e Academia de Mães Empreendedoras, comandados, claro, por mães.

O Maternativa nasceu de uma necessidade individual de Camila Cristina Conti (SP) e Ana Laura Castro (SP). Em 2013, grávidas, elas já pensavam em como seria a vida no trabalho pós-filhos. “Tínhamos o desejo de amamentar em livre demanda (e manter a amamentação o máximo possível) bem como manter o vínculo e a proximidade com nossos filhos. Temos a consciência de que o mercado de trabalho é extremamente despreparado para receber e lidar com as mães puérperas, por isso, decidimos que iríamos para outro caminho. Pensamos o projeto e o colocamos no papel, inclusive, já com o nome. Com a chegada dos bebês, nos concentramos nos cuidados com eles e em 2015, quando eles completaram um ano, começamos a sentir a necessidade pessoal e financeira de retomarmos nossos trabalhos, mas sem necessariamente voltarmos para as empresas. Decidimos investir em nossos próprios negócios e, nesse processo, fomos sentindo todas as dificuldades em empreender. Criamos o grupo em junho de 2015, inicialmente com nossas amigas, e naturalmente ele foi crescendo”.

A história de Barbara Vitoriano (MS), 30, mãe de Julia, de oito anos, e Isadora, quase três, começa com a primeira filha, mas se concretiza apenas com a segunda. “Quando minha primeira filha nasceu, comecei a trabalhar com blogs, mas eram um complemento da renda e uma realização pessoal. Somente quando engravidei da minha segunda filha que encarei o desafio de empreender, e hoje percebo que foi na hora certa. Eu precisava vivenciar tudo para ter bagagem para empreender. Cada emprego, cada chefe meu foi de extrema importância e acredito muito que empreendi em cada emprego que tive. O Empreender Materno começou quando eu comecei a trabalhar com o Indiretas Maternas. Muitas leitoras me perguntavam como eu fazia para gerar renda com meu blog e foi aí que vi que havia um nicho de mercado: mães que queriam empreender, mas precisam de iniciativas que as acolhessem”, conta.

Na onda do empreendedorismo materno digital, a neuropsicóloga Melodia Moreno (BA), mãe da Lulu, criou a A.M.E, a Academia de Mães Empreendedoras, curso on-line com o objetivo de orientar mães em seus projetos de empreendedorismo digital feito por Melodia, coach em empreendedorismo. Melodia é também criadora do CONIMEPE, Congresso Internacional de Mães e Pais Empreendedores, no qual convida palestrantes que são empreendedores para falar de assuntos relacionados a administração de um negócio e a maternidade e paternidade.

Sabe a rede de apoio que toda mãe precisa para conseguir amamentar? Ela também precisa para conseguir sair do emprego formal e migrar para o empreendedorismo. As três propostas, com frentes de ação distintas, se encaixam na rede. Com mais de 10 mil mães em um grupo fechado do Facebook, o Maternativa atua com debates, conversas, compartilhamento de informações, conteúdo e pesquisas, além de possuir site, com mais de mil empresas maternas cadastradas, blog, encontros presenciais para discutir empreendedorismo e a maternidade. O Instagram da rede é um caso à parte: mais de seis mil seguidores acompanham as repostagens das empresas de mães que são maternativas. Quem segue o perfil tem acesso a produtos exclusivos de produtores locais. Em três anos de projeto, o Empreender Materno atende mais de 20 mil mães. No site, a mãe que quer empreender consegue seguir uma lógica para começar, se informar, começar a estruturar sua ideia e se atualizar. Como a própria Barbara define, o Empreender é uma espécie de mentor. Lá, além de cursos, se encontram materiais gratuitos para downloads e posts com dicas e reflexões para empreender, por exemplo, como usar Snapchat em um negócio ou como alavancar o perfil no Instagram. As palestras e os cursos do CONIMEPE podem ser adquiridos on-line em pacotes específicos; entre os assuntos, gestão de tempo, como abrir uma loja on-line, como descobrir potencial criativo, Facebook ads. O A.M.E, lançado em agosto de 2016, é uma série de vídeos on-line disponibilizados gratuitamente por tempo limitado.

Por que (e como) uma mãe se torna empreendedora

O caminho do empreendedorismo materno é um contexto. De um lado, um mercado incapaz de absorver a mulher que tem filhos, principalmente quando eles são pequenos. De outro, a oportunidade de ter qualidade de vida e gerenciar seu próprio tempo. Para Camila e Ana Laura, o modelo de trabalho é inflexível em muitos sentidos, especialmente em relação à jornada de trabalho. Homens e mulheres são obrigados a ficarem muito tempo longe de suas famílias, o que impede os impede de compartilhar os cuidados igualmente. Os casais costumam optar por manter apenas um dos membros trabalhando – majoritariamente os homens (!), enquanto as mulheres ficam com as crianças (e, infelizmente, sobrecarregadas com a rotina de cuidar dos filhos e da casa). Segundo Camila e Ana Laura, “As mulheres têm outros interesses em suas vidas, que vão além dos filhos, e o desejo de trabalhar ou retomar às suas carreiras vai aumentando à medida que as crias crescem. A partir desse movimento, muitas escolhem empreender para ter mais autonomia, para fazer aquilo que gostam, para manter a proximidade com a família e para resistir a esse modelo de trabalho que tanto nos oprime”. Para Barbara, os principais motivos para se tornar uma empreendedora são autonomia de rotina e controle sobre o trabalho. Ganhar mais também é um fator importante, porque as mulheres percebem o potencial de ganho, que é muito limitado no mundo corporativo. Para ela, também tem a ver com encontrar um lugar no mundo. “Um filho muda nossa visão de futuro, queremos deixar filhos melhores para o mundo e queremos deixar um mundo melhor para eles. Nesse caso, sabemos que, ao empreender temos a possibilidade de mudar a sociedade em que vivemos. Mas sem dúvida, a principal razão está ligada a ter uma vida mais equilibrada em suas diversas áreas”, explica.

Como uma mãe se torna empreendedora? Barbara é objetiva: quando o filho nasce. A mulher adquire todas as habilidades empreendedoras e mesmo que ela não pense em abrir um negócio, empreendedora ela já é. “O que algumas fazem é potencializar isso para o mundo dos negócios. O papel da família é fundamental, porque a decisão de empreender vai impactar diretamente na rotina, na vida e no futuro de todo mundo. Por isso, as decisões devem ser partilhadas, a correta divisão das tarefas e funções de cada família, o apoio emocional é imprescindível, e claro, o planejamento financeiro deve ser feito e bem pensado”. Quem empreende trabalha mais e demora mais tempo para ter retorno. E, claro, buscar conhecimento, inspiração e formação. “Quem não vem de uma família empreendedora ou que tem um histórico apenas de trabalho no mercado tradicional precisa se envolver no universo empreendedor, conhecer experiências que deram certo e buscar seu caminho pessoal. E também desconstruir a crença de que é necessário dinheiro (ou muito dinheiro) para começar um negócio. Para alguns segmentos é necessário algum investimento, mas para outros, não. Boas ideias com boas parcerias podem acontecer sem dinheiro. A Rede Maternativa começou com uma ideia, uma boa parceria e nenhum real”, contam Camila e Ana Laura.

Sim, é preciso mais que uma boa ideia. E também é preciso que as mulheres saibam que são capazes. Para Barbara, o mundo vive dizendo que as mulheres não são capazes de muitas coisas e tudo o que muitas mulheres (que são mães e que não são) precisam de confiança, que mostre que elas são geradoras. “Elas constroem o mundo, criam e educam toda uma geração e são muito mais capazes de realizarem qualquer coisa a que se proponham”. Nesse sentido, o processo de empoderamento é essencial. Quando percebe esse poder gerador dentro de si, a mulher se transforma e ajuda a empoderar outras mulheres – e assim a rede do empreendedorismo materno se expande. Para Camila e Ana Laura, empoderamento tem a ver com sentirem-se fortalecidas e seguras para seguirem seus caminhos, quaisquer que eles sejam. “E para isso é necessário unir-se a outras mulheres, quebrar paradigmas e desconstruir o machismo que permeia nossa educação enquanto mulheres. O empoderamento surge a partir de uma tomada de consciência que não acontece da noite para o dia. É um processo lento e que exige reflexão. Ao empreender, as mulheres precisam, naturalmente, tornar-se conscientes da sua capacidade, do valor do seu trabalho e da importância que elas têm para a sociedade. Isso tem a ver com autoestima, com acreditar em si mesma, com entender-se como um ser humano importante e necessário para a nossa sociedade. Isso, para nós, é empoderamento”.

Se você quer se tornar uma mãe empreendedora e não sabe por onde começar, o primeiro passo é refletir sobre as habilidades que você já possui e buscar uma rede de apoio. Depois de se informar e buscar conhecimento, o próximo passo é tirar o planejamento do papel. Existe aí um caminho de buscar uma ideia e validá-la no mercado para que se poupe tempo e dinheiro, bens tão preciosos para os empreendedores. Um dos mercados em ascensão no empreendedorismo é o on-line, que atende muito também a demanda de mães que querem empreender, já que a internet permite trabalhar de qualquer lugar, com ferramentas que facilitem o trabalho e autonomia de rotina. Encontrar-se com mães que já atuam no ramo, por exemplo, é uma maneira de entender mais sobre o mercado e trocar experiências. Os encontros do Maternativa permitem que aquelas 10 mil mulheres da rede possam se conectar além do mundo on-line. No Cafeína, o foco da discussão é o mundo dos negócios. No Namastreta, debate e reflexão sobre diversos assuntos. De qualquer maneira, ambos os encontros aglutinam uma série de assuntos e questionamentos que, problematizados olho no olho, permitem a criação de mais amizades, vínculos e parcerias.

Empreendedorismo materno na prática

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Ser mãe e empreender na vida real inclui muitas questões estruturais, como organização financeira, e muitas mais práticas, sobre rotina, com quem deixar a cria, onde deixar a cria, como dividir horário de trabalho, tempo para a família, tempo para outras atividades. O Taofeminino conversou com algumas mães empreendedoras da Rede Maternativa sobre como começar a empreender, rotina com filhos, participação do(a) companheiro(a). As experiências relatadas abaixo diferem em todos esses aspectos, o que demonstra que empreender varia muito de acordo com a bagagem profissional que a mulher já possui e principalmente de acordo com o tempo que ela tem disponível para trabalho e filhos.

“Tornei-me empreendedora um pouco depois que a minha filha nasceu. Quando acabou minha licença-maternidade, não quis voltar para aquele ritmo e jeito de trabalhar, pois era incompatível com a maternidade que eu gostaria de experienciar. Eu trabalhava como arquiteta paisagista em um escritório. Entrava às 9h e saía depois das 18h. Não queria que a minha filha tão pequena, que ainda mamava exclusivamente, ficasse tantas horas longe de mim. Na época, meu marido estava em um bom emprego e a gente tomou a decisão de eu ficar cuidando dela.
Eu percebi uma demanda não atendida do mercado quando precisei comprar um sling para mim. Eu não encontrei nenhum sling com uma cor e estampa que tivessem minha cara, que eu me apaixonasse. E sling, para quem vive esse estilo de vida que inclui mais os filhos, é um item essencial, que você usa todos os dias, o dia inteiro. É quase como se fosse uma peça de roupa! Eu queria um que achasse muito bonito! Isso ficou na minha cabeça. Decidi fazer um sling para mim e outro para o meu marido com a nossa cara. Acabei fazendo alguns a mais para vender e vendi todos. As pessoas gostaram, indicaram, eu fui recebendo mais pedidos e encomendas e o negócio foi crescendo. Quando a minha filha cresceu e eu precisei de um carregador de bebê mais estruturado, descobri os cangurus ergonômicos e decidi fazer também. Aí a coisa deslanchou. As Mochiliks conquistaram as pessoas por sua beleza e praticidade. Não precisei fazer um investimento alto para lançar a marca. Fui crescendo aos poucos e minha marca foi ganhando força muito por indicação.
Quando minha filha era pequena, eu peguei uns projetos de paisagismo em parceria com uma amiga que não tinha filhos. Isso foi muito bom, pois ela segurava as pontas quando eu não podia; quando, por exemplo, a minha filha ficava doente ou a gente tinha tido uma noite difícil. Desde os 7 meses, eu e meu marido contratamos uma pessoa para nos ajudar em casa e com a nossa filha e era com essa pessoa que ela ficava quando eu precisava sair. Quando ela cresceu um pouco, alguns dias da semana ela ficava na casa de uma amiga com mais algumas crianças da idade dela acompanhada por uma educadora. Um pouco depois, estes e outros pais nos juntamos para criar um espaço de convivência de famílias e minha filha ficava algumas manhãs lá. Hoje em dia, ela vai de três a quatro períodos por semana em um espaço de brincar e uma tarde na casa da avó.
Como eu não tinha quase nenhum dinheiro guardado para iniciar a empresa, fui crescendo bem devagar, sem correr muitos riscos. Fui aumentando a produção conforme fui entendendo a demanda do mercado. Fui bem conservadora em termos de investimento financeiro em minha empresa.
Meu companheiro trabalha em uma outra empresa e fica aproximadamente 12 horas fora de casa. Temos o apoio da nossa ajudante de casa, da avó, deste lugar onde ela vai brincar e de algumas amigas, pontualmente. Quando ele está em casa, fica bastante com a nossa filha. Ele me ajuda em algumas coisas na empresa eventualmente, por ser publicitário.
Para as mães que querem empreender, eu aconselho achar um produto ou serviço que o mercado esteja carente e que seja algo que você acredite e que se sinta realizada em se dedicar. Às vezes, pode não ser algo muito diferente do que você já fazia, mas pode ser um jeito diferente de trabalhar. Outra dica é fazer muitas parcerias! Trocar com quem está no mesmo caminho, pensar ações junto, em que ambos possam se beneficiar. Fazer parcerias também no cuidado com os filhos! E estar antenada nas novas tecnologias, nas novas formas de divulgação do trabalho.”

Ana Luiza Petlik, mais conhecida como Tuca Petlik (SP), 36, comanda a Petlik Sling. Mãe de uma menina de quatro anos, só teve retorno financeiro significativo dois anos depois que lançou sua marca.

© Divulgação/Petlik Sling

“Nunca imaginei que empreenderia, foi algo que aconteceu. Sou engenheira civil e ainda trabalho como CLT na minha área. Durante a licença-maternidade do Gabriel, logo após ele ter nascido, coloquei em prática uma vontade que tinha a muito tempo: escrever um blog. Dei início ao "Engenheira que virou mãe". Comecei de brincadeira e ele foi crescendo. Voltei a trabalhar quando o Gabriel estava com cinco meses e ainda continuei com o blog, no mesmo ritmo de postagens. No início, de verdade, a ideia era criar algo que pudesse dar retorno financeiro e estar perto das crias. Mas o blog era um hobby, apesar de ter conhecido diversas formas de fazê-lo dar retorno financeiro, não era algo que eu achava certo, pois não me achava boa suficiente para cobrar por um post, por exemplo. Um pouquinho antes de voltar ao trabalho, pensei em abrir uma loja on-line de brinquedos educativos (eu já tinha tido uma pequena experiência com vendas on-line, quando vendi bijuterias), porque é uma linha que ADORO e que vejo muito pouco. Não é algo muito acessível, não encontramos com facilidade em qualquer lugar e era uma ideia muito melhor do que a de querer lucrar com o blog. Pesquisei alguns fornecedores e não achei que era algo que daria certo, demoraria muito para lucrar com os brinquedos o equivalente ao meu salário. Abandonei a ideia e voltei ao meu trabalho de CLT e fui levando a vida. Pouco tempo depois uma conhecida próxima informou que estava abrindo uma loja on-line de brinquedos educativos. Foi um baque para mim! Conversamos bastante, falei todas as ideias que tinha sobre produtos e a loja. O assunto ficava martelando na minha cabeça. Por que ela fez o que não tive coragem de fazer? Eu não preciso TROCAR meu emprego pela loja, eu posso tocar os dois até que ele se torne sustentável e aí sim posso trocar. E nesse meio tempo, por contar do blog, eu já tinha conhecido diversas mães empreendedoras de diversos segmentos. Vi à venda um produto que eu conhecia o fabricante (que faz venda ao consumidor final) sendo vendido numa outra loja (de uma mãe empreendedora). Eu me interessei e descobri que a fabricante do produto tinha um sistema de revenda. Já estava certa que começaria a revenda, mas achava que tinha que avisar a mãe empreendedora (que conheci por causa do blog) para evitar algum mal-entendido, afinal tínhamos nos aproximado e de um dia para o outro eu começaria a vender um produto que na época era o carro chefe da loja dela! Montei um e-mail explicando tudo isso e recebi de volta muitas dicas. Nunca imaginei que essa seria a resposta daquele e-mail. Trocamos telefone e ela me dava muita dica, muita mesmo. Das mais diversas: plataformas, fornecedores, envio de produtos, embalagem, divulgação. Ela foi a responsável pelo EMPURRÃO que eu precisava levar. Expliquei inclusive sobre a conhecida que estava abrindo a loja de brinquedos, que achava que ela ficaria chateada, que minha vontade era ter brinquedos, mas que achava que não pegaria bem, afinal ela iria abrir uma loja só com brinquedos! E aí vem a primeira lição: ‘Nunca deixe de fazer nada por causa de outra pessoa! Se você quer, FAÇA, não espere nada de ninguém, a não ser de você mesma!’. Ela me falou algo que não esqueço (nessa altura minha conhecida, tinha avisado que iria abrir a loja, mas não tinha aberto ainda): ‘E se ela por algum motivo não abrir a loja? Se ela desistir? E você ficar esperando para ver se ela vai abrir, como vai ser, com o que ela vai trabalhar? E aí você também não abre a sua por conta disso? Existe espaço para todo mundo! Cada um tem que conquistar o seu espaço e batalhar para manter ele’. Empurrão mais do que dado: fechei o sistema de revenda, passei duas noites junto com o marido criando a logo e nome. A ideia do nome foi dele, eu só queria que fosse algo ligado à minha profissão. Ficávamos pensando em diversas possibilidades e quando bateu o ENGENHOCARIAS me apaixonei. Comecei a trabalhar divulgando os produtos no Facebook, fui em um atacadista de brinquedos educativos, fiz uma compra e abri o site! Não era uma loja exclusiva de brinquedos educativos, mas tinham eles lá. Trabalhava muito com boca a boca, grupos de Facebook e fiz alguns anúncios com blogueiras nas redes sociais, não sei dizer quanto gastei com divulgação. Não foi algo pensado, feito antes, não houve um lançamento oficial, fui fazendo e tocando a loja (e trabalhando fora, cuidando das crias, da casa).
Como eu ainda trabalho fora desde sempre, as crianças ficam com minha mãe durante o tempo que estou fora de casa (ela é meu ANJO). As coisas da loja, levo nos horários mais malucos possíveis e com muita ajuda dela e do marido (que é quem ajuda nos momentos que preciso trabalhar em casa e elas estão aqui). Isso significa empacotar e passar pedidos para confecção até à uma e meia da manhã, para acordar às cinco horas para ir trabalhar no escritório. Não é fácil! Mas é prazeroso! Com o Gabriel que está na fase da bagunça e não para um segundo é complicado. Mas a Laura me ajuda muito, a fazer pacote, separar produtos! Ela se diverte na loja da mamãe.
É essencial ter controle financeiro. Tenho tudo anotado, planilhado, controlado. O que sai, para onde vai e de onde veio. Sei quanto a loja deve para o meu bolso (investimento inicial que fiz). E sei que é confortável minha situação, pois não dependo do dinheiro da loja financeiramente. Mas é muito prazeroso ver ela andando sozinha.
Eu ainda não saí do emprego formal! Mas o essencial é ACREDITAR, principalmente em si mesma! Se você acha que você consegue, fará de tudo para fazer! E conseguirá. Mas empreender não é só querer, tem que dedicar e trabalhar muito (essa é a grande ilusão de quem quer empreender). Empreender não é tão lindo quanto parece, não é não ter chefe, não ter horário, é ter tudo isso!! Quase que 24 horas por dia. E no meu caso ainda não ter salário certo no final do mês!”

Alessandra Soares Antunes Garcia (SP), 34, mãe de Laura, três anos, e Gabriel, um. Comanda a Engenhocarias desde 2015. Ainda não teve um retorno financeiro que pague um salário (e como ela mesmo afirma, nem espera que isso aconteça em tão pouco tempo). Atualmente, a Engenhocarias se paga e se reinveste.

© Divulgação/Roupa para brincar

“Algo já vinha se transformando em mim desde antes da gestação, só não sabia identificar exatamente que não gostava do meu trabalho, já que eu "deveria"; era relativamente bem remunerada e reconhecida.
No momento em que me vi obrigada a me separar da minha filha para voltar ao trabalho, ela estava com cinco meses e meio, ficou muito claro que aquilo não fazia mais sentido para mim. Me arrumar todos os dias para ficar longe dela era um verdadeiro martírio e toda vez que sentia meu peito enchendo de leite, tinha certeza que era ela me chamando. Passei nove meses gestando a minha saída do trabalho e antes de dar um tchau definitivo (dado pela empresa), fiz curso de formação de doula e comecei a doular minhas primeiras gestantes, voluntariamente, ao mesmo tempo em que trabalhava e cuidava da minha filha. Ao ser demitida, tinha certeza que montaria um negócio para tocar paralelamente a carreira de doula, só não sabia exatamente o quê.
O mais interessante é que o meu professor de ioga já havia me sugerido mexer com joias, já que já trabalhava no ramo, e eu imediatamente refutei. Meses depois, a mesma sugestão veio da minha doula e eu neguei novamente. Foi em um processo de coaching que reconheci que minha "aversão" a joias era, na realidade, o estresse que trazia da minha antiga carreira, tão saturada já estava. E como uma lâmpada que se acende, comecei a imaginar joias que representassem a minha paixão pelo universo de parto e amamentação.
Sim; eu consumiria estas joias e tinha certeza que muitas mulheres também se interessariam. Mulheres e profissionais apaixonados pelo tema, porque quem trabalha com isso se orgulha e quer mostrar. Quem passa por uma experiência linda de parto, ainda mais diante do cenário obstétrico do Brasil, saboreia uma vitória e também quer recordações, assim como nossa relação superafetiva com amamentação merece esta representação.
Comecei com estoque baixo e fui surpreendida no dia do lançamento da página. Criei a linha Desenho da Cria e Grafia Infantil que fala diretamente aos corações, pensando nos clientes que atendi por tantos anos, em joalheria de shopping, que chegavam lá procurando os famosos bonequinhos para representar seus filhos. Eu sempre achei isso bem impessoal e queria arranjar um meio de personalizar e tornar a joia única. Cada pedido que recebo vem junto com uma história especial. Já chorei lendo os relatos de meus clientes, sobre as histórias por trás das joias e ao enviar sabia que não era só uma joia, era uma parte importante de suas vidas.
Amamentação para mim é uma paixão e uma causa. Sou verdadeiramente apaixonada por isso e penso que quanto mais mulheres representando isso por aí, melhor. Me encho de orgulho. Como conselho, se puder, faça um coaching para olhar com mais clareza. Procure um trabalho que se orgulhe em fazer, para enfrentar os momentos difíceis com amor no coração.”

Perla Zandoná (SP), 39, mãe da Izabela, de dois anos e cinco meses, está à frente da Inata Joias, empreendendo com joias voltadas para o tema da maternidade, como amamentação, família, parto. Para lançar a Inata ela precisou fazer um investimento, mas não um valor alto.

"Eu, Renata, sou jornalista e a Telma, minha amiga de infância e comadre, fisioterapeuta. Sempre conversamos sobre esse universo materno e sobre a falta de roupa para criança no mercado infantil. Maiô e biquíni com bojo em numeração infantil, sandálias com salto, até a Melissa, que faz algo lúdico incrível só tem numeração até o 21, ou seja, não serve mais na minha filha de 4 anos. Supondo que criança de cinco anos não vai gostar de uma sapatilha de cachorro ou coelho. Enfim, foi nas férias escolares de 2014/2015 que pensamos em criar uma marca com roupa confortável e resistente para criança brincar, roupa para brincar. O nosso produto número um são as leggings, em tecido tecnológico, com UV50+, altamente resistente - test drive feito com nossas filhas, que SEMPRE furaram leggings nos joelhos. Depois vieram os maiôs/collants, para usar tanto na praia e na piscina como em atividades físicas: ballet, aula de circo, ginástica artística etc. Em um mês estávamos já produzindo as primeiras peças, quebrando a cara e tentando aprender sobre esse mercado, que não conhecíamos. Bom, um ano e meio depois, continuamos aprendendo e quebrando a cara ainda, mas têm sido mais fácil. Nosso investimento foi bem pequeno, mesmo. A cada vez, reaplicávamos nosso "lucro" e aumentávamos a produção. Mas começamos fazendo bem poucas peças mesmo, indo devagar e sentindo o mercado e a aceitação, que foi ótima desde o começo.
A gente tenta se organizar todos os dias, trabalhamos em casa, com as crianças dentro de casa meio período, então tem dias caóticos, exaustivos. Mas separamos um cômodo da casa para o escritório nosso. Eu tenho o meu na minha casa e a Telma tem o dela. A gente faz tudo mesmo, leva e traz da escola, vende, responde e-mail, dá banho, organiza o almoço e assim vai. Somos só nós duas, não temos funcionários, então assim que é.
Se você está em um trabalho e pensando em plano B, aconselharíamos ir, nas horas livres/madrugadas, ir testando o novo empreendimento, para sentir se ele tem adesão. Pedir retorno dos amigos, isso é muito importante. A gente é bem aberta, então os amigos e os clientes dão um feedback importantíssimo para nós, levamos isso muito a sério. Um reclamou, vamos olhar e ver se é isso mesmo. Dois reclamaram, já estamos reavaliando e tentando corrigir a falha.
Nos primeiros meses nós não tivemos salário e, nosso acordo, era depois de seis meses reavaliar a "empresa", se era isso mesmo, se daria certo. Então, se for possível ter por seis meses uma renda, ótimo. Nossos maridos trabalham em outras áreas, eles são participativos. Mas trabalham quase sempre em horário comercial, com algumas exceções. As funções das crianças, diria que 80% ou mais, é nossa mesmo. Brincamos de gincana diariamente."

Renata Gallo (SP), 38, e Telma Gagliardo (SP), 38, estão à frente do Roupa para Brincar. São mães de Renata, sete, e Anita, quatro; e Laura, oito, e Lucas, dois, respectivamente. Levaram em torno de um ano para ter um retorno financeiro significativo com a marca.

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