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As personagens negras (e poderosas!) das séries de televisão

by Geovana Pereira Published on 17 de agosto de 2016
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Mulheres negras subservientes? Aqui não!

Quando a representatividade negra na televisão é exigida, são colocados personagens estereotipados, dispensáveis e sem aprofundamento nenhum. Os papéis destinados às mulheres negras são os de empregadas domésticas, mulheres hipersexualizadas, mentalmente inferiores ou nervosinhas totalmente levadas pela emoção. É extremamente raro encontrarmos negras bem sucedidas nas telinhas: é como se não fizessem realmente parte da sociedade. Quer representatividade de verdade? Aqui estão seis personagens atuais de mulheres negras que dão sentido à palava empoderamento.

Uhura - Star Trek

Simplesmente uma mulher negra na ponte de comando e com uma patente alta em um filme de ficção científica de 1966. Demais, né? Sem contar que ela também participou do primeiro beijo inter-racial transmitido na TV americana. Além de interpretar Uhura na série original de Star Trek e nos longa-metragens para o cinema, Nichelle Nichols participou (mesmo que minimamente) da construção da personagem ao nomeá-la junto com Gene Roddenberry. A propósito, Uhura é derivado de uhuru, palavra da língua africana suaíli que significa “liberdade”. É tanta importância que a deusa Whoopi Goldberg conta que, ao ver Uhura quando criança, disse para sua família: “Acabei de ver uma mulher negra na televisão e ela não é uma empregada!”.

Trata-se de uma série revolucionária, claro – porém, limitada. Podemos problematizar a participação de Uhura na história, uma vez que ela não expressava tanta igualdade ao ser comparada com os homens e figuras brancas. Nichelle Nichols chegou a se sentir desconfortável com o papel, pois não ocupava uma posição de tanto destaque, mas foi incentivada a continuar por ninguém menos que Martin Luther King. Desde então, Uhura já foi interpretada por Julienne Irons e, na franquia atual, o papel pertence à Zoë Saldaña.

uhura

Annalise Keating - How to Get Away with Murder

Com uma personalidade extremamente forte, Annalise obtém sucesso na vida profissional pela sua inteligência e destreza. A personagem é intensa: erra e acerta, chora e faz muita gente chorar, participa de flashbacks que fazem o coração parar e não é nada óbvia. Trata-se de uma personalidade complexa, daquelas que nos deixa pensando: amamos, devemos odiar, ou amamos odiar essa mulher? Um papel pensado, elaborado e não uma personagem dispensável jogada em um roteiro para gerar uma representatividade vazia.

A rainha Viola Davis interpreta a Annalise com perfeição, tanta que se tornou a primeira negra a receber o Emmy de melhor atriz em série de drama com esse papel! Lembram do discurso ma-ra-vi-lho-so que ela fez? “Você não pode ganhar uma Emmy por papéis que simplesmente não existem”, disse Viola, sobre a falta de oportunidades para as mulheres negras.

Voltando à personagem, Annalise é advogada de defesa e professora universitária de direito penal. Cinco alunos são selecionados para trabalharem em seu escritório e aprenderem como se livrar de um assassinato das formas mais malucas. A série é cheia de suspense e a produtora é a mesma de Grey’s Anatomy, Shonda Rhimes. E por falar nela...

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[você chama isso de loucura, eu chamo de vencer]

Olivia Pope - Scandal

Mais uma série da linda e negra Shonda Rhimes, que coloca as mulheres negras em posições de destaque em carreiras consideradas de, bem, homens brancos. Começamos com uma advogada e agora vamos para alguém que também precisa ter muito rebolado para resolver problemas.

Olivia é a antiga relações públicas da Casa Branca e teve uma participação importante na campanha presidencial. Mas decidiu abrir sua própria empresa de gerenciamento de crises, a Olivia & Associates, que basicamente varre para baixo do pano as polêmicas que atrapalham a reputação da elite. O passado da personagem na Casa Branca vive a assombrá-la e ela não consegue seguir totalmente em frente. Olivia tem muitas crises para gerenciar em sua vida profissional e pessoal, e que crises! Mas a protagonista interpretada por Karry Washintgton joga limpo (quase sempre) e consegue administrar tudo.

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Michonne - The Walking Dead

Uma habilidade incrível para matar zumbis. Isso é o que nós vemos da Michonne em um primeiro momento. Mas a personagem da história em quadrinhos The Walking Dead não é rasa. A história de Michonne envolve muita coisa, muitos traumas, que a levam a ser essa mulher tão sagaz para a vida em um apocalipse zumbi. Na série de televisão, Danai Gurira dá vida à personagem e nos leva a refletir: em um seriado tão dinâmico com figuras tão efêmeras, é interessante que uma mulher negra ocupe um papel importante para o desenvolvimento do enredo, apesar de não ser protagonista.

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Cookie Lyon - Impire

A atriz, cantora e ativista Taraji P. Henson foi a ganhadora do Globo de Ouro de melhor atriz em série dramática de TV em 2016 com a personagem Cookie Lyon, de Empire. A série trata de muitos assuntos pertinentes aos negros americanos, como colorismo, brutalidade policial e carcerária, entre outros problemas. Cookie é co-fundadora da gravadora Empire e após passar 17 anos na prisão, busca retomar sua parte da empresa. Ela cria sua própria gravadora Lyon Dynasty, mas as reviravoltas colocam a Empire no seu caminho novamente. Com bom humor, a série mostra uma mulher líder e trata temas polêmicos com certa sutileza, mas é definitivamente uma surpresa em uma rede televisiva como a Fox.

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[Você está brincando com a #@!?& errada]

Michele Brau - Mister Brau

Não podemos deixar essa lista sem uma brasileira, não é? Então vamos fechar com a diva Michele Brau, interpretada por Taís Araújo. Na série “Mister Brau”, Michele é a esposa, empresária e coreógrafa de Brau, cantor famoso. Alegre, dona da coisa toda, poderosa, animada, rica e feminista. Sim, uma negra poderosíssima que chega a discutir feminismo negro com garotinhas na sala de aula em certo episódio. Taís adora sua personagem, e ela e Lázaro Ramos não escondem o prazer de serem uma casal tão unido também na televisão.

Uma atriz negra de sucesso em uma série inovadora exalando poder, com o papel de uma empresária refinada que vale uma comparaçãozinha com Michele Obama. A série rendeu uma boa audiência e elogios da crítica, tanto que já foi renovada para a terceira temporada. Como nem tudo são flores, um negro fora do papel de subserviente já é uma quebra de paradigmas na televisão brasileira, em que isso é tão raro. Mas não vale fugir desse estereótipo e bater em outro, como colocar negros que alcançam o poder em profissões já previsíveis e “alegóricas” como a de artista. Afinal, incomum mesmo é ver negros bem sucedidos retratados como empreendedores ou médicos.

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Texto escrito por @compergeovana e editado por @cicaarra

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