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O complexo de templos de Angkor é uma joia do Sudeste Asiático (e a gente foi até lá)

by Redação taofeminino Published on 27 de janeiro de 2017

Maior monumento religioso do planeta, Angkor foi considerado Patrimônio Mundial pela Unesco há 25 anos. Por Mirela Mazzola

Existem lugares no mundo envoltos em uma atmosfera mágica e que parecem estar presos a outro tempo. Ok, não são poucos. Mas imagine que se trata de um imenso complexo de templos em ruínas e escurecidos pelo tempo – imersos na floresta, alguns acabaram sendo "invadidos" pelas raízes das árvores, formando um conjunto estranhamente harmônico. Assim é Angkor (que significa "cidade"), na província de Siem Reap, no Camboja. Um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, a área de 400 km² é considerada Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1992.

Siem Reap: informações básicas

Por ser a base para visitar o parque (a cerca de 15 minutos de tuk-tuk), a cidade de Siem Reap é um dos destinos mais procurados do Sudeste Asiático e recebe, anualmente, cerca de 2 milhões de turistas. Portanto, não espere um passeio exclusivo: embora seja possível viajar em épocas menos lotadas e encontrar templos tranquilos, é comum que suas fotos saiam com figurantes do mundo todo. Há um aeroporto na cidade, com voos diretos de menos de duas horas a partir de Bangkok, o principal hub do Sudeste Asiático. É preciso ter visto para entrar no país, mas é muito tranquilo tirar: chegando no aeroporto, basta seguir as indicações da fila e pagar 30 dólares. Vale por 30 dias.

A grande procura também faz com que o destino ofereça boa infra para turistas, com hostels a US$ 7 a diária a hotéis de redes internacionais, como o Sofitel. À noite, quase todo mundo ruma para a Pub Street, com bares que vendem chope a US$ 0,50 e refeições típicas e ocidentais.

Como a maioria das cidades turísticas da Ásia, também há um Central Market, com temperos, frutas exóticas e souvenires. A regra, como sempre, é pechinchar. O povo cambojano é gentil e fala inglês melhor que a média dos países da região. Embora alguns pontos da cidade fiquem sem iluminação pública à noite (a luz vem dos estabelecimentos), Siem Reap é segura. Pequenos golpes podem ser aplicados dentro de Angkor, como quando um suposto "guia" se oferece para tirar uma foto de um ângulo "superexclusivo" e tenta cobrar por ela depois. Isso também pode rolar com os guardas oficiais do complexo (!). Nada grave, mas como em qualquer lugar movimentado, atenção a bolsas e pertences pessoais é sempre bem-vinda.

Angkor Wat: um breve histórico

Angkor foi a capital do Império Khmer, que chegou a abranger grande parte do Sudeste Asiático, entre os séculos 9 e 14. Afora os templos, palácios, represas e canais compunham a área, considerada a maior cidade pré-industrial do mundo e que chegou a abrigar 1 milhão de habitantes. O povo khmer é a etnia dominante no Camboja até hoje.

Angkor Wat ("wat" quer dizer templo) foi construído para ser o principal da cidade durante o reinado de Suryavarman II, hinduísta, no século 12. É o maior templo, a porta de entrada para o complexo arqueológico e o cartão-postal do país: sua silhueta estampa a bandeira nacional e as notas da moeda cambojana, o riel (pouquíssimo usado entre os turistas, em Siem Reap o dólar é amplamente aceito). Sua "torre" central é uma representação do Monte Meru, sagrado para a religião hinduísta.

O sol nasce atrás dele, o que leva a maioria dos turistas a madrugar em pelo menos um dia de visita ao complexo.

Durante a visita às dezenas de templos que circundam Angkor Wat não é difícil perceber que eles foram construídos em diferentes momentos da civilização khmer: algumas décadas depois do reinado de Suryavarman II, o rei Jayavarman VII tomou o poder e fez do budismo a religião oficial do império.

O estilo arquitetônico entre uma construção e outra é diferente e o embate entre as duas crenças pode ser visto, por exemplo, em algumas imagens de Buda transformadas em Shiva. Durante o governo de Jayavarman VII, foi construído outro templo impressionante, o de Bayon, com suas mais de 50 torres esculpidas com quatro faces de Avalokiteshvara, figura sagrada do budismo.

Também há outros templos menores, mas igualmente impressionantes, como o de Ta Prohm (lindamente tomado por raízes e hit depois aparecer no filme Tomb Raider, com Angelina Jolie) e o de Pre Rup, mais afastado e com vista para a floresta densa.

Angkor: informações práticas, ingressos e como ir

Apesar de megaturístico, lembre-se de se trata de um lugar sagrado (monges circulam e fazem orações por lá). Não tire fotos sem permissão e evite sentar muito perto, já que eles não podem tocar nem serem tocados por mulheres.

O calor não perdoa (quase sempre acima dos 30 graus), mas o ideal é visitar o complexo com uma saia abaixo dos joelhos e ombros cobertos (alguns templos, como Angkor Wat, têm isso como exigência). Lá dentro há alguns restaurantes e trailers que vendem bebidas e sanduíches, mas vale ter água e snacks ou frutas na mochila.

Chegando em Siem Reap, vá direto ao Ticket Office de táxi ou tuk-tuk comprar os ingressos: custa US$ 20 para um dia, US$ 40 para três (pode ser usado em dias não consecutivos, por uma semana) e US$ 60 para uma semana (ou sete dias não consecutivos em um mês). A segunda opção é a mais comum: em dois ou três dias você visita com calma o Pequeno e Grande Circuito. Se chegar na cidade no fim da tarde, por exemplo, pode sentir a vibe do parque e ter um overview de Angkor Wat sem que essa visita seja descontada do ingresso.

Angkor: como circular, com ou sem guia?

A maioria das pessoas prefere o tuk-tuk: dá para dividir com seu companheiro de viagem e se deixar guiar pelo motorista, que sabe de cor os roteiros do Pequeno e do Grande Circuito (ele te espera na porta dos templos o tempo que você quiser). Custa cerca de US$ 20 por dia e é fácil negociar nas áreas turísticas ou pedir indicações no hotel (a melhor alternativa). Ele te pega cedinho (entre 7h e 7h30 é um bom horário) e retorna por volta de 17h. Ir até a portaria de táxi, por exemplo, e seguir a pé não é boa ideia, por causa do calor, da extensão do parque e da perda de tempo, principalmente se você tiver poucos dias.

​Também é boa pedida ir de bike, desde que você aguente pedalar o dia todo e se sinta confortável em se guiar pelos mapas (as placas indicativas não são lá essas coisas). No centro de Siem Reap é possível alugá-las na versão convencional (US$ 4) ou elétrica (na E-bike), mas fique atenta aos pontos esparsos para recarregá-la dentro do parque. Scooters, muito comuns no Sudeste Asiático, são proibidas dentro do parque. Ir em tours de ônibus ou fechar o preço com um táxi também é possível, mas vale mais se houver crianças, idosos ou pessoas com mobilidade reduzida na turma. Inevitavelmente, de ônibus, o passeio vai ficar mais corrido.

Sobre ir ou não com guia, é aquela história: sem ele você tem mais liberdade, mas pode acabar perdendo em informação. Uma alternativa pode ser contratar o guia no primeiro dia e, depois, quando estiver familiarizado com a história e a arquitetura do lugar, ir sozinho. A diária custa cerca de US$ 20. Ah, não abra mão de um profissional oficial, contratado na associação do Ministério do Turismo ou por indicação do hotel.

Mais fotos de Angkor

Escultura em Angkor Wat © Mirela Mazzola

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