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© Estúdio Gangorra - Anne Sobotta/Divulgação
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Ioga mãe e bebê: acolhimento para ela e relaxamento para ele

by Redação taofeminino Published on 28 de outubro de 2016

Pegue o tapete, prepare o sorriso e abra a mente. A ioga mãe e bebê proporciona mais afeto entre mãe e filho e contribua para que a mãe se sinta mais leve – mães entenderão. Por Juliana Couto

Mãe sentada, bebê na frente, movimento que são simples e complexos. Em uma média de 45 minutos, nos quais são realizados exercícios de concentração com a respiração, mescla entre ioga, meditação e massagem, instrução para exercícios que acolham a mãe no pós-parto e contribuam para que o bebê relaxe, a ioga mãe e bebê proporciona à dupla (às vezes, recém-formada) poder e intimidade para se conhecerem, com apego e com carinho, sem julgamentos externos - a exemplo do excesso de colo, tão criticado pela criação moderna desinteressada na priorização da experiência do bebê -, retomada da consciência corporal da mulher no pós-parto e fortalecimento emocional.

Não é para menos. O puerpério (primeiros meses após o parto ou o começo da maternidade) é solitário. A mulher, agora mãe, está completamente inserida em um novo contexto, com um bebê, que ela pode não compreender todas as vezes. Precisa, com tempo e sem pressão, compreender a extensão das mudanças do seu corpo, que é o mesmo, mas não é. Precisa lidar com uma nova rotina submersa na materna e de reencontro com a própria identidade. A ioga mãe e bebê acolhe essa mulher e permite que ela respire fundo e relaxe, assim como o bebê.

É o que defende Anne Sobotta (SP), 46, mãe de Jada, 10, instrutora de ioga para mães e bebês e para gestantes, à frente de cursos para formação de profissionais na área. “Meu trabalho foca o acolhimento. O puerpério, o pós-parto, é uma caixa de surpresas para a mãe. Normalmente, as mães procuram pensando em resolver cólicas, choro, sono. Quando não com a mudança do pós-parto, é difícil a mãe ter um momento para ela. Não existe voltar a forma de antes do parto. Existe caminhar para um outro momento. O corpo muda com a gestação e com a maternidade. Isso precisa ser visto como um ganho, não como uma perda. Esse é um princípio do acolhimento. Mesclando ioga adaptada para bebês e movimentos de massagem, avalie-se a idade do bebê, o desenvolvimento, como ele está aquele dia. Tem muita improvisação da parte do professor, ou seja, não é aplicar uma sequência de movimentos, há necessidades físicas e emocionais. É muito terapêutico”, explica.

Além de terapêutico, fornece mais vínculo entre mãe e bebê, de acordo com Renata Laili (SP), 34, psicóloga e instrutora de ioga para gestantes e mães e bebês. “Outra coisa é fortalece vínculo mãe e bebê. É tudo com muito chamego e amor, olho no olho. É um momento em que ela está tranquila para amar aquele bebê, sem aquela pressão do “colo demais”, sem julgamentos. Em relação à mãe, tem o emocional e o corpo do pós-parto, que tem características bem marcantes. Às vezes, o bebê dorme durante a aula e os exercícios ajudam a mãe a retomar a consciência corporal, a voltar a se conectar tanto física quanto emocionalmente com ela mesma. Pós-parto também tem muita dor no corpo, nos braços, tendinite. É bom focar em fortalecimento dessas áreas”, explica.

Para a doula Ananda Felippe (RJ), 30, pode-se levar em conta os benefícios que a ioga traz para a percepção e para a capacidade de aprender a observar. Os exercícios que vão ajudar a mãe no pós-parto, seja por alguma dor reminiscente, seja pelas novas dores que ela ganhou com a chegada do bebê (o combo colo, bebê, mala e bolsa), são recomendados até os bebês começaram a engatinhar. A partir do período em que eles começam a andar, outro tipo de aula é mais adequada, já que eles começam a se distanciar e então nem mãe e nem filho conseguem praticar os movimentos. Ananda descreve uma aula: “Geralmente, a aula começa com uma concentração, todos respiram juntos para se concentrar, se acalmar e estar aberto para o que a aula trouxer. Em seguida, começam algumas massagens e exercícios com o bebê, normalmente com algum som. A primeira aula para eles pode ser estranha, mas depois eles se ambientam. Em seguida, os movimentos são feitos com bebê e mãe. Depois, um relaxamento, que varia de acordo com cada bebê. Pode ser que seja feito algum específico para a mãe, ou a mãe sai para amamentar. Depois, fecha a aula com uma meditação caminhando, ou termina em uma conversa”.

© Estúdio Gangorra - Anne Sobotta/Divulgação

Segundo Ananda, a ioga tem uma base de posturas que se chamam asanas e são comuns para vários tipos de ioga, inclusive para a ioga do pós-parto. Algumas das posturas são mais indicadas para o pós-parto do que outras. “É importante saber olhar para o bebê, compreender ele, observar ele. Precisa estar aberta para observar e entender o bebê e aceitar que é tudo novo”. Entre os exemplos de movimento que Anne faz uso em suas aulas, está colocar o bebê de bruços. Apesar de existir uma associação direta entre deixar o bebê dormir de bruços e morte súbita, os pais entendem que não podem deixá-lo nessa posição em qualquer situação. O resultado: o bebê não fortalece a coluna. “Só que essa é uma posição fundamental, benéfica. Os pais não fazem, não é mais cotidiano. Além da rotina, porque não se fica no chão, fica-se no sofá e na cadeira. Mas o bebê está no chão. Ele precisa ficar de bruços, pois isso ajuda a firmar a coluna, a prevenir cólicas. A ioga vai auxiliar de forma lúdica a mudar esse cenário, sem nunca forçar nada no bebê”, explica.

Para as três instrutoras, a aula de ioga possui uma lógica bem definida: começa com a concentração e algumas respirações e em seguida exercícios no bebê. Segundo Renata, é importante que a instrutora ensine e dê poder e intimidade a mãe. “Quem faz os movimentos no bebê é a mãe, não a instrutora. Uma mãe às vezes não sabe como lidar com o corpo do bebê e começa a se acostumar”. Depois desse período, que dura em média 20 minutos (o período de atenção de um bebê é curto), muda-se o foco. “Se antes o foco era o bebê, agora é a mãe, desde sempre cuidando da respiração dela. As queixas são comuns, como dor nos ombros, cansaço”, afirma Anne. Por fim, a aula termina com meditação, caminhada ou conversa, de acordo com necessidades que forem se mostrando ao longo da aula.

Não há contraindicações gerais para a prática de ioga para mãe e bebê no pós-parto. Os casos são avaliados individualmente e a dupla recebe orientações específicas pela instrutora. Segundo Anne, “importante fazer uma avaliação, é importante que o médico libere a prática. Com crianças com necessidades especiais, é raro atendê-las, já que elas são direcionadas para muitos tratamentos médicos. É muito comum, no entanto, trabalhar com prematuros. É um trabalho muito rico de acompanhar o bebê e acolher a mãe, que ficam muito fragilizadas”.

Danielle Maria dos Santos (RJ), 32, mãe da Cora, de seis meses, praticou ioga até três dias antes do parto e sempre considerou a prática uma atividade que transforma o corpo e a mente. Quando a pequena Cora nasceu, não havia dúvida de que faria com ela, por saber que as aulas trariam mais tranquilidade, serenidade e segurança para ela. “É muito engraçado porque na primeira aula eles ficam superagitados, achando tudo novidade, é diferente. Mas com o passar das aulas é como se eles percebessem o propósito de estar ali naquele momento e então passam a curtir cada atividade juntos. Isso certamente influencia o vínculo, pois podemos ver que o bebê sente ainda mais segurança quando está conosco e sente-se seguro para fazer cada exercício novo ou diferente”, relata. Cora é um bebê tranquilo, mas os picos de desenvolvimento, como acontece com a maioria dos bebês, costumam ser bem característicos. Nesse caso, Cora tem dificuldade para dormir. Durante os saltos, Danielle percebeu que a prática da ioga ajudou para que ela relaxasse mais e conseguisse dormir depois de toda a atividade. “Na aula, alguns movimentos são só da mãe, outros só do bebê e outros fazemos juntas. Com o bebê, alongamos bastante eles, fazemos massagem (existe a questão do toque que eu acho muito importante) e também alguns movimentos da ioga, como a posição do guerreiro e do aviãozinho. Até o relaxamento no final, com a diminuição das luzes, ela curte bastante”, conta Danielle.

Para Tatiana Jorgetti (SP), 36, mãe de Felipe, três anos, e Laís, oito meses, a ioga agrega outras formas de conexão. Ela fez ioga durante toda a gestação de Laís e sempre sentiu que era o melhor momento delas duas - e principalmente só delas. Após o nascimento da caçula, a ioga continuou se mostrando como um momento de conexão entre as duas. "Quem tem dois filhos sabe como a rotina costuma ser puxada. Nas aulas de yoga curtíamos cada momento com tranquilidade. Sempre tive um vínculo muito forte com meus filhos, mas acho que a ioga ajuda a prestar mais atenção em detalhes que às vezes passam desapercebidos. Proporciona momentos de leveza e tranquilidade na rotina normalmente intensa da maternidade", finaliza.

Rotina normalmente intensa da maternidade. Intensa, desafiadora, com muitas descobertas e adaptações, julgamentos (livre-se de todos eles e livre-se dos julgamentos que você pode vir a querer fazer com outras mães). A maternidade, principalmente a de primeira viagem em seu início, pode ser muito solitária. A ioga mãe e bebê, assim como outras atividades, como somente meditação, rodas de apoio, encontros de amamentação, encontros de pós-parto, traz muitos benefícios, como relaxamento, tranquilidade e aumento de vínculo. Mas principalmente liberdade na maternagem.

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