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Quarto de bebê montessoriano: como e por que fazer

by Redação taofeminino Published on 1 de julho de 2016

Montar o quarto do bebê é tarefa árdua e (sempre!) feita com muito amor. Saiba mais sobre o método montessoriano e como montar um quarto para o seu filho priorizando a autonomia dele. Por Juliana Couto

A máxima Montessori “Ajuda-me a fazer sozinho” representa o método pedagógico que valoriza a autonomia e o autoconhecimento da criança. Desenvolvido pela pedagoga e médica italiana Maria Montessori, o método preconiza autonomia, liberdade e o respeito pelo desenvolvimento natural da criança, de acordo com suas habilidades sociais e físicas ainda em construção. Com o boom da “criação com apego” (muitas, muitas aspas nesse conceito) e um desenvolvimento baseado na criança, que coincide com a filosofia moderna da educação, incluindo tanto o método montessoriano quanto o waldorf, por exemplo, houve um boom também nos ambientes da casa, mais especificamente no quarto do bebê.

Acreditem, esse assunto é polêmico. O período da montagem do quarto do bebê envolve muitas opiniões e ideias, muita informação sobre cores, estampas, aplicações, cama e sofá e cadeira de amamentação, acessórios e itens decorativos dos mais variados jeitos e custos. É fato que ao adotar o método montessori no quarto do bebê, os pais vão abandonar a ideia tradicional de berço com grades, guarda-roupa, cômoda, decoração temática, móbile em cima do berço, entre outras coisas, pois a proposta é fazer um quarto acessível para o bebê.

“Tudo a favor da criança”, é o que diz Michelle Caçador (SP), à frente da Kraft Wrk, loja de móveis que foi criada por ela e seu marido, Herbert, com o objetivo de reformar móveis velhos e vender. Isso porque após se tornarem pais do pequeno João, 3, ambos resolveram mudar o foco de suas vidas. “Éramos publicitários, vivíamos corridos, sem prazos e horários. Resolvemos fugir das agências de publicidade e do stress da cidade grande para investir em uma vida tranquila e apostar em uma profissão com mais realização pessoal. Descobrimos o método montessoriano no pós-parto e desde então sempre esteve presente em nossas vidas, mas nunca imaginamos trabalhar com móveis baseados nessa filosofia. Como Herbert sempre teve muita habilidade manual, começamos a produzir nossos próprios móveis com materiais de reúso, como madeira de demolição e coisas de ferro-velho”, conta Michelle. Herbert com muita habilidade manual, marcenaria inaugurada e encomenda de torre montessoriana que resultou em muito sucesso, o caminho ficou claro para Michelle: continuar e fazer outros produtos baseados no método, incentivando a independência da criança.

Mude e não comece devagar

O objetivo de Samara Nagaroto (29), SP, mãe de Beatriz, cinco meses, é permitir que sua filha tenha liberdade para se movimentar. Quando conheceu o método, viu que era exatamente o que ela e seu esposo desejavam para a Bia. “O quarto é para eles e não para nós. Eles precisam se sentir livres e ter acesso aos brinquedos. As pessoas se preocupam em fazer quartos lindos, porém não funcionais, e depois não querem que o bebê chore ou tente por si próprio fugir do berço para correr pra cama dos pais. Assim que ela aprender a engatinhar, poderá sair da caminha sem esperar por nós”, conta. Além da liberdade, a segurança. Afinal, no método montessoriano o bebê não vai tentar sair do berço e correr o risco de cair, pois a cama precisa estar próxima ao chão. Para Samara, esse risco é minimizado.

No caso de Larissa Moraes (SP), 31, mãe de Sarah, onze meses, a prioridade era o espaço e evitar que os brinquedos ficassem espalhados pela casa. Ela acompanhou o modo como a irmã montou o quarto da sobrinha – berço, guarda-roupa, cômoda etc. No fim, não tinha espaço para a criança ficar. E os brinquedos? Foram para a sala. “Ela esta com 11 meses hoje, usamos o quarto desde os seis, época em que ela começou a engatinhar. Não fiz quarto luxo como algumas mães podem fazer. Fiz o básico, coloquei colchão no chão, espelho com barra na parede e EVA no chão. Deixo os brinquedos ao alcance dela. Tomei cuidado com tomadas, e no quarto temos apenas uma cômoda na qual apoio porta-fraldas, lixeira, abajur. Ela dorme a noite comigo, na minha cama, mas passa o dia no quarto dela, e ela adora, é um grande playground para ela. Já colho os frutos do método. A Sarah é um bebeê muito esperto, fica em pé sozinha, é atenta a tudo ao redor dela, sabe se comunicar conosco. Assim que começar a caminhar pretendo estender o método a outros cômodos da casa. Eu sei que o método não se resume ao quarto, eu procuro ler pra ela também, procuro comprar brinquedos mais didáticos e deixo ela livre pra explorar o quarto, ofereço objetos com formas e texturas diferentes que despertem a curiosidade dela”, diz.

Torre montessoriana da Kraft Wrk © Michelle Caçador

A ideia do quarto montessori se baseia principalmente na acessibilidade, na interação e no desenvolvimento sensorial-cognitivo do bebê. Por isso, é preciso colocar uma cama baixa, pode ser em uma estrutura de madeira ou o colchão no chão, forrar o chão com algum isolante térmico, como tapetes de EVA (somente atóxicos), instalar um espelho na altura do bebê com uma barra transversal na frente, de modo que o bebê possa se ver e ter apoio para se levantar. Brinquedos didáticos e sensoriais, armário com função de guarda-roupa do tamanho de uma criança, ou seja, com nichos para guardar objetos e roupinhas penduradas (de modo que, no futuro, a própria criança escolha o que vestir), armários de brinquedos acessíveis a mãozinhas ligeiras.

Liberdade para ir e vir foi o que influenciou a mudança do quarto do Miguel, de um ano e oito meses, filho de Ana Gião (SP), 25. “Quando me separei, voltei a morar com meus pais e meu filho ficava no quarto comigo. Ele tinha quase um ano. Em um mês, o berço começou a me irritar. Incomodava-me muito acordar com meu filho chorando pedindo para sair do berço. Ele ficava com as mãozinhas segurando as grades de pé, e me chamava chorando. Apertava-me o coração! Achei que além de me incomodar também não estava sendo legal para ele. Colocamos uma cama baixinha que fica encostada na parede, e quando ele deita juntamos a minha cama na dele. Ele adorou a caminha nova! Agora ele acorda durante a noite e sozinho vem dormir comigo. Às vezes, até me chama para dormir na caminha dele. Depois da adaptação da cama, comprei em loja de material de construção madeiras e montei um móvel para ele poder apoiar os brinquedos e brincar sentado ou em pé, do jeito que ele quiser. Ele tem autonomia pra tudo, e fico tranquila de deixá-lo sozinho no quarto. Estamos pensando em abandonar a cômoda para um guarda-roupa que dê mais liberdade para ele escolher o que quiser. Temos banquinho para escovar os dentes e para quando for a época do desfralde. Foi de longe a melhor escolha que fiz”, conta.

O custo do quarto montessori

Para Samara, um ponto que precisa ser levado em conta para se montar o quarto montessori é o preço elevado dos produtos. Por isso, ela e seu marido optaram por criar o projeto e solicitar que um marceneiro o executasse. “A cama casinha, que se resume em menos de 20 peças de madeira fixadas, não sai por menos de mil reais. Achamos caro demais e passamos a pesquisar marceneiros que não conheciam o método. Como meu marido sabe desenhar, ele mesmo desenhou a cama e a estante de nichos e com arara, com todas as medidas para o marceneiro executar. O quarto é simples como o método pede. Paredes brancas. Ainda não compramos os brinquedos Montessori, pois ela está aprendendo a sentar.” Com o tempo, o projeto deles ficou conhecido. Em um grupo de mães do Facebook, Samara compartilhou o projeto do quarto da filha, uma mãe pediu indicação – pronto, já estava na rede. “Eu mandei nossos projetos para que pudesse compartilhar com um marceneiro. E ela também fez a caminha, então nosso projeto vai sendo multiplicado. Na verdade, o meu marido fez os desenhos apenas para que o marceneiro soubesse como fazer os móveis que queríamos. Compartilhei os desenhos sem qualquer custo. Quem quiser usar não tem qualquer problema. Não cobraremos nada por isso”, relata.

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Joanita MC (SP), 34, nome de guerra (como ela própria diz) de Joana Mackenzie, comanda a Blubelastudio - e é objetiva: “Acredito na pulverização de um design acessível. Não que eu não vise lucro, mas eu não sou a favor de nada que seja modismo ou obrigação. Para ela, o método montessori é um dos primeiros que tem como principal objetivo as atividades motoras e sensoriais aliadas à criação e à aplicação. “Maria Montessori falava sobre questões em uma época na qual as crianças eram ignoradas e tratadas como mini adultos. E o que vem com tudo atualmente é o esforço para a humanização da humanidade. Difundir valores verdadeiros. Mas também se vê uma desmoralização do conceito. A cama casinha, por exemplo, não é uma invenção montessori. Em teoria, ela dizia para se ter a cama próxima do chão para os pequenos explorarem o universo na altura deles. E virou uma corrida de mães em busca de quartos do Pinterest – o que acho bem over. Alguém inventou isso e virou uma febre. O princípio básico da filosofia é ter a cama no chão para a criança ter autonomia sem se machucar, aí a indústria pega essa informação e a transforma em outra coisa e faz parecer que todo mundo tem que ter a tal cama casinha”, explica.

Mãe da Julia, de cinco anos, Joanita trabalha desde os 17 anos com cinema e publicidade, ramos nos quais aprendeu a materializar qualquer tipo de ideia. Com a crise econômica, pensou em tirar os desenhos e projetos da gaveta e seguir uma linha comercial para o grande público, visando bem-estar e preço justo. “Na verdade, não existe custo para se fazer um quarto Montessori e não é uma teoria elitista - e isso não é falado. Ao contrário, o objetivo é valorizar a criança em suas fases. Em meus produtos, não existe nada que faça menção direta ao método, até porque acho que usar o nome de Maria Montessori como motivo capitalista algo totalmente errado. As peças podem ser utilizadas tanto no método quanto fora - tanto que eu não vendo a tal da cama de casinha no site; se me pedem eu tenho quem faça, mas não é algo que eu queira explorar. Também estamos desenvolvendo material pedagógico e temos uma linha de decoração personalizada para festa. Na verdade, estamos abertos para qualquer tipo de desafio”, finaliza.

O que colocar no quarto montessoriano?

Não, a cama casinha não é obrigatória, assim como a cabana – dois itens que estão na moda quando se trata de montar o quarto do bebê. Mas são opções válidas e sim, bonitas. O quarto montessoriano, na verdade, pode ser estruturado com pouco e com baixo custo. Se o piso do quarto já é laminado, a proteção contra o frio é maior. Vale a pena pensar em instalar tapetes de EVA (somente atóxico) ou usar tapetes infantis antialérgicos. Para complementar, armário com nichos para guardar objetos, caixas organizadoras, gaveteiros simples, de plástico, prateleira que pode servir de mesa, espelho fixado na parede, cantinho da leitura, rede baixa (uso com supervisão dos responsáveis), varal para pendurar desenhos, elementos que podem trabalhar a motricidade fina, por exemplo, mochila com zíper exposto, placa com interruptores usados colados, decoração minimalista com o objetivo de não sobrecarregar o quarto de informação (cores, por favor), brinquedos acessíveis, roupas acessíveis, em arara baixa, por exemplo, prateleira para deixar livros infantis com fácil acesso, parede interativa, seja com uma lousa para criança, seja com papel ou com placa magnética, quadrinhos, bandeirolas, luminárias são algumas (várias!) ideias. Explore a sua criatividade quando for aplicar o conceito de Maria Montessori. A prioridade, aqui, é a criança – e não, não estamos falando de montar um quarto montessoriano para os pais dormirem por mais tempo.

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