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#shoutyourabortion, a hashtag que faz mulheres 'gritarem' seus abortos para o mundo

by Ana Paula Sanches Published on 24 de setembro de 2015

São mais de 100 mil posts em apenas um dia!

Imagine uma hashtag utilizada mais de 100 mil vezes num dia por um único objetivo: mostrar a importância do direito ao aborto para o mundo todo. Foi exatamente isso o que aconteceu com a #shoutyourabortion, que numa tradução livre significa "grite o seu aborto", criada após os Estados Unidos anunciarem a retirada do financiamento à instituição Planned Parenthood, organização sem fins lucrativos que realiza abortos legalmente no país.

A ideia de criar a tag surgiu das norte-americanas Amelia Bonow e Lindy West, que contaram suas próprias histórias para encorajar mulheres a dividirem seus relatos também. "Há quase 5 anos, em setembro de 2010, eu tomei uma pílula, depois outra, deitei na minha cama por um dia e, depois, não estava mais grávida. Foi uma experiência tranquila - a minha maior preocupação naquele momento era o fato de o meu relacionamento ser ruim e eu não ter dinheiro. O procedimento por si só foi um alívio​, a impossibilidade de tê-lo é que seria um trauma para mim", afirmou a jornalista Lindy,

A campanha foi alvo de críticas de entidades religiosas e pessoas que são contra o aborto. O Twitter foi o local escolhido para a maioria das manifestações - tanto contra, quanto a favor:

"O #shoutyourabortion é a prova de que o liberalismo se transformou num grande culto satânico à morte", afirma esse usuário.

"Meu aborto foi em 2008. Isso salvou a minha vida e me fez escapar de um homem violento e abusivo fisicamente e emocionalmente", conta esta outra usuária da rede.

Amelia Bonow ainda deixou um último depoimento especialmente para quem acredita que mulheres que abortam são insensíveis ou não têm coração: "Há um ano eu fiz um aborto na Planned Parenthood. Tenho um bom coração e fazer um aborto me deixou feliz de uma forma inexplicável. Por que eu não deveria ficar feliz pelo fato de não ter sido forçada a virar mãe?".

"Os homens podem fugir da paternidade, mas quando uma mulher decide tomar a decisão ela sofre discriminações?"

by Ana Paula Sanches