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Com quase 140 mil likes, página Eu empregada doméstica deve virar livro

by Redação taofeminino Published on 20 de dezembro de 2016
Com quase 140 mil likes, página Eu empregada doméstica deve virar livro© Reprodução/Facebook

Rapper, professora de História e ex-empregada doméstica, Joyce Fernandes ajudou a dar voz às histórias de muitas mulheres. Por Mirela Mazzola

Relatos fortes, de constrangimento e, muitas vezes, humilhação são o tema da página Eu empregada doméstica, criada pela professora de História Joyce Fernandes, 31 anos, em julho deste ano e que já acumula 138 mil curtidas. Tudo começou quando ela, que trabalhou como empregada doméstica dos 18 aos 25 anos, assim como sua mãe e avó, publicou o seguinte relato pessoal em seu perfill:

"Você foi contratada para cozinhar para a minha família, e não para você. Por favor, traga marmita e um par de talheres, e se possível coma antes de nós na mesa da cozinha."

A identificação de outras profissionais foi imediata e, de lá pra cá, a página já recebeu 4 mil relatos sobre abusos vividos por outras empregadas domésticas. Algumas histórias são escritas por filhas e netas, já que, muitas vezes, as protagonistas não têm acesso às redes sociais ou são semianalfabetas. São histórias chocantes e perturbadoras, que refletem o cenário brasileiro – segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com dados de 2013, o Brasil concentra o maior número de empregados domésticos entre os 117 países analisados.

Joyce (que também é rapper, conhecida como Preta-Rara) agora pretende transformar o projeto em livro, por meio de financiamento coletivo no Catarse. O objetivo é captar R$ 30 mil até o dia 24 de dezembro. Até esta terça (20) foram arrecadados R$ 12 mil.

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O trabalho doméstico no Brasil

De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 5,9 milhões de brasileiras são empregadas domésticas – as mulheres representam 92% dos profissionais. Essas informações são parte da pesquisa sobre a inserção de mulheres no mercado de trabalho, divulgada em março com dados de 2004 a 2014.

Foi concluído ainda que a média de tempo de estudo dessas mulheres é de 6 anos e a de salário, de R$ 700. Mesmo com a regulamentação da PEC das Domésticas, em 2015, apenas 30% das domésticas brasileiras têm carteira assinada.

Entre as negras, como Joyce, o índice que trabalha como doméstica é bem maior: 17% do total de mulheres negras, contra 10% de brancas. Elas também recebem menos (R$ 639, contra R$ 766), têm menos escolaridade e menor índice de carteira assinada (33,5% entre as mulheres brancas e 28,6% entre as negras).

Entretanto, o estudo trouxe algumas estimativas positivas: uma delas é a de que o número de trabalhadoras jovens vem caindo. Em 2004, a maior parte das domésticas tinha até 29 anos. Dez anos depois, a maioria tem 45 anos ou mais. Uma das explicações é a de que as jovens estão estudando mais e buscando qualificação.

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