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Grávidas podem amamentar filho mais velho sem riscos

por Redação taofeminino Publicado em 8 de junho de 2017
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A família está aumentando e você ainda amamenta? Sem neuras ou causos populares: a amamentação durante uma nova gravidez não interfere no desenvolvimento do novo bebê. E não, não causa aborto. Por Juliana Couto

Esqueça todos os ditos populares sobre desmamar seu filho mais velho porque você descobriu uma nova gestação: a amamentação durante a gravidez, ou lactogestação, não causa nenhum tipo de problema para o bebê que está em desenvolvimento no ventre materno. Exceto se a mãe quiser desmamar o filho mais velho durante a gravidez (por quaisquer que sejam suas razões) não será por riscos biológicos. Talvez a sensibilidade dos seios (aquela velha conhecida da primeira gestação) volte ao longo das semanas, talvez o leite volte a ser colostro e o filho mais velho pare de mamar e talvez após o nascimento mais velho e mais novo sigam mamando juntos em livre demanda. É fato, será cansativo.

Mas, afinal, por que amamentar durante a gravidez não interfere na gestação? Por que, afinal, afetaria? Por causa da ocitocina. A ocitocina é um hormônio que regula uma série de sensações no corpo feminino e é liberada em diversas situações, tais como durante a mamada, durante o orgasmo e durante o parto. Por isso, a ocitocina liberada durante a mamada poderia provocar contrações no útero e ocasionar um aborto espontâneo. Sabe-se, porém, que a quantidade de ocitocina liberada durante a mamada não é suficiente para causar um aborto ou um parto prematuro (se fosse assim, mulheres grávidas passariam longas semanas sem orgasmos, porque o sexo também libera ocitocina. Fica a dúvida: por que se considera popularmente que a amamentação causa aborto e fazer sexo não?). Até porque não é somente a ocitocina que regula a amamentação, há também a prolactina, que, no caminho oposto, bloqueia tanto a ovulação quanto a menstruação. E para a ocitocina ter participação ativa durante o trabalho de parto, ao longo de toda a gestação, o HCG, entre outras funções, foi responsável por inibir a menstruação e uma nova ovulação.

O que pode mudar: o sabor e a quantidade do leite materno

O que pode acontecer de fato durante a lactogestação é uma alteração no leite: o sabor pode mudar, a quantidade pode mudar e então o mais velho pode passar a mamar menos ou até mesmo a desmamar. E não há problemas! Há mães que seguem com o mesmo leite durante toda a gestação e há mães em que o leite volta a ser colostro. O que também acontece costumeiramente é que com um novo bebê, recém-nascido, o filho mais velho volta à ativa - e então os dois seguem em livre demanda. Até por isso, não é de se espantar que recém-nascidos de lactogestação ganhem peso com facilidade: o estímulo mamário do filho mais velho (mais experiente na sucção) contribui para uma produção maior de leite (80% do leite é produzido durante a mamada) e o recém-nascido precisa fazer menos esforço e já tem uma boa quantidade de leite garantida (obrigada, filho mais velho).

Sem neuras e sem causos populares: amamentar grávida não causa aborto

A ginecologista-obstetra de Juliana Garcia Domingues (SP), 30, mãe de Alice, de um ano e oito meses, e de Helena, de 15 dias, falou para ela interromper a amamentação da mais velha imediatamente, tão logo soube que ela estava grávida. Após indagar a obstetra, ouviu que “além da amamentação causar contrações que podem fazer com que você aborte o bebê, a criança mais velha roubara todos os nutrientes do bebê e você também ficará muito fraca”. Mas Juliana sabia que não era bem assim que o corpo grávido funcionava. “Sabia que era uma baboseira sem tamanho e fiquei aguardando os exames ficarem prontos. Os resultados não poderiam ser melhores: bebê muito saudável, mamãe sem nenhuma intercorrência durante toda a gestação (gravidez tão saudável quanto o parto domiciliar) e bebê 1 se desenvolvendo lindamente”. Para Juliana, o corpo é sábio e sabe como dividir os nutrientes para todos. “E mais uma observação: os resultados dos meus exames foram tão bons durante toda a gestação que não precisei nenhuma vez tomar complexo vitamínico. Alice tinha onze meses quando engravidei”, finaliza.

Estella Simielli (SP), 31, mãe de Pedro, de um ano e cinco meses, e de Catarina, de dois meses, escutou que não poderia amamentar grávida porque abortaria ou que provocaria um parto prematuro de Catarina. “Meu antigo GO, inclusive, quando levei o exame de sangue confirmando a gestação, mandou parar de amamentar o Pedro, que na época tinha seis meses. Catarina nasceu de 40 semanas”, conta. Ao contrário do que diziam, o leite não secou e Pedro não desmamou. “Minha produção aumentou, inclusive. Meu corpo entendeu que eu tinha um bebê muito pequeno”, conta. Nathalia Anconi Leishman (RS), 30, mãe de Guilherme, quatro, e de Lara e Gael, de um ano e três meses, engravidou quando o mais velho estava com dois anos – e seguia mamando em livre demanda. “Com 3 meses de gestação conduzi o desmame, estava com hiperêmese, grávida de gêmeos e os palpites que eu não daria conta de três. Foi relativamente tranquilo o desmame, apesar de depois eu ter descoberto que na escola ele chorou na escola umas duas vezes pedindo para mamar. Quando os gêmeos nasceram, ele com dois anos e nove meses, voltou a pedir, e eu nunca neguei, então desde então amamento os três, gêmeos estão com 15 meses e mais velho com quatro anos - e agora raramente pede”, conta.

“O Davi tinha exatamente um ano quando engravidei novamente. Descobri a segunda gravidez com 11 semanas e na hora a GO disse que eu deveria para de amamentar meu mais velho, por causa dos nutrientes "roubados" da bebê e tal”, conta Lilian Kriger (SP), 25, mãe de Davi, de dois anos e oito meses, e de Laura, 10 meses. Orientada melhor pela obstetra do Davi, foi informada que desde que não sentisse nenhum mal-estar, sangramento ou dor como cólica não teria problema algum. “Muitas pessoas do nosso vínculo criticavam falando que ele não precisava mais do leite, porque já não tinha nada além de água, que faria mal para a bebê, que eu estava ficando louca e que eu precisava mais dele do que ele de mim”, conta. Para todos, a mesma explicação da obstetra. Lilian chegou a ser abordada por estranhos em shoppings e até mesmo em uma igreja, dizendo para que ela parasse com “aquilo”. Apesar da ajuda da mãe (Lilian ficou na casa dela quando teve os dois filhos), ouviu também que agora se tornara refém de dois bebês, já que os dois mamavam. Segundo a mãe de Lilian, a primeira noite de Davi sem a mãe, em função do parto da irmã, foi um "inferno".

Amamentação intraparto pode ajudar na liberação de ocitocina

Quando Roseane Domingues (SP), 29, mãe de Dandhara, dois anos e nove meses, e de Carol, de um ano, engravidou da segunda filha (Dan tinha um ano e nove meses) já eram muitos comentários de "é manha", " ela AINDA mama ?!", "não sei como aguenta", "nossa desmama logo e volta a dormir e viver", "você faz isso por capricho, vai acabar afetando ela criando uma dependência desnecessária para com isso". Mas Roseane seguiu em frente. “Confesso que segui por puro instinto e ajuda das mães do grupo de amamentação Matrice, pois mesmo os profissionais minam sutilmente nossas forças com diversos comentários, sugestões e recomendações. Essa situação só se acentuou com a gestação e passaram a dizer que o leite seca, que eu provocaria um aborto por teimosia, que ficaria fraca, esquálida e “o bebezinho então sei não viu”, que a mais velha roubaria o leite do irmão e que se continuar é sua responsabilidade (da obstetra). Durante a gestação eu percebi que a produção diminuiu, mais conversando com a pequena ela dizia que tinha leite pedia e seguimos, os mamilos ficaram sensíveis, o que às vezes me incomodava e eu pedia para ela alguns minutos, o que ela atendia sem problemas. E seguimos”.

Roseane teve um parto domiciliar longo e a amamentar ajudou muito na liberação de ocitocina durante o trabalho de parto. “Todas as teorias conspiratórias caíram por terra com nascimento da Carol. Estava lá um lindo bebe saudável, que nasceu com mais de 3,500 kg, nunca em momento algum houve ciúmes - o que os adultos complicaram as pequenas acertaram no primeiro momento juntas. A Dan, curiosa, emocionada por ter testemunhado a nascimento da irmã, foi na beira da cama pediu tetê e afirmou: “esse é meu e esse é dela, né mamãe?”. E assim permanecemos”.

Quem resolve se deve ser desmamado? A mãe!

Cinco histórias de sucesso de amamentação durante a gravidez (e muitos palpites desinformados) são muito para quem não está acostumado a ler sobre amamentação. E pouco para a importância da amamentação para um bebê. O que essas mulheres têm em comum é a informação e a disposição para seguir em frente. Amamentar é incrivelmente valioso, mesmo com comentários estapafúrdios de familiares, desconhecidos e profissionais de saúde. É de se espantar que na estrutura médica profissional brasileira os médicos não só não entendam de amamentação, como não se atualizem e sejam patrocinados pela indústria que mina a amamentação (por exemplo, marcas de fórmulas receitadas sem seguir critérios adequados e de bicos artificiais, que prejudicam a amamentação). Uma revisão sobre o atendimento obstétrico para mulheres é urgente e segue se reconstruindo com a humanização do parto e poucas ações isoladas - com mudanças mínimas e que normalmente buscam trazer mais lucro para as instituições. Tais fatores tornam a cultura da amamentação no Brasil frágil. Resta às mulheres (e, sim, à rede de apoio, essencial para o estabelecimento da amamentação), informadas e dispostas, a amamentarem seus filhos em qualquer situação, sob livre demanda, baseadas em premissas essenciais para um desenvolvimento mais sustentável da sociedade. Por onde isso pode começar na maternidade? Na amamentação.

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