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Mom shaming: a nova forma sexista de envergonhar as mulheres

by Redação taofeminino Published on 14 de setembro de 2016

Por que as pessoas se sentem no direito de julgar as mães como boas ou ruins? E sobre os homens? Você escuta falar com a mesma frequência sobre maus pais? Traduzido por Juliana Couto

É uma das consequências de expor nossas vidas nas redes sociais: qualquer pessoa tem acesso a ela e acha que isso é motivo suficiente para julgar. Isto é o que em última análise estão experimentando em primeira mão algumas celebridades, incluindo modelos, recepcionistas ou musas fitness, que têm sido criticadas pela forma como elas criam seus filhos, por se vestirem de maneira inadequada enquanto mães e até mesmo julgar a responsabilidade delas como mães. Afinal, em que o tribunal das redes sociais está se baseando para tais julgamentos? Pura e simplesmente, em fotografias. Chrissy Teigen, Chontel Duncan, Bela Gil são apenas algumas das mulheres que sofrem o chamado “mom shaming”, o ataque da santa inquisição das redes sociais.

O “mom shaming” pode ser traduzido como “cobrir a mãe de vergonha”, o que é precisamente que muitas pessoas fazem nas redes ao criticar as mães por elas não se comportarem segundo algum padrão ou segundo o que essas pessoas consideram como correto para a maternidade. Comentários como “que vergonha”, “como você tem coragem de deixar seu filho com a babá para sair para jantar?” ou “quem prefere ir ao bar em vez de estar com seu bebê?” foram feitos para Chrissy Teigen, modelo e mulher do cantor John Legend, quando ambos foram jantar juntos em abril de 2016. Sua filha, que nasceu em 14 de abril, estava sob os cuidados de uma babá, mas os comentários não foram piedosos. A modelo explicou: "Nós estávamos fora porque precisávamos de uma pausa, sair e passar o tempo como um casal, mas as pessoas estão com raiva".

Uma explicação que nem sequer é necessária, aliás, já que é sua vida privada. E, apesar disso, as críticas e os insultos via Instagram não cessaram. John Legend expressou sua opinião: "Que curioso que não existe a vergonha do pai quando nós dois saímos para jantar, vergonha deveria ser dos dois e não recair apenas sobre Chrissy”. Ele twittou e denunciou o sexismo que envolveu o “mom shaming”. Por que quando se trata de culpar ou criticar, a responsabilidade dos pais sempre recai sobre a mãe?

Chrissy Teigen © Instagram

Mães fitness criticadas por seu corpo

O “mom shaming” também afeta as modelos e musas fitness, que têm sido criticadas por sua magreza – o primeiro sinal de gravidez já fica evidenciado em seus corpos. Um dos casos mais recentes é o de Hannah Polites. Seu corpo, magro e definido, exibe o progresso da sua gravidez, o que é totalmente normal, porque cada corpo é um corpo e cada gravidez é uma gravidez. No entanto, nas fotos do Instagram ela recebeu comentários como “pobre bebê, você precisar comer mais”, “parece que você está grávida de um rato” e, o mais lamentável, “você acha que seu parceiro vai se sentir bem com você exibindo seus seios em público?”, em referência ao decote da modelo. Ela ainda se defendeu alegando que come bem e que leva uma vida saudável.

Algo semelhante aconteceu com Chontel Duncan, professora australiana de aptidão que, como Hanah Polites, ficou com o corpo sem muitas mudanças durante a gravidez, isto é, a barriga não aparecia de forma exagerada. Ela foi acusada de não garantir a segurança de seu bebê durante a gravidez. Tempos depois, foi acusada novamente porque postou uma selfie dela e de seu filho e alguns seguidores perceberam que a posição da cabeça do bebê não era a mais adequada. Isto provocou uma enxurrada de comentários negativos e ofensivos a Chontel, que explicou que tinha deixado seu filho naquela posição apenas para a foto e que até então ele estava descansando em seu colo. Em janeiro de 2016, Ashley Wright, uma bailarina de pole dance, postou uma foto amamentando seu bebê durante um treinamento, o que também gerou uma tempestade de críticas que a acusavam de ser uma má mãe.

Outros casos de “mom shaming”

A modelo Coco Rocha também viu sua conta do Instagram ficar permeada de insultos por ter dado à sua filha de cinco meses leite de fórmula na mamadeira. Kim Kardashian foi tachada de egoísta e irresponsável por estar olhando o celular quando sua filha caiu no chão (que estava nos braços de sua tia e perfeitamente segura). A apresentadora Tania Llasera foi duramente criticada pelos quilos que engordou e por ter dado a seu filho o nome José Bowie.

Notamos que a amamentação, o corpo das mães e até mesmo a escolha do nome são assuntos que expõem as mães às críticas de seus filhos estão expostos a processos judiciais e críticas dos outros. O “mom shaming” não só é sexista, por não incluir os homens na responsabilidade, como é absurdo e triste. Primeiro, porque ninguém tem o direito de entrar na vida dos outros: cada mulher vive a maternidade como ela quer, e só ela sabe o que é melhor para o seu bebê­­. Por que essas mães têm que dar explicação para os outros? E segundo, porque os comentários mais negativos são provenientes em sua maioria de outras mulheres. Como vamos acabar com o sexismo se somos nós mesmas que mais promovemos ele?

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