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Literatura que empodera: conheça cinco escritoras latino-americanas

by Redação taofeminino Published on 27 de setembro de 2016
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A gente se inspirou no lançamento de Ifigênia, de autora inédita no Brasil, para reunir mais obras com pegada feminista. Por Mirela Mazzola

Cada dia mais, palavras como empoderamento, feminismo e sororidade têm feito parte do vocabulário na mídia e nas redes sociais. E a gente acha isso incrível! Discutir questões de gênero e ler sobre o assunto são os primeiros passos na conquista da tão sonhada igualdade entre homens e mulheres, concordam?

Também é ótimo saber que inserir na literatura, ainda que sutilmente, temas que envolvem o feminismo não são novidade: ao longo do século 20, algumas escritoras trouxeram personagens femininas superinspiradoras para os seus romances.

Uma delas é a venezuelana Teresa de la Parra (1889-1936), autora inédita no Brasil até o lançamento de Ifigênia, diário de uma jovem que escreveu porque estava entediada (2016, Ed. Carambaia, 544 págs.), que acaba de chegar por aqui. Ela é a única escritora mulher no Panteão Nacional da Venezuela e é autora de mais um romance, Las memórias de Mamá Blanca (1929), de contos publicados na imprensa e de um volume com a transcrição de três conferências que promoveu em 1930 em Bogotá sobre a "influência das mulheres na formação da alma americana".

Filha de diplomata, Teresa nasceu em Paris e viveu entre a Europa e a Venezuela, sem nunca ter se casado. Em Ifigênia, ela narra a história de uma jovem venezuelana de 18 anos que teve que deixar a Europa para voltar a conservadora Caracas, onde vai morar com uma tia e uma avó. Publicado em Paris, em 1924, o livro teria escandalizado leitores venezuelanos, que o considerou “pérfido e perigosíssimo na mão das moças contemporâneas”, segundo a autora. Já gostamos!

Inspiradas por esse lançamento, a gente reuniu autoras latino-americanas que escreveram romances protagonizados por mulheres fortes e em busca de empoderamento. Ficou curiosa? Então olha só.

Gioconda Belli

A obra da premiada autora nicaraguense inclui poesias, romances, um livro infantil e artigos para jornais. Entre um texto e outro, ainda jovem, ela se uniu à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) para lutar contra a ditadura que dominou seu país entre 1934 e 1979, ano da Revolução Sandinista, quando a FSLN chegou a governo. Aos 67 anos, ela vive em Manágua, capital da Nicarágua. No romance mais conhecido da escritora, O País das Mulheres (2011, Ed. Verus, 220 págs.), o governo pertence a elas. A história se passa em um pequeno país latino-americano presidido por Viviana Sansón, do Partido da Esquerda Erótica (PEE). Depois de sofrer um atentado, a protagonista se depara com suas memórias e o leitor começa a conhecer a trajetória do partido. Suas integrantes acreditam que as mulheres podem realizar em alguns anos o que a hegemonia masculina não conseguiu em séculos. Alguém aí tem dúvida?

Isabel Allende

Uma das mais famosas escritoras latino-americanas, a chilena tem 74 anos e vive nos Estados Unidos. Autora de 21 livros, que venderam 67 milhões de exemplares, ela criou a Fundação Isabel Allende, que promove saúde, educação e proteção contra a violência para mulheres e meninas em todo o mundo. Seu romance mais conhecido A Casa dos Espíritos (1997, Ed. Bertrand Brasil, 448 págs) já virou filme e conta a história da família Esteban Trueba e suas três gerações de mulheres marcantes. Seus outros romances também são protagonizados por personagens femininas fortes e atuantes, que tomam as rédeas da própria história. O papel das mulheres tanto na literatura quanto na política é tema das palestras que ela ministra mundo afora.

Laura Esquivel

Tita, protagonista do best-seller Como Água para Chocolate (1989, Martins Fontes, 208 págs.), é vítima de uma tradição comum na região onde vive, no norte do México. Por ser a filha mais nova da família, não pode se casar para que cuide de sua mãe até a morte. Por isso, ela passa a maior parte do tempo na cozinha – seus sentimentos e angústias acabam se relacionando aos pratos que prepara – e, como é de esperar, em determinado momento ela se apaixona. A história, que também foi adaptada para o cinema, deve se tornar uma trilogia – em 2016, Laura Esquivel anunciou que escreverá mais dois romances baseados na vida de Tita. Aos 65 anos, a escritora, roteirista e dramaturga mexicana escreveu mais oito romances, além de Como Água para Chocolate.

Lygia Fagundes Telles

Os valores feministas não estão só na obra da escritora e contista paulistana: inspiradora, na “vida real” ela se formou em Direito na Faculdade Largo São Francisco lá em 1940, quando praticamente não havia mulheres na turma. Vencedor do Prêmio Jabuti, o romance As Meninas (1973, Ed. Companhia das Letras, 304 págs.) tem como de pano de fundo a ditadura militar brasileira e traz a história de três jovens, uma burguesa, uma drogada e uma militante política. As Meninas é um dos quatro romances da escritora, que publicou ainda 20 livros de contos. A mais velha autora viva da nossa lista, Lygia completou 93 anos em 2016.

Ficou interessada por feminismo?

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