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Enxoval real: o que não pode faltar na lista para os primeiros meses do bebê

by Redação taofeminino Published on 4 de janeiro de 2017

O que um bebê realmente precisa para os primeiros meses? Quem define necessidades é a rotina, não um estoque de produtos preparados pelos pais. Por Juliana Couto

Em paralelo a um pré-natal acompanhado por profissionais realmente preocupados com o bem-estar do binômio mãe e bebê e não com a quantidade de cesáreas eletivas agendadas a cada mês, os pais vivem ao longo da gestação com a preparação de tudo o que o bebê vai precisar para os meses de vida. As listas de maternidade são extensas e o mercado de consumo voltados para bebês está saturado de roupas, artigos e acessórios vendidos como essenciais para o bebê antes mesmo do nascimento. O enxoval real de um bebê, no entanto, pede menos, muito menos; podem ser dispensados artigos eletrônicos, mamadeira, chupeta, carrinho de bebê com custo semelhante a um carro. Por isso, o taofe conversou com especialistas no assunto, mães, para que toda gestante saiba o que realmente deve priorizar e o que pode esperar. A lógica de necessidade é subjetiva e, sim, varia de acordo com os ideais educação e criação que os pais acreditam, o aporte financeiro que dispõem e a cultura familiar de criar bebês, que influencia (e muito) algumas decisões.

Para Aline Amaral Farah Pereira (PR), 27, mãe do Henrique, de um ano e um mês, enxoval real é aquele com itens que realmente vão ser usados pelos pais e pelo bebê sem muita coisa supérflua. “Apesar de entender que o conceito de supérfluo é bastante subjetivo e varia de acordo com a realidade de cada família, acredito que roupas, fraldas (sejam descartáveis ou de pano), produtos de higiene apropriado para bebês e fraldinhas de boca são coisas que não podem faltar. Todo o resto é adaptável. Para a mãe não podem faltar roupas confortáveis, que a façam se sentir bem com o corpo pós-parto e que facilitem a amamentação, sutiãs de amamentação que sejam realmente confortáveis e eu, particularmente, aconselho que as mães deixem um dinheiro reservado caso tenham dificuldade em amamentar para que possam contratar uma boa consultoria em aleitamento materno”, explica. Os 30 primeiros dias de amamentação são os mais desafiadores. Fique atenta às estatísticas: apenas 10% das brasileiras amamentam exclusivamente até os seis meses. O tempo médio de aleitamento exclusivo no Brasil é de 54 dias. Para completar, 59% dos nossos bebês tomam mamadeira antes de um ano e 42% das crianças da mesma idade usam chupeta – bicos artificiais prejudicam a amamentação e causam a chamada "confusão de bicos", o bebê desaprende a mamar, porque o movimento de sucção do seio e o da chupeta/mamadeira é diferente.

Na opinião de Aline, a forma como os pais são abordados quando estão esperando um bebê é abusiva. “É quase como se fôssemos maus pais por não querer adquirir isso ou aquilo. 95% das coisas que são direcionadas aos bebês nesse mundo comercial é pura ilusão. Nenhuma chupeta ou mamadeira imita o seio da mãe, nenhum eletrônico vai substituir o aconchego do colo da mãe ou do pai, nenhum brinquedo vai estimular o bebê a tal ponto de ele ser uma criança hiperavançada senão dentro do avanço que o tempo dele permite”, completa.

Para Evellyn Chaves (DF), 37, mãe de Marcela, de dois anos e quatro meses, enxoval real é o que abrange os itens necessários para mãe e bebê utilizarem entre dois e quatro meses vida. Para ela, não pode faltar, fraldas, um mínimo de roupas apropriadas para o local onde se vive, artigos como cadeirinha para automóveis ou bebê conforto para quem usa carro, sling ou amarradores do gênero para manter o bebê junto ao corpo de maneira sempre confortável, álcool e cotonete para o umbigo e shampoo (se for costume da família), sutiã de amamentação para mulheres com seios grandes. “O mercado oferece itens que uma mãe de recém-nascido neste modelo social ocidental nem terá tempo para conseguir usar. Não comprei mamadeiras, chupetas, sapatos, brinquedos antes do bebe nascer”. Em relação a produtos de higiene e ao banho, Evellyn é muito objetiva: “Pensando no bebê creio que depende do costume da família. Eu compraria um shampoo bem natural para usar eventualmente, além de álcool para o umbigo. Banheira não é necessário, mas é desejável que as atividades realizadas diariamente possam ser feitas com segurança e conforto. Se a família se sente confiante dando banho no chuveiro está tudo bem”.

Realmente, não é necessário comprar banheira para completar o enxoval do bebê. Caso os pais queiram estar preparados, um investimento em uma banheira simples é uma alternativa, já que os pais ainda não sabem como será a rotina do banho. O banho no recém-nascido requer cuidados específicos, principalmente quanto à temperatura da água e quanto à proteção contra o frio. Estabelecer a rotina do banho não é simples, é preciso de tempo e de pelo menos quatro mãos, até os pais estarem seguros para darem banhos sozinhos. A ideia do banho no recém-nascido é deixá-lo, sim, relaxado, e ajudá-lo a se recordar da vida intrauterina. Por isso, o banho industrializado de bebês não é recomendado – isto é, esfregar o bebê sem manejo, sem calma, sem respeitar os limites de espaço dele (os de contenção, na verdade, pois bebês recém-nascidos não sabem o que é ter espaço).

Mas qual tipo de banho é o melhor para bebê, de balde, de banheira ou no chuveiro? Pergunta sem resposta durante a gestação e, por isso, é recomendado que os pais esperem para tomar decisões que envolvam mais gastos, já que um enxoval real deve atender as necessidades primordiais da nova família. Apesar de Aline ter comprado uma banheira comum, sem suporte, Henrique tomou os primeiros banhos numa bacia rasa, porque era muito pequeno e ela não me sentia segura com a banheira comum que passava a impressão de ser enorme. “Não conseguia segurar ele firme com aquela estrutura toda relando em mim toda hora. Depois que bacia foi ficando pequena, tentei a banheira de novo e ainda assim não me acertei. Dali passamos direto para o chuveiro que é onde ele toma banho até hoje. Acho necessário ter pelo menos uma opção de banheira para os primeiros dias e estar aberto a mudanças conforme as necessidades forem surgindo, sabe? Aliás, isso vale para tudo, não só para o banho. Estar sempre aberto a mudanças, porque a necessidade quem faz é o bebê e não os pais”, explica.

Em relação à mamadeiras e chupetas, a recomendação é que elas não sejam compradas. Primeiramente, porque os bicos artificiais de ambos os artigos prejudicam a amamentação. Entre os riscos do uso da mamadeira estão a contaminação bacteriana, falta de contato físico e interação com a mãe, desmame precoce, possíveis efeitos tóxicos de nitrosaminas presentes na borracha dos bicos artificiais e alteração no desenvolvimento da cavidade bucal. A mamadeira é utilizada com uma frequência desnecessária. Faz parte do senso comum afirmar que mulheres que trabalham precisam de mamadeira. No entanto, análises sobre o uso da mamadeira em 15 países apontaram que em 14 deles o emprego da mãe não contribuiu para aumentar o uso de mamadeira. O bico e a tampa da mamadeira parecem proteger o leite no seu interior, dando a ilusão de segurança, principalmente quando a publicidade local expõe as marcas com palavras como saudável ou seguro, o que reforça a ideia de que a mamadeira foi feita para beneficiar o bebê. A crença de que o leite na mamadeira está seguro incentiva aqueles que cuidam da criança a carregar o leite por períodos prolongados, criando assim condições nas quais podem proliferar bactérias.

Eliminando da lista uma grande e farta pesquisa sobre marcas de mamadeira, bicos artificiais e limpeza desses materiais, a mãe tem mais tempo de se preparar para a amamentação, que pode ser colocada em seu cotidiano como um grande desafio – e na maioria das vezes é, principalmente pela falta de informação e pela falta de apoio de amigos e familiares. “Pode-se ouvir dizer ‘Amamentar é natural – por que então a mãe precisaria de ajuda?’. Algumas mulheres têm sorte e conseguem amamentar seus filhos sem nenhuma dificuldade. Entretanto, outras realmente necessitam de ajuda no início – especialmente com o primeiro filho, e, particularmente, se forem muito jovens. Inúmeras mulheres precisam de apoio para continuar a amamentar, principalmente se trabalham fora, ou se a criança chora muito”. É o que registra o livro Como Ajudar as Mães a Amamentar, de F. Savage King, do Ministério da Saúde. Acredite, milhares de anos de evolução serviram para que o seio da mulher se prepare naturalmente para a amamentação, ou seja, você não precisa de um bico de silicone para amamentar seu filho; além do bico artificial de silicone não permitir contato direto entre mãe e filho, dificultando o (re)conhecimento inicial entre eles, restringe a sucção e pode reduzir em até 22% o crescimento do bebê.

Para quem usa carro, bebê conforto ou cadeirinhas de carro, adequadas para a idade do bebê, são essenciais por uma questão de segurança dentro da legislação do trânsito brasileiro. “Fora isso, acho que nada é obrigatório, é aquela história de que não somos obrigados a nada, sabe? Eu aderi facilmente aos carregadores de pano porque enxerguei essa necessidade na nossa rotina e ainda hoje com um bebê que anda e pesa 11 kg uso muito meus slings, mas não creio que seja uma obrigatoriedade ter esse item antes do bebê nascer. Apesar de recomendar para todo mundo, acredito que sling pode ser, sim, algo dispensável”, comenta Aline.

A cultura de carregar bebês é tradicional – na pré-história, mães usavam peles de animais para carregarem seus bebês. O colo é mais que mero transporte para o bebê que ainda não é capaz de andar, é referência de segurança, de encontro com o outro, de contato com a mãe (ou seu cuidador principal). Tradicionalmente, os cuidados primordiais e principais do bebê estão relacionados a sua mãe, assim como a prática de carregar bebês em tecidos e panos. Bebês precisam, invariavelmente, de colo. Mães precisam fornecer essa segurança ao filho e também precisam usar as suas mãos. Os carregadores de bebês se mostram através de culturas milenares como facilitadores de colo, viabilizando o trajeto e facilitando o manejo para outras atividades. Mas carregar bebê em sling, é de fato, uma realidade adaptável, que a mãe pode esperar o bebê nascer para testar tecidos com o bebê no seu colo e ver se a dupla se adapta e se sente confortável.

Aline, quando grávida, aproveitou promoções e comprou, por exemplo, produtos de higiene de bebês de várias marcas diferentes. “Me arrependi, porque fiquei lá ocupando espaço em casa com produtos aos quais poderíamos não nos adaptar, desenvolver algum tipo de alergia e que demoram para acabar e perderam a validade. O que eu recomendo hoje é que as mães tenham uma opção ou outra em casa para os primeiros dias e que vão pesquisando depois outras opções se não se sentirem satisfeitas com aquela, para trocar se acharem necessário”, finaliza.

Para Cindy John Bozler (Murcia, Espanha), 30, enxoval real é aquele que os pais realmente necessitam. Por isso, não pode faltar para o bebê roupinhas básicas de algodão, como bodys (atenção para a ditadura de cores) e pijaminhas, manta, fraldinhas de boca, fralda de algodão. Caso a família faça uso, ela também recomenda fralda descartável e pomada para assadura, sabão para o corpo. Para a mãe não pode faltar sutiã confortável de amamentação, roupas para amamentar, sling. “Aprendi que o que é necessário se compra na hora. Para mim, o sling foi essencial. Higiene sim, mas sem exageros. Banheira é bom ter, mas não gastar horrores, tendo onde colocar para não machucar as costas (de quem o banha) é suficiente”, comenta.

No pós-guerra, a tecnologia das fraldas evoluiu até a conhecermos como atualmente, descartável. A primeira fralda impermeável foi criada, claro, por uma mulher. Maria Donovan inventou, em 1950, uma fralda com cobertura plástica, a fim de que os bebês se molhassem com menos frequência. Passados quase dez anos, em 1959, Vic Mills investiu no desenvolvimento de uma nova fralda, reformulando o desenho de Donavan, já patenteado, a fim de oferecer conforto ao seu neto. Ele foi o criador da famosa (e mais cara) fralda descartável que pode ser encontrada em qualquer prateleira de mercado. De 1960 aos dias de hoje, a fralda descartável migrou de artigo de luxo, usada em ocasiões especiais, como viagem, e passando por uma série de reformulações (recheio de papel tissue para fibra de celulose, inclusão de elástico, por exemplo), para um artigo extremamente popular, adequado e classificado para a idade e o peso do bebê. Ainda assim, como todo bem de consumo produzido em larga escala e tendo em vista a carência de políticas públicas que considerem produção e consumo sustentável de produtos de longa decomposição, a fralda descartável é prejudicial para o meio ambiente.

Por isso, a fralda de pano moderna se apresenta como alternativa, pois contribui para a preservação do meio ambiente, para o desenvolvimento do bebê e para o bolso dos pais. Sim, de primeira, os pais vão pensar em como limpar, no trabalho que vai dar para lavar, na dificuldade que deve ser limpar o resultado de amamentação em livre demanda em uma fralda de pano - ou na combinação abóbora e carne durante a introdução alimentar. No entanto, não é tão aterrorizante quanto parece. A ideia principal da fralda de pano é unir conforto, durabilidade e, claro, modernidade, porque as fraldas de pano, dessa vez, vêm sendo desenvolvidas com design e estampas exclusivas para os bebês: feitas com botões ou velcro, seus fechos são práticos para os cuidadores, estão disponíveis em vários tamanhos (inclusive, em tamanho único), com tecidos internos atoalhados, absorventes infantis que podem ser colocados e retirados com praticidade e que podem ser reusados e, portanto, lavados mais de uma

Assunto polêmico: o quarto do bebê. Não necessariamente tem relação com o enxoval real que os pais vão preparar, mas normalmente montar o quarto e montar o enxoval são tarefas feitas paralelamente. O período da montagem do quarto do bebê envolve muitas opiniões e ideias, muita informação sobre cores, estampas, aplicações, cama e sofá e cadeira de amamentação, acessórios e itens decorativos dos mais variados jeitos e custos. Uma alternativa para a montagem do quarto é o método montessoriano. Os pais vão abandonar a ideia tradicional de berço com grades, guarda-roupa, cômoda, decoração temática, móbile em cima do berço, entre outras coisas, pois a proposta é fazer um quarto acessível para o bebê. Sim, abandonar essa ideia pode ter um custo elevado, pois o nicho de mercado infantil, assim como todos os outros, se vale de novas ideias para criar mais demanda. O diferencial do quarto montesssoriano é que mesmo podendo investir em muitos móveis e acessórios, os pais podem adaptar e eles mesmo podem criar um ambiente que dê autonomia, liberdade e o respeito pelo desenvolvimento natural da criança, de acordo com suas habilidades sociais e físicas ainda em construção.

As enormes listas de produtos, artigos, acessórios que são disponibilizadas nas lojas infantis podem ser deixadas de lado, cada família vai ter necessidades essenciais distintas, o que não significa comprar tudo que está disponível – o recomendado é priorizar o que é essencial para os primeiros meses de vida do bebê. Não somente por uma economia de dinheiro, pois os produtos têm data de validade e indicação de uso adequada para a idade, mas porque a quantidade de acessórios e artigos é indiferente para o bebê. O que ele vai querer, de fato, são os pais. É importante que os pais de dediquem à gestação, a um pré-natal bem acompanhando e, quando chegar o momento, se preparar para as fases do trabalho de parto.

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