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Inofensivo, só que não: o que acontece com o seu corpo quando você come açúcar

Fernanda Guimarães
by Fernanda Guimarães Published on 5 de outubro de 2016
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Ele vicia tanto quanto a cocaína! Conversamos com dois endocrinologistas para contar que a verdade sobre o açúcar está longe de ser doce

Desde cedo, somos acostumados a nos preocupar com os efeitos do açúcar no corpo. Em crianças, além das cáries, ele pode causar obesidade infantil. Mais tarde, os problemas são diabetes tipo 2, gordura visceral, aumento do colesterol e doenças cardíacas. Diante de um quadro mundial já crítico, há pouco mais de dois anos, a OMS reduziu a recomendação de consumo de açúcar – de 10% para 5% das calorias diárias que um adulto deve ingerir. Em uma dieta de 2 mil quilocalorias, 100 delas poderiam vir do produto (o equivalente a 25 gramas ou 5 colheres de chá cheias). Aqui no Brasil, dados da Embrapa de 2012 sugeriam um cenário assustador: o brasileiro consome diariamente 150 gramas de açúcar.

O açúcar de mesa faz parte da família dos carboidratos imprescindíveis para a saúde. No organismo, os carboidratos se transformam em glicose, o combustível para o funcionamento normal do corpo. O problema é que a maioria dos produtos industrializados, além dos carboidratos naturais dos ingredientes, ainda levam uma dose de açúcar refinado, que ajuda a extrapolar o consumo máximo diário. Por exemplo, o suco de uva de caixinha possui frutose, açúcar natural da fruta e, na produção, ainda é adoçado artificialmente com sacarose.

"Quando há glicose em excesso, o organismo estoca em forma de gordura. O nosso corpo não foi feito para o hoje, ele foi feito para sobreviver há muito tempo, quando em determinadas épocas do ano, a população não tinha o que comer, então nosso organismo desenvolveu esse mecanismo de depósito de gordura para usar quando não tem alimento", explica Henrique Suplicy, endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM). Até aí nenhuma novidade, certo?

Além da estocagem de gordura, outras reações que o açúcar causa no nosso corpo podem comprometer a saúde. O problema? É superdifícil livrar-se de vez dele.

Açúcar é viciante

Existe coisa melhor na vida do que raspar a panela de brigadeiro ou bolo quentinho? O prazer que o açúcar garante é a chave da sua dependência e está ligado à produção de substâncias que dão aquela sensação boa de quando damos uma mordida numa barra de chocolate. João César Castro Soares, endocrinologista e professor da UNIFESP explica: “Cada grama de sacarose tem 4 calorias. O problema do açúcar não são as calorias mas os seus efeitos”.

  • ​A sacarose libera dopamina, um neurotransmissor que 'acende' a área do cérebro ligada ao prazer - que é liberada também com o consumo de drogas, como cocaína e heroína, por exemplo;

  • Outros carboidratos (amido, lactose, etc.) desencadeiam a liberação de serotonina, responsável pela regulação do humor - alvo da maioria dos medicamentos antidepressivos.

Açúcar sabota a dieta (e a saúde)

A ciência é a seguinte: a ingestão de açúcar (seja via cupcake ou macarronada) leva a um aumento do nível de glicose no sangue - que não pode ficar ali por muito tempo pois é extremamente tóxica. Nesse momento entra a insulina, responsável por baixar a concentração de açúcar. Quando comemos muito carboidrato, a produção de insulina sobe além dos níveis normais. Aí...

Açúcar pede açúcar: quando há um pico de insulina no corpo, toda sua energia disponível no sangue é levada para as células. Seu organismo entende que está com hipoglicemia (pouca glicose no sangue) e precisa de mais açúcar, e aí que vem a vontade de comer mais.

Você para de queimar gordura
: para quem está de dieta, aquele brigadeirinho inocente à tarde vai impedir que seu corpo queime gordura praticamente até o final do dia. "A insulina impede a lipólise, a quebra da gordura, por 6 a 8 horas", comenta João César.

Não dá pra parar de comer coisas açucaradas!
Já percebeu como é fácil acabar ~sozinha~ com uma barra de chocolate ou um pacote de bolacha? A insulina bloqueia a ação da leptina, o hormônio que dá o sinal de saciedade para o cérebro. Um estudo publicado na American Journal of Phisiology também mostrou que dietas com consumo excessivo de frutose também podem interferir na ação da leptina.

Prepare-se para as consequências...

A longo prazo, a pele envelhece
Quando a glicose fica solta no sangue ela pode se ligar a uma proteína, num processo chamado glicação, para formar o AGE (advanced glycotion endproduct), que causa flacidez e má formação das fibras proteicas. Na pele, justamente as proteínas mais afetadas pelo AGE são o colágeno e a elastina, resultando em rugas e despigmentação.

E a memória é prejudicada
Um estudo da Universidade da Califórnia indica que a ingestão de xarope de frutose e sacarose por longos períodos de tempo forma radicais livres no cérebro que comprometem a ação dos neurônios. Segundo a pesquisa, o bloqueio das sinapses pode também afetar a memória, o aprendizado e deixar o cérebro mais lento.

Como ficar longe do açúcar?

​Não adianta cortar os carboidratos de uma vez só. Dietas como Atkins e Dukan, que propõem eliminar sumariamente o açúcar do cardápio, podem causar falta de serotonina, como indica João Carlos. "A pessoa fica irritada, tem mal estar e dor de cabeça". O ideal é eliminar aos poucos os alimentos adoçados da dieta e da cozinha. Temos dicas:

Fique atenta ao rótulo dos alimentos industrializados
Se constar açúcar, dextrose, xarope de frutose, xarope de milho na composição, opte pela versão diet ou natural - como é nos casos dos sucos de caixinha.

Prefira os integrais
Os carboidratos complexos (presentes nos alimentos integrais) têm absorção mais lenta e índice glicêmico menor, o que evita a hiperglicemia.

Use adoçantes
"Adoçantes são apenas edulcorantes, eles imitam o açúcar mas não têm o mesmo poder.", explica Henrique Suplicy. Ou seja, eles não possuem tantas calorias e não aumentam a glicemia. Bom, né? Mas cuidado com o consumo excessivo de aspartame.

​Na TPM
Na hora que bater aquela vontade de um docinho, cure o desejo com frutas, que possuem frutose (porém em baixos níveis) e fibras, que controlam o tempo de absorção do açúcar e seguram o aumento da insulina.

Ainda não acabou!

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