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Analgésicos: parecem inofensivos, mas em excesso...

by Juliana Vaz Published on 13 de junho de 2016

~Alívio~ para a dor

Logo hoje, que você marcou happy hour com as amigas, sua cabeça está explodindo. Demorou tanto até que conseguissem acertar a data do encontro que desmarcá-lo não é uma opção. Ou ainda, no dia de uma reunião importantíssima com o cliente, bateu AQUELA cólica. Por que ficar com dor se a solução está a uma cartela distância? Se você, como milhares de pessoas, não pensa duas vezes antes de tomar analgésicos, leia esta matéria até o fim.

dor de cabeça power rangers

Apesar de comercializados sem a necessidade de prescrição médica, a composição química dos analgésicos possui diferenças determinantes no tratamento dos sintomas de dor. Eles devem ser usados com atenção, pois, em excesso, podem provocar efeitos colaterais diversos, além de agravar ou provocar doenças sérias.

Existe diferença entre os analgésicos?

Sim. Os analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroides (AINES) – como ibuprofeno, ácido acetilsalicílico, dipirona e paracetamol –, agem no organismo por meio de mecanismos diferentes, apesar da mesma classificação. No outro grupo estão os analgésicos opioides, que utilizam em sua formulação narcóticos derivados do ópio (como a morfina) e são de uso controlado. Além de aliviar a dor, eles possuem um efeito hipnótico e podem interferir nas ações cognitivas do cérebro – os opiáceos acionam os mesmos receptores cerebrais que a heroína, logo seu uso prolongado pode causar dependência.

Os AINES têm o mesmo objetivo: eliminar a dor. Porém, os analgésicos com ação anti-inflamatória (ibuprofeno, ácido acetilsalicílico) agem diretamente na enzima envolvida no doloroso processo de inflamação, diminuindo o desconforto. Já analgésicos à base de paracetamol e dipirona bloqueiam os receptores sensoriais que enviam ao cérebro o sinal de dor. “Eles avisam que há um foco de inflamação ou algum outro problema. Quando o cérebro deixa de receber esse aviso, a dor cessa”, explica Giovanna Carpentieri, endocrinologista da Clínica Vivere Sanus (SP).

O que cada analgésico faz?

  • Ácido acetilsalicílico e ibuprofeno

Ambos atacam a dor de cabeça, aliviam cólica menstrual e dores nas costas. O resfriado te pegou? Recorra a eles também, pois diminuem a febre rapidinho. O ácido acetilsalicílico (uma das marcas mais conhecidas é a Aspirina) também é usado para inibir a formação de coágulos no sangue e até prescrito para prevenir doenças cardiovasculares. Mas, o uso contínuo só usado se recomendado por especialista. “Ele é contraindicado nos casos de suspeita de dengue pois pode aumentar o risco de hemorragias. E não deve ser utilizado em crianças com varicela ou influenza”, aconselha a endocrinologista. Atenção: Giovanna alerta que também é contraindicado para pessoas com gastrite ou que sofrem de asma e rinite (ele favorece reações alérgicas). O uso descontrolado da substância irrita o tecido gastrointestinal e pode causar úlceras.

​​O ibuprofeno também é usado para conter dores de cabeça, muscular e cólica (de moderada a leve). É utilizado no tratamento de dores crônicas, mas com cautela. “O uso prolongado deve seguir a recomendação médica, pois pode causar irritações no estômago, problemas nos rins e no sistema cardíaco” diz Giovanna Carpentieri.

  • Paracetamol

Já o paracetamol tem efeito analgésico semelhante ao do ácido acetilsalicílico, mas não tem ação anti-inflamatória. Giovanna ressalta que ele pode causar danos no fígado e deve ser evitado por quem já apresenta alguma doença ou sensibilidade no órgão (bebem em excesso ou têm hepatite). “O consumo crônico (por mais de três anos) de AINEs pode causar danos irreversíveis de nefropatia”.

Nada em excesso é bom

Diversas pesquisas apontam que o uso indiscriminado de analgésicos pode, inclusive, piorar a dor. O uso excessivo anula o efeito do medicamento (há pessoas que tomam por conta própria até 12 aspirinas!) - sem suportar mais a dor, o indivíduo aumenta o número de comprimidos. Uma pesquisa da Universidade de Edimburgo (Escócia) verificou que 23% dos 663 pacientes com problemas de fígado (eles estavam na lista de transplante do órgão) excederam a dose recomendada, causando danos tão graves quanto uma overdose.

O abuso de analgésicos é preocupante. Em estudo conduzido pela Universidade Erasmus Medical Center in Rotterdam, na Holanda, concluiu que o uso de analgésicos aumenta em até 80% o risco de arritmia cardíaca para casos de uso contínuo.

O limite de consumo dos analgésicos é de 15 dias por mês, sem ultrapassar a dosagem recomendada. Se usados acima da dosagem e dias prescritos, é considerado excessivo. De modo geral, temos baixa tolerância a dor e recorremos a pílulas que, sabemos, vai aliviar o mal-estar rapidamente. No entanto, a persistência do desconforto geralmente indica que algo mais grave está acontecendo, assim como uma sirene – quanto mais alto o barulho, maior o alerta! Se a dor de cabeça não a deixa em paz ou se todo mês sofre com fortes cólicas, não hesite em procurar um médico. Não ignore o alarme do seu corpo!

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